NEM TODOS PRECISAM SABER TUDO SOBRE NÓS

Ontem eu postei um meme da Princesa Diana que mostra como a mesma estava fisicamente no dia seguinte à declaração pública do Príncipe Charles sobre a infidelidade cometida por ele. Ela estava simplesmente esplêndida!

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A primeira vez que eu vi esse meme eu apenas pensei em como ela parecia fisicamente com a minha mãe e como essa atitude dela perante à declaração de infidelidade do marido também era a cara da minha mãe. É, eu acho que nunca vi a minha mãe chorar e também nunca a vi ficar sentida pelo relacionamento com meu pai.

A segunda vez que vi a foto e a analisei com mais calma, pensei: talvez por dentro Diana não estivesse tão bem assim.

A verdade é que somos seres dotados de sentimentos. Sofremos, mas muitas vezes calados. Sentimos, mas muitas vezes em silêncio. Acho que é uma dualidade porque vivemos em uma sociedade cujo objetivo master é o sorriso. Mais do que ser felizes, precisamos parecer felizes (e olha que triste isso – o “parecer” sendo mais importante que o “ser’).

Mas ao mesmo tempo, somos seres sociais e mesmo não sendo famosos, temos uma parte da nossa vida que é pública (o que é acentuado ainda mais com nosso uso das redes sociais). E isso cada vez mais acentua em mim a seguinte percepção: as pessoas não precisam saber tudo sobre nós.

Simplesmente há coisas que não temos como esconder, principalmente daqueles que convivem com a gente ou nos acompanham. Mas quanto de fato é necessário que terceiros saibam? Precisamos expor, nos explicar ou dar detalhes da nossa vida pessoal no nosso ambiente de trabalho por exemplo? A resposta é não.

Como escritora na web e ao mesmo tempo graduada em administração e colaboradora há muitos anos em uma grande instituição, aprendi que em cada ambiente me porto de uma maneira. Isso não é ser alguém que usa máscaras, mas alguém que se adapta às diferentes circunstâncias e ao que elas exigem de mim. É possível sim separar o que somos, nossos anseios e sentimentos mais íntimos daquilo que precisamos expor ao conviver em sociedade.

Com os anos aprendi que talvez aquela minha tia, meu colega de faculdade ou de trabalho não precisem saber do meu relacionamento amoroso ou do meu sonho mais precioso, meus planos sobre as próximas férias ou tampouco sobre meu final de semana. Mas que ao meu amigo do peito (que às vezes pode ser também meu colega ou um parente, quem sabe) eu posso sim me abrir e dividir intimidade, por quê não? Do contrário a gente se isola da vida e se fecha em um casulo.

A maturidade ensina que doses de equilíbrio podem ser mais valiosas do que doses de transparência. Ao sermos transparentes demais nos expomos a quem nem sempre nos quer bem e podemos também acabar sendo invasivos com o outro.

Minha reflexão sobre o meme da Lady Diana, esplêndida em um vestido preto enquanto enfrentava um vendaval em sua vida pessoal, é que nem todos precisam ou merecem saber tudo sobre nós.

Nat Medeiros

 

 

 

 

Sou Tudo

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Sou tudo quando sei o que quero e eu luto

Quando sei o que amo e é tanto

E que minhas células se transbordam do que sinto

 

Sou êxtase, quando por um segundo quase acredito

Que o que anseio é tangível e é possível

E admito que traz à tona a melhor parte de mim

 

Sou luto quando duvido do que acredito

Vejo os navios se afundarem

E enxergo a certeza se tornar incerta

 

Sou conformidade quando aceito o afastamento e o silêncio

E me convenço, dubitavelmente, de que foi melhor assim

 

Sou triste quando apenas me resta esquecer

E tentar ser feliz sem a felicidade estar

 

E eu, que no início era tudo, no fim de tudo,

Sou nada.

 

Nat Medeiros

Fonte da Imagem: Pinterest

Doses Homeopáticas

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Por mais que as doses de afeto entre nós fossem homeopáticas, elas me enchiam de vida e força. Claro que como não poderia deixar de ser, as consequências dessas doses eram nefastas. Noites mal dormidas, lágrimas que feriam a pele, raiva, descontrole, dependência, insegurança. As dores emocionais se tornavam físicas a ponto de o meu corpo sentir febre quando através de uma investida desesperada eu tentava te esquecer com outra pessoa. Ineficaz. O meu corpo sentia. E expulsava. Pedindo mais uma vez por suas doses homeopáticas.

Eu me sentia desconectada de um presente que me levava a um futuro no qual você certamente não estaria. E, acima de tudo, eu sabia das possibilidades de isto estar resolvido nesse futuro. Mas não deixava de almejar o passado que me atormentava e me acalentava, onde eu e você ainda éramos. E o vislumbre de um futuro sereno não me trazia calma. Já era claro que cada dia que eu vivia era um dia mais longe daquele lugar secreto e agora inatingível onde eu você um dia estávamos.

Impossibilitada de me encontrar novamente no único tempo em que por alguns momentos nós dois estivemos juntos e de ali consumir novamente as pequenas e fatais doses, me refugiei na solidão. Silenciei tudo que em mim gritava. Aceitei a dor de uma perda que há muito tempo já fora anunciada. Abracei-a, agora eram os únicos vestígios de nós dois em mim. Senti a angústia escorrer e contaminar tudo por dentro. Descobri o gosto do rancor e vi o pouco que sobrava de alegria se tornar ansiedade. Doses homeopáticas de alegria e afeto se transformando em doses cavalares de desânimo. A perda do que nunca foi doía e pesava. E a solidão continuava sendo tudo que eu tinha do pouco que fomos nós.

E ainda era só o segundo dia do ano.

Nat Medeiros

Fonte da Imagem: Pinterest

OS INCRÍVEIS PERSONAGENS DE SEX EDUCATION E O QUE PODEMOS APRENDER COM ELES

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(Contém alguns spoilers)

Sex Education é uma série incrível e eu vou te falar o porquê. Seu enredo é envolvente e divertido, sem beirar a superficialidade. Seus personagens são bem construídos e carregam muito além daquilo que se espera de personagens de uma série teen. Além de tudo, é leve. Sabe quando você precisa assistir algo que te distraia, te prenda e descanse sua mente? Então, estamos falando de uma série que traz tudo isso.

O que mais me encantou em Sex Education é sem dúvida a forma como seus personagens foram construídos e trabalhados. Começando por Otis, o protagonista.

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A princípio pode até parecer que Otis é só mais um menino comum e apagado que cresce na narrativa, como em milhares de outras histórias que já vimos por aí. Mas Otis é muito mais do que isso. Ele é complexo. Procura ajudar os colegas com conselhos sexuais, algo que aprendeu ouvindo os atendimentos da sua mãe, Jean, uma terapeuta sexual. Porém, Otis não sabe lidar com seus próprios problemas, como a aversão que tem à ideia da masturbação. No decorrer da história entendemos que ele associou o prazer sexual masculino a um trauma da sua infância.

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Otis tem um melhor amigo, o Eric. Eric é simplesmente o personagem mais carismático de toda a série e é também aquele que sofre bullying. E a gente vê isso já no primeiro episódio. Ele fala o que pensa, é autêntico, possui um modo completamente único de se vestir, é engraçado e sempre impulsiona o seu amigo Otis a ultrapassar suas barreiras. Mas Eric é muito além disso.

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Homossexual, ele também gosta de se “montar”. E é muito sensível a forma como a série mostra suas descobertas quanto a si mesmo. O pai do Eric, mesmo tendo poucas participações, não deixa de ser um dos meus personagens favoritos. Sabe aquele cara durão, que fala pouco? Ele é assim. E mesmo sem dizer em palavras explícitas, percebemos algo apreciável: ele não entende o filho e o porquê de Eric ser assim. Mas ele não o julga, pelo contrário: mesmo sem compreender Eric muito bem, ele o acolhe e o impulsiona a ser forte. Uma das cenas que me fizeram chorar em Sex Education é quando Eric, após passar por dias difíceis, se levanta e vai para festa da escola “montado”, de salto, make e tudo o mais. O seu pai não deixa de ficar impactado, é verdade, e pergunta a Eric onde ele vai vestido daquela forma. Ao ouvir a resposta do filho, ele diz: “Eu levo você”. Aí vemos o quão o apoio dos pais é magnífico para impulsionar e apoiar um filho que já tem que enfrentar o mundo. A reviravolta que Eric dá em seu contexto a partir daí é uma das melhores coisas da série. Ele enfrenta Adam, seu colega que o ameaça e persegue desde o início da história.

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Adam, por sua vez, também é aprofundado além do estereótipo de adolescente que provoca bullying. Filho do diretor, ele possui uma relação difícil com o pai, que exige muito dele. É como se Adam sentisse que nunca está à altura da expectativas do pai e que por isso não fosse amado por ele. Não ter afeto paterno não justifica, é claro, o ato perverso de provocar bullying com um colega. Mas é uma das explicações para o comportamento de Adam. Assim como é uma explicação para o fato de Maeve, a mocinha rebelde da história ter aversão a relacionamentos apesar de ser uma boa menina.

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Maeve não tem pais presentes e mesmo sendo apenas uma adolescente, vive sozinha em um trailer. Como esperar que alguém sem nenhum apoio familiar fosse amorosa e bem resolvida na idade mais difícil da vida? A série traz um olhar além do óbvio e nos ensina a sermos mais complacentes com nossos pares. Maeve, apesar da aversão a relacionamentos, desenvolve uma ligação com Jackson, nadador da escola.

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Jackson é carismático, querido e popular. Filho de um casal de lésbicas, a sua rotina é voltada para que ele seja o melhor nadador. Sua imagem de líder invencível é desmistificada quando ele assume para a namorada que devido à pressão familiar e da própria escola para ser o melhor atleta, desenvolveu ansiedade e crises de pânico. Mais uma vez, Sex Education acerta em mostrar realidade em seus trabalhados personagens. Quantos de nós estamos inteiros? Mesmo o personagem tido como mais forte e que possui uma boa estrutura familiar, sofre as inerências do seu lado humano.

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Em Sex Education também encontramos uma terapeuta sexual, Jean, mãe de Otis, que é muito segura de si sexualmente e socialmente, mas que evita levar suas relações para o nível afetivo pois ainda não superou a traição do ex-marido.

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E temos a mocinha popular, Aimee, que é amiga da mocinha rebelde (Maeve), por mais que esta última seja vista como “dada”. A série também aborda a descoberta do prazer, seja sozinho ou acompanhado e em uma cena linda, mostra o que a sororidade entre as mulheres é capaz de fazer acontecer. “Juntas somos mais”. Elas se unem para proteger a intimidade de uma colega, mesmo que esta seja insuportável. É muito admirável.

Sex Education ainda acalenta os corações partidos que a assistem. Em uma cena onde um personagem ameaça se jogar do alto por estar vivendo uma paixão não correspondida, Otis, nosso guru inexperiente do sexo, diz: “Na vida há 7 bilhões de pessoas. Muitas pelas quais nos apaixonaremos não irão nos corresponder, pois o amor é sorte. Uma hora, no entanto, vai acontecer de o amor ser recíproco. Mas se você se jogar daí você estará jogando por terra todas as possibilidades de viver o amor um dia. Então, resista!”.

No entanto, a cena da série vai para o momento de reconciliação de Eric e Otis na festa da escola. Aqui, o casal dançando no baile não é composto por um garoto e uma garota. São dois amigos que reconhecem seus erros e se desculpam. Otis, branco e heterossexual. Eric, negro e homossexual. Juntos, se tornam um par aos olhares dos outros alunos e dançam uma das suas músicas preferidas, afirmando publicamente o afeto que sentem um pelo outro. É ousado, inovador e é sensível.

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Sex Education conquista, nos faz rir e chorar. Seus personagens, tão humanos, lembram a nós mesmos em uma das fases mais difíceis e incríveis da vida, a adolescência; e nos seus dramas e dilemas nos ensinam belas lições. Preciso dizer algo mais?

Nat Medeiros

Publicado originalmente em: Superela

Fonte das Imagens: Pinterest

Minimalismo: 7 dicas para tornar mais saudável a sua vida virtual

Cópia de menos é mais.Eu já falei no Superela sobre o que é o Minimalismo e como colocá-lo em prática. Também já citei dentro desse processo quais são as coisas que eu não compro mais. Mas como dito nesses dois textos, Minimalismo também se trata de simplificar a vida social (e também a digital, por quê não?)de forma a obter mais qualidade de vida. Agora, irei focar no aspecto digital.

A internet é hoje parte integrante da nossa vida. Acordamos checando nossas redes sociais, aplicativos e e-mails e assim permanecemos ao longo do dia. Vemos memes (alguns deles repetidas vezes inclusive), lemos a opinião de inúmeras pessoas sobre uma série de coisas. Lemos notícias sobre mortes e tragédias, política e economia. Consumimos informações mais do que qualquer outra coisa. Mas, é saudável isso?

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Pra mim não foi. Chegou uma parte desse ano onde eu lia tantas informações, respondia tantas mensagens, acompanhava virtualmente tanta gente e tantas empresas, que cheguei ao meu limite. Aquilo já era um hábito bem enraizado em mim, no entanto não me trazia muitos benefícios e me deixava saturada. Foi então que eu decidi que definitivamente não passaria a minha vida com um celular na mão. Para tanto, comecei a cultivar outros hábitos:

1. Whatsapp: Eu já não participava de muitos grupos no Whatsapp e mantive isso. Grupos com muitas informações inúteis, mensagens de “Bom dia”, “Boa tarde”, “Boa noite”, informações sensacionalistas e sem fontes confiáveis, grupos reprodutores de notícias de acidentes, tragédias, vida alheia. Isso realmente é necessário? Isso faz bem? A quem? Não a mim e muito menos a quem é exposto. Portanto, eu participo de raros grupos: de amigos beeeem chegados e grupos com propósito e normas claras. Se é grupo de estudo, vamos falar de estudos e só.

2. Facebook: Eu desfaço meu perfil com frequência afim de dar uma desligada, afinal, o Facebook é a rede com maior fluxo de informações (úteis e inúteis). Quem é meu amigo lá sabe que eu não acompanho e/ou respondo todos os comentários nas minhas publicações ou em publicações em que estou relacionada. Isso demandaria tempo e o meu é bem limitado (o de quem não é nessa sociedade moderna e líquida?). Eu também parei de acompanhar aleatoriamente o feed de notícias.

3. Aplicativos de Mensagens instantâneas: Aqui volto ao Whatsapp, incluo o Messenger e demais apps de mensagens instantâneas. Podem me chamar de chata, mas eu não bato papo na internet, exceto com minhas melhores amigas que não moram perto de mim. Também não respondo mensagens que não sejam necessárias. Eu filtro bem porque eu já parei pra contar e se eu fosse assistir todos os vídeos que me enviam, ler todas mensagens, textos e correntes e ainda respondê-los, eu teria que largar meu emprego e ficar por conta disso. Sem falar, que essa demanda, essa cobrança de estarmos o tempo todo disponíveis e abertos ao bate-papo é exaustante. Ter aplicativos de mensagens instantâneas não quer dizer que precisamos estar acessíveis 24 horas por dia. Verifique o que realmente é necessário pra você e foque nisso.

4. Instagram:

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Aqui talvez foi a rede social onde achei mais fácil aplicar o Minimalismo. Deixei de seguir lojas, afinal, agora eu valorizo compras conscientes e planejadas. Não fico mais procurando aleatoriamente coisas para comprar. Deixei de seguir celebridades (na verdade eu nunca segui muitas pessoas famosas). Celebridades têm um padrão de vida muito acima do que a maioria de nós temos. Será se é mesmo necessário e útil saber para onde a atriz X vai passar as férias no próximo verão? Prefiro cortar essa distração e utilizar esse tempo para planejar as minhas férias, por exemplo. Também deixei de seguir pessoas que eu não conhecia e não tinha mais muito contato. Excluí também vários seguidores do meu perfil pessoal. Eu acho que a era digital desprezou muito o conceito “intimidade”. Eu preferi manter a minha e partilhar um pouco da minha vida apenas com um número limitado de pessoas. Confesso que exposição, likes e comentários são bem atraentes num primeiro momento, mas depois podem-se tornar um vício sem propósito ou uma forma ineficaz de preencher algum vazio.

5. Arquivos digitais: Eu tinha quase 5 mil fotos no meu Google Fotos. Eu precisava mesmo delas? Eu teria mesmo tempo de revê-las? O que fazer com tantos memes e onde eles me levariam? Resultado: apaguei quase 4 mil fotos. Deixei apenas aquelas que eram realmente necessárias e marcavam fases da minha vida ou me traziam boas lembranças (descartando as duplicadas, claro). Isso também foi aplicado a outros tipos de arquivos. Excluí músicas, textos, planilhas, trabalhos da faculdade que eu concluí há anos, tanto do computador quanto do smartphone. Fiquei apenas com arquivos que realmente me são úteis e que me agradam muito. Também desinstalei doze aplicativos do meu celular. Ah, e sabe aqueles favoritos que vamos salvando no nosso navegador e nunca mais temos tempo de ler? Excluí. Se fossem tão necessários assim eu teria os visitado mais vezes.

6. Notificações e assinaturas: Cancelei notificações das redes sociais como forma de cortar a distração e cancelei assinaturas em diversos sites. Sabe quando você compra algo pela internet, se cadastra no site e depois fica recebendo inúmeros e-mails informativos com promoções? Isso, além de cansativo,  pode ser uma armadilha: você acaba tendo conhecimento de uma promoção legal e no impulso realiza a compra. Mas você estava mesmo precisando daquele item? Cuidado! Comprar algo simplesmente porque está em promoção pode ser a armadilha mais atrativa para adquirirmos o supérfluo em vez do necessário. Ah, e uma limpeza na caixa de e-mails também vai muito bem! Nada melhor que bater o olho na nossa caixa virtual e só encontrar as informações que realmente nos são úteis.

7. Sentir e viver as situações ao invés de compartilhar:                                 minimalismo2.gif

Sabe quando encontramos amigos em um bar, tiramos uma foto (ou várias) e logo depois vamos editá-la para postar? Eu já fiz muito isso. Hoje eu me policio, procuro viver aquele momento antes de mais nada. Infelizmente, o mundo moderno e tecnológico nos leva a inverter a lógica: Primeiro poste, depois acompanhe as curtidas e comentários e só mais tarde sinta aquele momento de fato (isto quando ele chega a ser mesmo sentido). O minimalismo busca focar no essencial. O que seria mais importante: o resto do mundo saber o que estamos fazendo ou nós fazermos algo sem a preocupação de que o resto do mundo saiba? Um exemplo triste disso foi uma situação que vivi recentemente quando uma amiga postou que a minha mãe tinha falecido antes mesmo de ela falecer. Não foi um mal entendido porque minutos antes da sua publicação, essa amiga estava no quarto juntamente comigo e com a minha mãe, que ainda respirava e tinha todos os sinais vitais estáveis. Assim que essa conhecida chegou na casa dela, ela postou sobre o luto e noticiou a morte de uma pessoa que estava viva. Consequência disso? O celular da minha mãe começou a tocar incessantemente, pessoas começaram a nos procurar e mandar perguntas e mensagens de solidariedade. E eu, além de tensa pelo momento que eu estava vivendo e que foi o mais difícil da minha vida, passei a ter a preocupação “Minha mãe sobrevivendo, como eu vou explicar isso a ela?”. Pior de tudo que meus familiares informaram à responsável pela publicação que a minha mãe estava viva e precisando de oração e ainda assim essa pessoa não excluiu a postagem. Horas depois, a minha mãe de fato faleceu. Mas meus últimos momentos com ela foram ainda mais angustiantes devido a uma publicação precipitada. Que tempos são esses onde nos preocupamos mais com o que é relatado e mostrado nas redes sociais do que com o que é realmente vivido? Eu não vou ficar atirando pedras porque acho que todos nós temos teto de vidro.  Mas eu tomei a decisão de viver a minha vida, ao invés de priorizar postá-la.

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Como já dito no texto passado, o Minimalismo é um processo. Com o tempo vamos percebendo mais coisas e situações que não nos são essenciais para podermos então descartá-las. O mundo digital invadiu as nossas vidas sem bater à porta. Nos trouxe benefícios e como não poderia deixar de ser, malefícios. É como uma espécie de televisão que está a todo tempo ligada, nos acompanhando por onde formos, zumbindo em nossos ouvidos, capturando a atenção das nossas vistas. A questão é assumirmos o controle e a decisão do que vai consumir o nosso tempo; é nos colocarmos como um agente ativo e não como seres passivos, dominados pela mundo virtual. Somos seres de carne, osso e emoções e a vida tem que ser muito mais do que a tela de um telefone.

Nat Medeiros

Post Original: Superela

Vou atrás quando quero, já não nego sentimentos

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Eu sou romântica. Acredito no amor. Torço pelos casais que se amam e se respeitam. Fico triste quando algo se rompe. Meus olhos marejam quando vejo algo que me toca. Me emociono com a chuva que abençoa e esfria. Assim como sou tocada pelo sol que aparece após dias de umidade e céu cinza.
Vou atrás quando quero. Já não nego sentimentos. Cheguei naquela parte da vida onde a gente entende que sim, ela acaba. E pode ser logo ali naquela esquina. Então prefiro perder por tentar a perder por me calar. Minha mãe me dizia que o amor dela por mim era maior do que o mundo, maior do que o universo. Eu não sabia o tamanho do mundo ou do universo. E não era preciso. Eu sabia que ela estava falando de algo imenso, intenso, indestrutível. Eu cresci ouvindo isso e com a ideia de que o amor só vale a pena se for grandioso e magnânimo o suficiente pra romper nossas barreiras. Nossos medos. Nossas fronteiras.
Porque amor é aquilo que vem e transforma. É difícil lembrar de como nos sentíamos antes de senti-lo. E após sentirmos, é difícil acreditar que a Vida é possível sem amor. Porque como dizia minha mãe, ele é muito maior que o Universo. Mas ele pode ser condensado de tal forma que cabe em um lugar pequeno: aqui, dentro.

Nat Medeiros

Fonte da Imagem: Pinterest

O tempo não traz alívio; mentiram-me todos

O tempo não traz alívio; mentiram-me todos os que disseram que o tempo amenizaria minha dor!
Sinto sua falta no choro da chuva;
Quero sua presença no recuar da maré.
A velha neve escorre pela encosta de cada montanha,
E as folhas do outono viram fumaça em cada caminho
Mas o triste amor do passado deve permanecer no meu coração, e meus velhos pensamentos perduram.
Há centenas de lugares aos quais receio ir – por estarem tão repletos de lembranças dela.
E ao entrar com alívio em algum local tranquilo
onde seu pé nunca pisou, nem seu rosto brilhou,
Eu digo: “Aqui não há nenhuma recordação dela!”
E com isso paro, arrasada, e me lembro tanto dela.

(Edna St. Vincent Millay)

SENTIR É MINHA SINA

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Ainda tenho um coração. Mas ele não é mais perfeitamente contornado e colorido à caneta. Hoje, após o banho de realidade que tomei nos últimos anos, meu coração é puro músculo que bombeia sangue. Se doa e se dói. Se entrega e por vezes se regojiza. Não é perfeito, muito longe disso. Mas não só o aceito como sei que ele é exatamente o que preciso. Também não é um coração de ouro, não é estático. É pulsante e coloca vida e força em tudo que me proponho fazer. Ele realiza mas acima de tudo, sente. Sentir, essa é a minha sina e hoje a aceito. Que meu coração realista e honesto transborde afeto até a sua última batida.

Nat Medeiros

#natmedeiros #tenyearschallenge #desafiodos10anos #desafiodosdezanos

Transcenda! (Feliz 2019)

Nesse ano…
Não foram as festas ou os lugares onde fui.
Mas com quem eu fui.
Não foram as vitórias que eu tive.
Mas o que aprendi a fazer com as derrotas: combustível.
Não foram os “Sim’s” que a Vida me deu.
Foram os “Não’s” seguidos de recomeço.
Não foram as minhas coragens.
Foram os meus medos e como eu os enfrentei diariamente.
Não foram só os sentimentos correspondidos.
Foi também o coração partido e sua capacidade de regenerar.
Não foram as alegrias que tive.
Mas com quem compartilhá-las.
Não foram as brigas que briguei.
E sim, as reconciliações e suas novas chances.
Não foram os textos que escrevi.
Mas as pessoas maravilhosas que eu pude conhecer através deles.
Não foram as palavras que eu ouvi.
Mas o silêncio que aprendi a cultivar em mim.
Não foi a capacidade de me fechar e me proteger.
Foi a capacidade de me deixar ser frágil e me permitir sentir.

Eu planejei um ano em linha reta. Mas a Vida se refez em caminhos tortos e ladeiras inclinadas. Ainda não estou no topo da montanha. Mas estou mais distante do chão. Ainda não sou o que sonhei. Mas caminho para chegar ao melhor de mim. Hoje vejo que a beleza não estava nas coisas previsíveis que eu havia traçado e sim no imprevisível, nas curvas, nas pedras que estavam no caminho, nos abismos e também nas pontes que eu aprendi a construir.

Eu desejo que você realize seus planos, mas eu desejo principalmente que a Vida te surpreenda e que você vá além dos planos: transcenda.

Nat Medeiros
#natmedeiros

Eu sei o exato momento em que eu deixei de te amar

Te dei minha alma e você me deu desculpas. Me culpei por não mais te amar porque eu sempre achei que o amor deveria ser pra sempre. Mas agora eu olho as suas fotos e tudo aquilo que eu sentia me parece tão distante… Parece até que foi em um outro tempo, em uma outra vida.
Por achar que o amor era eterno, construí um mundo ao redor de você. Você, por achar que meu amor era eterno, se descuidou e maltratou aquilo que o amor tão inocentemente te deu. Me vi entristecer para logo em seguida me desinteressar. O pior é que eu sei qual foi o exato momento em que eu deixei de te amar. É, eu sei o exato momento.

Nat Medeiros
#natmedeiros