TUDO QUE RESTOU DE NÓS FOI SILÊNCIO

Quando eu achei que estávamos vivendo o nosso auge, eu descobri que aquele deveria ser o nosso fim. E por mais que eu quisesse me agarrar àqueles momentos, dentro de mim eu já sabia que eles agora compunham um passado, e que me agarrar a esse passado só iria gerar mais sofrimento.

Todo auge vem acompanhado do seu declínio e com nós dois não haveria de ser diferente. Os dias em que eu adormeci ao seu lado, deixando o meu coração e os meus sonhos à sua mercê, foram sucedidos por noites solitárias acompanhadas de lágrimas. Me doía saber que a sua vida ia seguir sendo a mesma sem mim. Me doía muito saber que você nunca iria fazer questão de um laço entre nós. Me doía me afastar cada vez mais da sua vida e te ver nada fazer para impedir esse afastamento. Me doía ver o seu mundo continuar girando e o meu estar aos pedaços. Me doía não sentir mais a sua pele e nem o calor das nossas brigas. Me doía o fato das nossas vozes terem se calado e do céu continuar azul embora tudo dentro de mim fosse cinza. Tudo que sobrou de nós foi silêncio. O silêncio mais ensurdecedor já ouvido. Sem ter voz para falar, me restou apenas escrever para quem sabe encontrar a cura daquilo que já foi um dia o maior amor do mundo.

Nat Medeiros

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PRECIPÍCIOS

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Tenho alguns precipícios dentro de mim que vez em quando vêm à tona.

É quando a tristeza fala mais alto do que o entusiamo.

É quando a vontade de me isolar é maior que a vontade de me integrar.

É quando o brilho dos olhos se tornam opacos.

É quando as cores se vestem de cinza.

Tenho alguns precipícios dentro de mim e vez em quando eles me cercam me enchendo de medos.

É quando a força cede lugar à resignação e quando a visão só enxerga abismos.

É quando a  crença dá lugar à descrença.

É quando o Sol se apaga, transformando a luz em escuridão.

Tenho alguns precipícios dentro de mim e vez em quando ando à beira deles.

É quando o sonhos desistem de sonhar.

É  quando o Amor desiste de amar.

Precipícios nos paralisam por um motivo: pra que a gente possa juntar forças pra mudar o que nos aflige.

Precipícios não podem ser evitados. Não se pode fingir que um precipício não está ali.

Precipícios nos requerem mergulho e coragem.

É preciso ouvir o que eles nos dizem, sentir o que eles nos trazem.

Precipícios são a chave de uma mudança que há muito tempo vem sendo protelada.

Precipício é limite. É divisor de águas.

Eu estou vivendo meu precipício pra renascer depois.

Nat Medeiros

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O AMOR, A DOR E O MAR

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O amor e a dor são como o mar. Grandiosos, imensos, profundos. Podem nos envolver de tal forma que nos afunde, podem nos guiar de tal forma que nos transforme.

Transfor-MAR

Eu acredito na ideia de que devemos viver o amor e a dor com máxima intensidade.  Só assim poderemos saber o que há além da margem. Em 2010, após muitos anos sem ver o mar, peguei um ônibus e fui sozinha pra uma cidade litorânea, desconhecida para mim até então. Quando cheguei ao destino, tive urgência em ir à praia e entrar na imensidão da água. À medida que eu me aproximava, a cada passo dado, mais azul o horizonte ficava. O horizonte do céu, logo em seguida, o horizonte do mar. Lembro-me de ter ficado quatro horas seguidas dentro dele… A minha necessidade era tanta, a minha sede era tamanha… Eu precisava viver o mar enquanto eu e ele estávamos no mesmo lugar. Apenas me molhar não era o suficiente. Eu mergulhei.

O amor e a dor, assim como o mar, são imensos de tal forma que torna-se impossível passar ileso a eles. Por um tempo, eu andei de mãos dadas com o amor. Ele me permitiu ser a pessoa sonhadora que eu nunca fora até então. Ele me fez querer tanto e tão bem a alguém, de uma forma que até então eu não quisera a ninguém. Eu me desnudei do meu orgulho para mergulhar no sentimento.

O amor, como o mar, é intenso demais para ser controlado. É grande demais pra nos determos à margem. Eu amei, e esse amor foi maior do que eu. Foi tão forte que eu abandonei a segurança do cais e não pude mais sentir a areia sob meus pés. Eu aprendi a flutuar. E assim fui além: além do porto, além de mim.

Por um tempo também eu andei de mãos dadas com a dor. Porque a dor compreende parte do processo do amor. O luto existe e precisa ser vivido. É só vivendo a fundo a morte de um amor, é que podemos renascer. Então eu vivi tudo o que a dor me trazia: silêncio e solidão. Quantas vezes, nesse meio tempo, eu olhei para o mundo e suas luzes e não me via ali? Por isso me isolei, poucos me viram, poucos me ouviram, pouco eu escrevi. Vulnerável à dor e ao que ela me trazia, me distanciei para me transfor-MAR.

Ao mar, ao amor e à dor, eu aprendi a me atirar, sempre que preciso. A vida requer mergulhos e coragens. Andei de mãos dadas com o amor durante um tempo, andei de mãos dadas com a dor durante outro. Agora, novamente, vou ao mar. A minha alma tem sede de água e sal.

 

Nat Medeiros

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EU PEDI O RAPAZ EM NAMORO

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Quando o meu amigo André me aconselhou a abrir o jogo para o rapaz e falar abertamente que eu queria um relacionamento sério, eu respondi que eu iria fazer isso, mas por dentro eu pensava: “André está louco. Eu não posso fazer isso de jeito nenhum, não tenho coragem.”. E assim fui levando a situação por um tempo. Porque embora eu tenha facilidade em escrever sobre meus sentimentos, eu tenho uma enorme dificuldade em demonstrá-los na vida real… E eu nunca nem cheguei em um cara, imagina chamar pra namorar? Inimaginável. Eu não iria fazer isso de jeito nenhum!

Só que um belo dia (mentira, não foi tão belo assim) o rapaz acabou assumindo que tinha ficado com uma outra menina. Eu fiquei péssima, não soube lidar. E foi aí que eu vi que eu precisava de uma segurança. Se a gente continuasse como estava, apenas “ficando”, isso poderia acabar acontecendo de novo. Não que um namoro seja garantia de exclusividade, mas ficar pra mim já não era mais suficiente. Eu queria  poder me entregar sem medo, eu queria senti-lo entregue também.

No dia seguinte, a gente se encontrou pra conversar em um açaí. Eu nem me lembro de tudo que conversamos mas eu lembro que eu deixei claro que eu queria um relacionamento sério. E aí vai um conselho: se você quer uma resposta clara, seja clara também. Ao ser clara, a gente pede que o outro também o seja. Eis então a resposta dele (que nunca esquecerei): “Nat, eu não acredito em relacionamentos e não quero relacionamentos por um bom tempo em minha vida.”. Eu acho que o mundo parou por um momento naquele domingo. E isso só reforçou a minha percepção de que domingo é o pior dia da semana. Eu perdi o chão e só pensava em levantar da mesa e sair correndo daquele lugar pra esconder a minha tristeza em um lugar bem escondido. Mas, olha, eu estava em um açaí, eu amoooo açaí, então eu pensei comigo mesma: “Deixa só eu terminar esse açaí aqui que eu vou embora.”. Hahahaha. E fui.

A gente ficou um tempo sem contato e um mês depois a gente voltou a ficar. Eu tinha esperança, sabe? Esperança de que talvez ele visse que gostava mesmo de mim. Mas pouco tempo depois eu é que acabei vendo que realmente não existia espaço pra mim na vida dele; ele estava sendo sincero ao dizer que não queria um relacionamento sério comigo. Acontece que a gente tem a mania de fantasiar o “SIM” onde apenas existe o “NÃO”. E a verdade é que: se um cara diz que quer namorar você, nem sempre ele quer de fato namorar (às vezes ele fala por falar). Mas se um cara diz que não quer namorar você, minha amiga, ouso dizer que ele realmente não quer.

(Pergunta: E se ele não diz nem que não nem que sim? Provavelmente ele também não quer mas tem medo de te dispensar, aí prefere te deixar na estante).

Quando eu coloquei na página que pediria um rapaz em namoro, muitas garotas pediram conselhos. Então eis alguns:

-Você não perde o que não tem;

-Demonstrar que gosta não irá te fazer menor;

-O ideal seria você pedir alguém em namoro apenas quando se está preparada para ouvir um “não”, mas desconfio que nós nunca estamos preparadas para ouvir um “não” de quem a gente gosta. Então o ideal é que você só faça isso quando ao menos estiver disposta a aceitar o “não”.

Como eu disse, eu ainda voltei a ficar com ele um tempo. Eu ainda não estava pronta para desistir. Mas depois eu entendi que realmente NÃO era NÃO, e que ou eu aceitava ficar naquela situação correndo o risco de a qualquer dia ele aparecer me dizendo que estava ficando com outra pessoa ou eu ia seguir minha vida e refazer meu caminho. Eu optei pela segunda alternativa.

Quando eu ouvi aquele conselho de André há uns meses, eu realmente pensei que era loucura pedir alguém em namoro e confesso que jamais me imaginei fazendo isso. Mas, com o tempo, eu vi que aquilo era o mais sábio a se fazer. Era preferível receber logo um “não” na cara a ficar esperando por um “sim” que não chegaria. O desfecho da minha história talvez não seja o mais motivante mas me ensinou que algumas coisas, por mais desagradáveis que sejam, são necessárias. Eu já disse aqui uma vez na página e reforço: a Vida não é sobre os “Sim’s” que recebemos, é sobre os “Não’s” recebidos e o que decidimos fazer com eles. O que eu decidi? Seguir minha vida e evitar as músicas tristes. Como disse a personagem de um filme que eu vi: “O final feliz nem sempre é a dois. Talvez o final feliz seja apenas seguir em frente”.

(A quem seguir o conselho do meu amigo, e agora meu conselho também, eu desejo que receba um SIM. Mas se porventura vier um NÃO, lembre-se de que o mais doloroso é insistir em uma história que não nos cabe. E que a decisão do que fazer com uma resposta negativa sempre está em nossas mãos).

Nat Medeiros

O PROBLEMA É NAMORAR E QUERER LEVAR VIDA DE SOLTEIRO

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Eu já me envolvi com uma pessoa que tinha namorada (sem que eu fosse informada desse “detalhe”). Lembro exatamente do momento em que o meu mundo caiu. E o que eu posso dizer sobre isso é que eu sofri. E eu sofri foi muito. Primeiro eu sofri quando eu descobri que o rapaz tinha namorada, visto que eu fiquei meses e meses nesse envolvimento sem sequer desconfiar que havia uma terceira pessoa nisso. Aliás, a terceira pessoa era eu. Ao que tudo indica, eu é que cheguei depois. E isso só intensificou o meu sofrimento na época. Sofri também porque além do envolvimento, eu acabei sendo exposta com essa situação; eu e minha dor, é claro.  Meu coração sangrou, meu mundo se desfez por uns tempos e eu tive que refazê-lo depois. Sozinha e com sequelas emocionais.
Sei que a outra garota também sofreu. E apesar de ela ter me chamado de “retardada” quando eu a contei que estávamos sendo enganadas pelo mesmo cara, sei que ela estava tão desavisada quanto eu, e eu não posso culpá-la por ter descontado a sua raiva em mim. Eu poderia vê-la como uma inimiga. Mas o problema definitivamente não era ela. E o problema definitivamente não era eu. O problema todo foi ele e a sua falta de verdade e empatia. Acredito também que ele tenha sido quem menos sofreu com tudo isso. Talvez nem tenha sofrido, o que é mais provável.
O que eu concluí com esse desagradável capítulo da minha vida é que as pessoas querem namorar, mas são tão inseguras que querem ter um relacionamento “monogâmico” sem abrir mão dos contatinhos por trás.
Querem ter uma garota como namorada, mas também querem ter Tinder para azarar as garotas solteiras. Querem ter alguém que lhes diga um “Eu te amo”, mas querem ter vários “alguéns” a quem possa dizer: “Topa um encontro hoje à noite?”.
O problema não é namorar.
O problema não é ser um solteiro que curte a vida conhecendo várias outras pessoas.
O problema é namorar e querer levar uma vida de solteiro, magoando quem te ama e envolvendo outras garotas legais e desimpedidas na sua vida somente para usá-las para fugir do tédio e de si mesmo.
Sabe quem faz isso? Não são os caras fodões. São os caras fracos, extremamente fracos, mas que se acham fodões. Eles são tão fracos que nunca conseguem ficar sozinhos com eles mesmos. A verdade é que nem eles suportam suas próprias companhias. Então eles procuram ocupar os seus vazios com o máximo de garotas possível. E o mais triste é que geralmente essas garotas são incríveis. Aí o estrago está feito. É apenas questão de tempo pra gente ver pedaços de corações espalhados por aí…
Eu fiquei um bom tempo recolhendo os pedaços do meu.

Nat Medeiros

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O NOSSO FIM COMEÇA AQUI

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Mais uma noite em que você visita os meus sonhos. Mais um dia em que os meus sonhos não tocam a realidade. Há quanto tempo o meu telefone toca e não é você? Faz muito tempo desde a última vez em que tivemos uma conversa. Mas eu estou melhor assim, bem melhor.

Porque no início, eu confesso, ver meu telefone tocar e saber que era você não fazia muita diferença pra mim. E talvez por isso você tenha insistido, porque eu era indiferente às suas tentativas. Depois, eu fui tendo acesso às profundezas da sua alma e isso foi me envolvendo. A sua notificação no meu celular me fazia ter pressa de ver, pressa de ler, pressa de te responder. Eu estava me apaixonando. Era nítido, por mais que eu tentasse esconder esse fato. E você percebeu. Talvez por isso você tenha mudado tanto comigo. Até que chegou o dia em que eu passei a ter medo. Eu tinha medo de que o celular tocasse e fosse você. Eu tinha medo do que você fosse falar, do que eu fosse ler. Fazer contato com você já não me fazia bem. Definitivamente, a cada conversa eu me sentia pior. Pior pela forma como você me tratava. Pior principalmente por saber que a pessoa por quem eu havia me apaixonado estava se desmanchando diante de mim, não existia, era ilusão. Por isso eu me calei diante suas últimas mensagens. Eu tinha me tornado líquida pra uma pessoa totalmente sólida mas isso não te dava o direito de me tratar com descaso, e nem te dava direito de me chamar de dramática diante qualquer demonstração de sentimento ou mesmo de fraqueza. Para o meu “drama” parar eu deveria me calar. E então meu silêncio passou a ser tudo que eu tinha a te dizer. E isso me fez um bem que há muito eu não sentia. Eu me desintoxiquei das suas atitudes frias e egoístas.

Mas não posso dizer que me recuperei instantaneamente. Por algum tempo o preto andou me cercando. Eu me vestia de preto frequentemente. Aposentei os esmaltes vermelhos, só usava preto. Ouvia músicas escuras, me fechava em meu mundinho. Algumas pessoas tentaram se aproximar. Ninguém conseguiu. Me inundei de mim mesma. Me refugiei em uma ilha da qual só eu sabia o caminho.

Eu ainda estou tentando me afastar de tudo. Eu ainda estou tentando afastar os pensamentos que me levam ao mesmo lugar de sempre. Eu ainda estou tentando me afastar das lembranças do seu calor e logo em seguida da sua frieza. Na verdade, eu confesso, que nesses últimos tempos eu tenho tentado viver me convencendo de que você não existe. É mais fácil seguir a vida com a falsa certeza de que não há riscos de te encontrar novamente um dia. Mas eu sei que no fundo é necessário que você deixe de existir é dentro de mim. Eu estou começando a entender que certas coisas apenas começam para um dia terminar. O nosso fim começa aqui.

Nat Medeiros

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O COTIDIANO NÃO TEM NÓS DOIS

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O único presente que vejo é o que está no jornal ou no folhetim

O céu está nublado e aquele tempo entre nós se torna passado

O futuro é anunciado e rima facilmente com o fim

Entre notícias de crise política e econômica, o meu coração se fecha.

Tudo parece tão cinza lá fora e não difere do que há dentro de mim.

Não há motivos para tentar agora, pois agora só existe “Não” onde há tão pouco tempo havia “Sim”

Eu deixo o tempo passar, o céu mudar de cor, a lua mudar de fases sem que eu tente novamente.

Eu deixo você se afastar, eu me deixo silenciar, eu desisto de lutar por um “Nós” diariamente.

O cotidiano não tem nós dois.

Nat Medeiros

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TE DEIXO LIVRE PARA PARTIR

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Eu fui embora de queixo erguido, mas com a garganta engasgada e nos olhos uma lágrima que ameaçava cair. Uma não, várias. Uma chuva delas. Eu fui embora sem deixar que você percebesse a minha tristeza em ter fracassado. A minha tristeza em ter amado tanto e ter recebido tão pouco. Não que eu tenha te dado tudo que eu tinha esperando que me desse de volta. Mas eu quis ter seu afeto, claro que quis. E como eu quis. E quis tanto que por um momento que fosse você se entregasse também. Isso nunca aconteceu.

A gente se conheceu em um momento bem complicado da minha vida. Era difícil confiar em alguém novamente, mas eu confiei e não me pergunte o porquê… São desses misteriosos desígnios da vida que a gente não consegue explicar. Era pra ser. Tinha que acontecer. E tudo que eu não queria era que você sofresse o que eu sofri um dia. Então eu fiz por você o que nunca ninguém fizera por mim. Eu te dei tudo que eu tinha, e eu me refiro a muito além do físico: te confiei minha alma e meu coração. Mesmo que você não soubesse, te dei a fidelidade dos meus atos, dos meus passos, dos meus pensamentos. Eu fui fiel mesmo quando em um desentendimento você se distanciou e procurou outros braços. Eu ouvi tanto os meus amigos dizerem que eu estava sendo boba, que nós não tínhamos um relacionamento e que eu deveria ficar com outro, ter um plano B, C ou o diabo a quatro. Mas eu fiz bem o contrário. Me mantive fiel ao que sentia, me mantive fiel a você mesmo sabendo que o meu posicionamento político serviu como justificativa para você se encontrar em braços menos fiéis e exclusivos que os meus.  Eu rasguei o meu coração para costurar o seu. Eu engoli o meu choro pra tentar te fazer bem.

Eu nem posso enumerar quantos sábados fiquei em casa, pensando em você, sabendo que você não iria aparecer, que qualquer festa ou bebida era mais atraente do que estar comigo. Ou que simplesmente eu não poderia estar com você nesses lugares; verdade nua e crua: porque você não queria. Eu nem sei como eu aguentei. Como eu aguentei ver você comemorar seu aniversário e não ser convidada, ver você sair com seus amigos e amigas e nunca ser chamada. Talvez eu nem iria se me chamasse porque, afinal, eu era uma estranha no seu círculo. Mas como doeu não ser nem mesmo lembrada nesses momentos.Sem dúvidas, essa foi a maior batalha que já travei: querer estar em um lugar no qual eu era restrita. E também foi a maior derrota que eu já sofri. Eu saio desse campo de cabeça baixa tendo a certeza de que esse será um daqueles capítulos que sempre vai me doer quando eu olhar pra trás.

Então te deixo livre para outros caminhos, para outros beijos, para outras pessoas, para outros endereços, para outros textos que não serão escritos por mim. Te deixo livre todos os dias da semana, de todos os meses dos anos que nos restam. Te deixo livre para me esquecer, apagar da memória e viver histórias que te façam sentir o que um dia eu senti. Te deixo livre para partir porque agora eu parto também. E não deixo a ti vestígios de mim. Te deixo livre, acima de tudo, porque quero me ver livre também.

Nat Medeiros

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A GENTE TEM QUE PARAR DE COLOCAR RETICÊNCIAS ONDE SÓ CABE PONTO FINAL

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Eu achava que meu amor, por ser grande demais, seria suficiente. Eu, que sempre fui tão orgulhosa, dessa vez não me preocupei em estar amando por dois. Eu queria fazer por ele, tudo aquilo que ninguém nunca fizera por mim. Por que? Porque ele valia a pena, naquele momento ele valia muito a pena. Era nisso que eu acreditava.
Eu não posso enumerar quantas vezes eu quis levá-lo ao céu, mesmo sabendo que no dia seguinte ele desapareceria e isso me levasse direto ao inferno. Eu rasguei o meu coração para costurar o dele e te dar toda segurança do mundo, toda segurança que ele mesmo não me daria. Eu tirei minha armadura pra poder me entregar a ele. Sem ressalvas, sem poréns, sem condições. Eu apenas fui em sua direção, atravessando todos os obstáculos, um a um. Muitos destes que ele mesmo havia colocado: “Não quero me envolver, não quero nada sério, não quero preocupações. Está legal assim, do jeito que está.”. Eu fui engolindo isso por amar demais. Mas a verdade é que pra mim não estava mais sendo legal. E creio que ele sabia. Como ele mesmo me disse um dia e eu nunca esqueci: “Você está se sentindo de lado nessa relação. E eu sei que eu poderia ser melhor pra você do que eu estou sendo.”. Até ele sabia que poderia ser melhor pra mim. O que eu demorei a ver foi que EU, EU não estava sendo tão boa pra mim quanto eu poderia ser. Ou melhor, como eu deveria. Eu estava me reduzindo a nada, nadinha mesmo. A um zero a esquerda. Logo eu, que sempre fui uma pessoa de presença, de altivez: me reduzi ao menor que eu poderia ser. Eu me tornei um fantasma, aquela com quem ele estava mas jamais assumia. Eu me anulei.
Quando eu caí em mim da loucura que eu estava fazendo, eu decidi cair fora daquilo. Ele não se opôs. Na verdade, indiretamente me incentivou. A ausência dele, cada vez mais presente em minha vida, me mostrava o quanto a minha presença era insignificante na vida dele. E então eu fui embora, sem olhar pra trás. Eu precisava fazer algo por mim agora.
E foi então que eu aprendi que partir não dói, não. Que desistir não dói, não. O que dói é insistir em algo que não está dando certo, onde a única coisa que se tem é uma esperança que não se atinge.
Ir embora não dói. O que dói é ficar onde não há espaço pra você. O que dói é insistir naquela porta que não se abre, naquele amor que não se alcança.
Desapegar não dói. O que dói é se agarrar à dor achando que aquilo é amor.
Passar o sábado sozinha também não dói. O que dói é passar o sábado com alguém que não está com você.
A gente tem que parar com essa mania de achar que amor tem que ser doído, tem que ser batalhado. Tem não, viu. Amor é pra ser vivido a dois. Alimentado dos dois lados, senão definha. Se somente um ama, isso uma hora termina, inevitavelmente. E a gente não tem nem que insistir.
A gente tem é que parar de colocar reticências onde só cabe o ponto final.

 Nat Medeiros

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NÃO É POSSÍVEL SER FELIZ TODO DIA

 

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Se a boca fala do que o coração anda cheio, isso explica eu estar tão calada. Absorta em meus pensamentos, meus sentimentos fugiram e a única coisa que eu sinto é vazio. Um vazio que me preenche por completo e me deixa alheia de tudo. Absorta em meus pensamentos, eu corro e eu fujo, fujo daquilo tudo que um dia me poderá fazer sentir de novo. Absorta, em meus pensamentos, eu ignoro todos os chamados e crio justificativas para o meu isolamento.

Tá tudo tão igual, tá tudo tão normal que até as palavras me faltam. Eu só sei escrever quando eu vôo para longe. E eu ando pelos velhos lugares e me sinto um caso à parte. Falta um encaixe, o que sobra sou eu. Falta uma motivo, o que sobram são erros. Ou medos.

Os caminhos se parecem mais longos mas eles ainda são os mesmos. E eu ando sem saber onde quero chegar. E eu ando pelos lados desertos, mesmo sabendo quem eu quero encontrar. Eu sei o que devo fazer mas o fato é que eu vou pelo caminho contrário.

As verdades se tornaram metades que eu deixei pelo caminho enquanto procurava abrigo. Os sonhos se tornaram ilusões que se aliaram aos meus medos, se tornando realidade.

O ar se tornou tão pesado, intragável. Os sonhos se tornaram tão distantes, perigo. As lágrimas se tornaram tão comuns, companhia. Os sentimentos se tornaram tão gelados, anestesia. E eu que pensava em ser salva, nem penso mais. Todo dia.

 

Mas amanhã é um outro dia.

 

Nat Medeiros

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