O NOSSO FIM COMEÇA AQUI

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Mais uma noite em que você visita os meus sonhos. Mais um dia em que os meus sonhos não tocam a realidade. Há quanto tempo o meu telefone toca e não é você? Faz muito tempo desde a última vez em que tivemos uma conversa. Mas eu estou melhor assim, bem melhor.

Porque no início, eu confesso, ver meu telefone tocar e saber que era você não fazia muita diferença pra mim. E talvez por isso você tenha insistido, porque eu era indiferente às suas tentativas. Depois, eu fui tendo acesso às profundezas da sua alma e isso foi me envolvendo. A sua notificação no meu celular me fazia ter pressa de ver, pressa de ler, pressa de te responder. Eu estava me apaixonando. Era nítido, por mais que eu tentasse esconder esse fato. E você percebeu. Talvez por isso você tenha mudado tanto comigo. Até que chegou o dia em que eu passei a ter medo. Eu tinha medo de que o celular tocasse e fosse você. Eu tinha medo do que você fosse falar, do que eu fosse ler. Fazer contato com você já não me fazia bem. Definitivamente, a cada conversa eu me sentia pior. Pior pela forma como você me tratava. Pior principalmente por saber que a pessoa por quem eu havia me apaixonado estava se desmanchando diante de mim, não existia, era ilusão. Por isso eu me calei diante suas últimas mensagens. Eu tinha me tornado líquida pra uma pessoa totalmente sólida mas isso não te dava o direito de me tratar com descaso, e nem te dava direito de me chamar de dramática diante qualquer demonstração de sentimento ou mesmo de fraqueza. Para o meu “drama” parar eu deveria me calar. E então meu silêncio passou a ser tudo que eu tinha a te dizer. E isso me fez um bem que há muito eu não sentia. Eu me desintoxiquei das suas atitudes frias e egoístas.

Mas não posso dizer que me recuperei instantaneamente. Por algum tempo o preto andou me cercando. Eu me vestia de preto frequentemente. Aposentei os esmaltes vermelhos, só usava preto. Ouvia músicas escuras, me fechava em meu mundinho. Algumas pessoas tentaram se aproximar. Ninguém conseguiu. Me inundei de mim mesma. Me refugiei em uma ilha da qual só eu sabia o caminho.

Eu ainda estou tentando me afastar de tudo. Eu ainda estou tentando afastar os pensamentos que me levam ao mesmo lugar de sempre. Eu ainda estou tentando me afastar das lembranças do seu calor e logo em seguida da sua frieza. Na verdade, eu confesso, que nesses últimos tempos eu tenho tentado viver me convencendo de que você não existe. É mais fácil seguir a vida com a falsa certeza de que não há riscos de te encontrar novamente um dia. Mas eu sei que no fundo é necessário que você deixe de existir é dentro de mim. Eu estou começando a entender que certas coisas apenas começam para um dia terminar. O nosso fim começa aqui.

Nat Medeiros

Fonte da Imagem: Pinterest

 

 

O COTIDIANO NÃO TEM NÓS DOIS

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O único presente que vejo é o que está no jornal ou no folhetim

O céu está nublado e aquele tempo entre nós se torna passado

O futuro é anunciado e rima facilmente com o fim

Entre notícias de crise política e econômica, o meu coração se fecha.

Tudo parece tão cinza lá fora e não difere do que há dentro de mim.

Não há motivos para tentar agora, pois agora só existe “Não” onde há tão pouco tempo havia “Sim”

Eu deixo o tempo passar, o céu mudar de cor, a lua mudar de fases sem que eu tente novamente.

Eu deixo você se afastar, eu me deixo silenciar, eu desisto de lutar por um “Nós” diariamente.

O cotidiano não tem nós dois.

Nat Medeiros

Fonte da Imagem: Pinterest

TE DEIXO LIVRE PARA PARTIR

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Eu fui embora de queixo erguido, mas com a garganta engasgada e nos olhos uma lágrima que ameaçava cair. Uma não, várias. Uma chuva delas. Eu fui embora sem deixar que você percebesse a minha tristeza em ter fracassado. A minha tristeza em ter amado tanto e ter recebido tão pouco. Não que eu tenha te dado tudo que eu tinha esperando que me desse de volta. Mas eu quis ter seu afeto, claro que quis. E como eu quis. E quis tanto que por um momento que fosse você se entregasse também. Isso nunca aconteceu.

A gente se conheceu em um momento bem complicado da minha vida. Era difícil confiar em alguém novamente, mas eu confiei e não me pergunte o porquê… São desses misteriosos desígnios da vida que a gente não consegue explicar. Era pra ser. Tinha que acontecer. E tudo que eu não queria era que você sofresse o que eu sofri um dia. Então eu fiz por você o que nunca ninguém fizera por mim. Eu te dei tudo que eu tinha, e eu me refiro a muito além do físico: te confiei minha alma e meu coração. Mesmo que você não soubesse, te dei a fidelidade dos meus atos, dos meus passos, dos meus pensamentos. Eu fui fiel mesmo quando em um desentendimento você se distanciou e procurou outros braços. Eu ouvi tanto os meus amigos dizerem que eu estava sendo boba, que nós não tínhamos um relacionamento e que eu deveria ficar com outro, ter um plano B, C ou o diabo a quatro. Mas eu fiz bem o contrário. Me mantive fiel ao que sentia, me mantive fiel a você mesmo sabendo que o meu posicionamento político serviu como justificativa para você se encontrar em braços menos fiéis e exclusivos que os meus.  Eu rasguei o meu coração para costurar o seu. Eu engoli o meu choro pra tentar te fazer bem.

Eu nem posso enumerar quantos sábados fiquei em casa, pensando em você, sabendo que você não iria aparecer, que qualquer festa ou bebida era mais atraente do que estar comigo. Ou que simplesmente eu não poderia estar com você nesses lugares; verdade nua e crua: porque você não queria. Eu nem sei como eu aguentei. Como eu aguentei ver você comemorar seu aniversário e não ser convidada, ver você sair com seus amigos e amigas e nunca ser chamada. Talvez eu nem iria se me chamasse porque, afinal, eu era uma estranha no seu círculo. Mas como doeu não ser nem mesmo lembrada nesses momentos.Sem dúvidas, essa foi a maior batalha que já travei: querer estar em um lugar no qual eu era restrita. E também foi a maior derrota que eu já sofri. Eu saio desse campo de cabeça baixa tendo a certeza de que esse será um daqueles capítulos que sempre vai me doer quando eu olhar pra trás.

Então te deixo livre para outros caminhos, para outros beijos, para outras pessoas, para outros endereços, para outros textos que não serão escritos por mim. Te deixo livre todos os dias da semana, de todos os meses dos anos que nos restam. Te deixo livre para me esquecer, apagar da memória e viver histórias que te façam sentir o que um dia eu senti. Te deixo livre para partir porque agora eu parto também. E não deixo a ti vestígios de mim. Te deixo livre, acima de tudo, porque quero me ver livre também.

Nat Medeiros

Fonte da Imagem: Pinterest

A GENTE TEM QUE PARAR DE COLOCAR RETICÊNCIAS ONDE SÓ CABE O PONTO FINAL

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Eu achava que meu amor, por ser grande demais, seria suficiente. Eu, que sempre fui tão orgulhosa, dessa vez não me preocupei em estar amando por dois. Eu queria fazer por ele, tudo aquilo que ninguém nunca fizera por mim. Por que? Porque ele valia a pena, naquele momento ele valia muito a pena. Era nisso que eu acreditava.
Eu não posso enumerar quantas vezes eu quis levá-lo ao céu, mesmo sabendo que no dia seguinte ele desapareceria e isso me levasse direto ao inferno. Eu rasguei o meu coração para costurar o dele e te dar toda segurança do mundo, toda segurança que ele mesmo não me daria. Eu tirei minha armadura pra poder me entregar a ele. Sem ressalvas, sem poréns, sem condições. Eu apenas fui em sua direção, atravessando todos os obstáculos, um a um. Muitos destes que ele mesmo havia colocado: “Não quero me envolver, não quero nada sério, não quero preocupações. Está legal assim, do jeito que está.”. Eu fui engolindo isso por amar demais. Mas a verdade é que pra mim não estava mais sendo legal. E creio que ele sabia. Como ele mesmo me disse um dia e eu nunca esqueci: “Você está se sentindo de lado nessa relação. E eu sei que eu poderia ser melhor pra você do que eu estou sendo.”. Até ele sabia que poderia ser melhor pra mim. O que eu demorei a ver foi que EU, EU não estava sendo tão boa pra mim quanto eu poderia ser. Ou melhor, como eu deveria. Eu estava me reduzindo a nada, nadinha mesmo. A um zero a esquerda. Logo eu, que sempre fui uma pessoa de presença, de altivez: me reduzi ao menor que eu poderia ser. Eu me tornei um fantasma, aquela com quem ele estava mas jamais assumia. Eu me anulei.
Quando eu caí em mim da loucura que eu estava fazendo, eu decidi cair fora daquilo. Ele não se opôs. Na verdade, indiretamente me incentivou. A ausência dele, cada vez mais presente em minha vida, me mostrava o quanto a minha presença era insignificante na vida dele. E então eu fui embora, sem olhar pra trás. Eu precisava fazer algo por mim agora.
E foi então que eu aprendi que partir não dói, não. Que desistir não dói, não. O que dói é insistir em algo que não está dando certo, onde a única coisa que se tem é uma esperança que não se atinge.
Ir embora não dói. O que dói é ficar onde não há espaço pra você. O que dói é insistir naquela porta que não se abre, naquele amor que não se alcança.
Desapegar não dói. O que dói é se agarrar à dor achando que aquilo é amor.
Passar o sábado sozinha também não dói. O que dói é passar o sábado com alguém que não está com você.
A gente tem que parar com essa mania de achar que amor tem que ser doído, tem que ser batalhado. Tem não, viu. Amor é pra ser vivido a dois. Alimentado dos dois lados, senão definha. Se somente um ama, isso uma hora termina, inevitavelmente. E a gente não tem nem que insistir.
A gente tem é que parar de colocar reticências onde só cabe o ponto final.

Nat Medeiros

Fonte da Imagem: Pinterest

NÃO É POSSÍVEL SER FELIZ TODO DIA

 

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Se a boca fala do que o coração anda cheio, isso explica eu estar tão calada. Absorta em meus pensamentos, meus sentimentos fugiram e a única coisa que eu sinto é vazio. Um vazio que me preenche por completo e me deixa alheia de tudo. Absorta em meus pensamentos, eu corro e eu fujo, fujo daquilo tudo que um dia me poderá fazer sentir de novo. Absorta, em meus pensamentos, eu ignoro todos os chamados e crio justificativas para o meu isolamento.

Tá tudo tão igual, tá tudo tão normal que até as palavras me faltam. Eu só sei escrever quando eu vôo para longe. E eu ando pelos velhos lugares e me sinto um caso à parte. Falta um encaixe, o que sobra sou eu. Falta uma motivo, o que sobram são erros. Ou medos.

Os caminhos se parecem mais longos mas eles ainda são os mesmos. E eu ando sem saber onde quero chegar. E eu ando pelos lados desertos, mesmo sabendo quem eu quero encontrar. Eu sei o que devo fazer mas o fato é que eu vou pelo caminho contrário.

As verdades se tornaram metades que eu deixei pelo caminho enquanto procurava abrigo. Os sonhos se tornaram ilusões que se aliaram aos meus medos, se tornando realidade.

O ar se tornou tão pesado, intragável. Os sonhos se tornaram tão distantes, perigo. As lágrimas se tornaram tão comuns, companhia. Os sentimentos se tornaram tão gelados, anestesia. E eu que pensava em ser salva, nem penso mais. Todo dia.

 

Mas amanhã é um outro dia.

Nat Medeiros

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EU TE ODEIO POR TE AMAR

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Não me arrependo do tanto de mim que entreguei a ti, das declarações que te fiz, do amor que despejei em forma de textos, em forma de beijos, em forma de lágrimas.

Não me arrependo dos planos que criei sozinha aqui na minha mente. Me imaginava com você nos mais diversos lugares. Companhia, companheiro. Mas aos poucos fui vendo que existia apenas um lugar na sua vida que me cabia. E isso doeu em mim, lá na alma. Perfurou, dilacerou. Eu sangrei. Ninguém viu.

Não me arrependo de ter lutado por você quando você me pediu para eu desistir. Não me arrependo de ter lhe confiado a minha alma. Eu sempre senti que você valia a pena. Logo eu, que sempre fugia e desistia quando começava a me envolver. Com você eu fiquei. Eu fui além. Me atirei sem temer o precipício. Eu errei. Me quebrei.

Eu costurei meu coração só para poder continuar a te amar. Você não viu mas eu sei que sentiu que o meu sentimento era maior e além do gostar. No fundo, você não queria aceitar que eu te achava magnânimo demais, elevado demais, grandioso demais, diferente dos outros. Eu queria tanto que você se enxergasse da forma como eu te enxergava. Esse foi o meu maior fracasso. Você não queria aceitar o fato de que merecia ser amado. E talvez por isso você tenha quebrado o nosso acordo e me machucado. Assim você me daria motivos para eu sentir por você o que você sente por si mesmo: descrença. E agora é só isso o que sinto. Por você. Pelo mundo. Pelo tudo. Que hoje é nada.

Você também não viu, quando adormecia ao meu lado, que eu te olhava pedindo muito a Deus para que você não me machucasse um dia. Você não viu. Deus não me ouviu. O mundo não parou quando você jogou por terra tudo que nós éramos ou que eu imaginava que éramos. Somente eu perdi o chão. Me enchi dos sentimentos mais corrosivos que alguém poderia sentir, na tentativa de me desvencilhar. Acho que tudo teria sido mais fácil se você nunca tivesse existido. Mas eu não sei se sua inexistência seria de fato o melhor pra mim.

Eu te expulsei de todas as formas possíveis na esperança de te apagar, mas no fundo, bem lá no fundo, tive esperança de você voltar. Mas você não volta, mas você não volta, mas não volta e eu já nem sei mais como eu consigo me manter aqui de pé, fingindo não ter mais sentimento enquanto na verdade existe um sentimento a me dominar: eu te odeio, eu te odeio por te amar.

Nat Medeiros

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O TEMPO DO PERDÃO

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Decidir perdoar não é sinônimo de esquecer ou de ser indiferente àquela dor que nos foi causada. Às vezes, a gente quer sim a paz, a gente quer sim não mais lembrar, mas a mágoa ainda está ali e é questão de tempo que ela se vá.

E esse tempo não é o tempo do relógio, não é o tempo dos dias que se sucedem às noites, ou das estações que se revezam transformando as paisagens. O tempo necessário para curar uma ferida não é determinado, não tem prazos ou sinais de aviso. É um tempo imprevisível, que pode se arrastar por semanas, meses. Mas que às vezes, em uma bela manhã, a gente acorda e olha só, a mágoa não está mais ali!

Entendo que o tempo do perdão também depende de nós. Depende de que sigamos os nossos caminhos, cuidemos de nós mesmos e façamos novos planos. Precisamos aprender a ser protagonistas da nossa própria vida. Ressalto ainda, o tempo do perdão não ocorre de uma hora para a outra. Somos humanos, temos os nossos limites.

Eu decidi te perdoar por ter quebrado minhas expectativas, eu decidir me perdoar por tê-las criado, eu decidi esquecer o que nós dois poderíamos ter sido e não fomos. Eu decidi esquecer os planos que eu havia planejado, os sonhos que eu havia sonhado. Eu decidi que não vou mais lembrar das minhas verdades ou da sua mentira. Mas entenda que não é uma questão de decisão eu estar magoada ou não. A partir do momento em que você mentiu e não fez a mínima questão de se explicar, a sua indiferença me deu o direito de imaginar qualquer coisa a respeito do fato. E hoje eu penso absurdos e me apego às piores hipóteses porque eu preciso disso para não imaginar até onde nós dois teríamos ido se a verdade tivesse sido um princípio seu.

Enquanto o perdão não vem, eu me dou o direito de ser fria e alheia. Mas quando o perdão chegar, eu me darei o direito de acreditar em um outro alguém, em um outro amor. Eu vou fazer tudo certo de novo poque a minha índole não depende da sua e o meu comportamento correto não será afetado pelas suas atitudes tão incoerentes e egoístas. Eu sei que, nos momentos de dor, o Universo está me preparando para algo melhor.

Nat Medeiros

(Escritos de 2015)

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ELA É ROMÂNTICA

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Sei que não parece mas vou te contar uma coisa: ela é romântica. Ela é romântica do tipo que chora em filmes e sonha acordada. Ela é romântica a ponto de escrever de poesia a prosa, tudo isso para declarar um sentimento; mesmo que em silêncio. Ela é romântica do tipo que esconde tais fatos porque tudo que ela não quer é parecer ser vulnerável. Mas ela é.

Ela é daquelas que não se encaixa nessa modernidade líquida onde tudo é tão fugaz. Ela acha estranho essa tal de “pegação”. Não que ela seja melhor que ninguém mas o seu beijo não é objeto pra ser distribuído em micareta; o seu beijo é confissão. É no seu beijo que está o momento em que ela se entrega, o momento em que ela fecha os olhos para poder expandir o coração.

Ela acha estranho também a facilidade como as pessoas se desfazem umas das outras. Por isso, ela acaba criando armaduras para conseguir sobreviver. Ela tem cara de brava e as pessoas tendem a acreditar que ela realmente seja. Mas dentro dela há fragilidade. A frieza é só disfarce.

Parece bem resolvida e cheia de certezas, mas o seu lado sentimental sempre fala mais alto. E apesar de ter uma rotina quase que totalmente voltada para estudos e trabalho, ela realmente acha que o significado da vida quem dá é o amor. E mesmo com tantas coisas ruins nesse mundo, ela acredita na força desse sentimento. E é por acreditar que ela não desiste e segue firme, cheia de convicção.

Pode parecer paradoxo, mas casamento não é o seu objetivo. Ela não lida muito bem com as questões burocráticas da vida, escolhe viver o sentimento, sem a necessidade de documentá-lo. Um sentimento que pode ser eterno ou não, desde que seja verdadeiro, desde que a faça sonhar. Valoriza mais as coisas simples e subjetivas de um relacionamento e entende que a objetividade de um papel passado talvez não seja coisa feita pra uma mente tão aluada como a dela.

Como romântica que é, ela gosta de observar e analisar sentimentos. O que mais a  surpreende no amor é a falta de certezas. É não saber quando ele irá acontecer. E isso é o mais assustador também: não saber até onde ele irá nos levar. Ela realmente não sabe se acredita em amores eternos. Mas acredita que o amor transforma e nos impulsiona ao melhor que podemos ser e isso sim se torna eterno em nós.

Ela está aprendendo a não se envergonhar por ser sensível mesmo quando a realidade requer que ela aja cada vez mais de acordo com a razão. Ela é teimosa e nada contra a corrente se for preciso. Sabe e aceita que a sua essência não pode nem deve ser mudada. Ela é romântica mesmo quando o mundo lhe pede o contrário e aposta no amor a ponto de se entregar. Ela sabe que pode ser precipício, mas esconde um segredo: aprendeu a voar.

Nat Medeiros

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6 COISAS QUE APRENDI COM UMA DECEPÇÃO AMOROSA

Eu nunca gostei muito de matemática. Minha paixão sempre foi tudo aquilo que envolvesse palavras. E, desde muito cedo, entendi o significado da palavra dupla: são dois em uma parceria, duas pessoas se ajudando com um mesmo objetivo e, muitas vezes, se complementando. Na sala de aula, quando crianças, sempre nos deparávamos com um engraçadinho que perguntava ao professor quando o exercício era em dupla: “Dupla de dois???”, outro mais engraçadinho respondia: “Não, dupla de três, burro!”.

Pois então, isso me fez lembrar uma situação que vivi há um bom tempo… Eu não sei bem o momento em que aquele cara me conquistou. Nós morávamos em cidades diferentes e, pra ser sincera, nem me senti atraída por ele nos primeiros contatos, mas ele era tão atencioso, focado, determinado e parecia ser um menino tão família, que dei uma brecha pra nos conhecermos. Meu interesse foi surgindo quando eu percebi algo: ele demonstrava ter muito, mas muito interesse em mim. Mas talvez o momento em que me entreguei e que, consequentemente, me ferrei tenha sido quando ele sugeriu que eu me mudasse para a cidade dele. Eu ainda contra-argumentei: “Primeiro tenho que conseguir um emprego aí, não posso simplesmente ir do nada”. E então ele me disse a frase da qual nunca me esquecerei: “Linda, não se preocupe com isso, você vai morar comigo, nós seremos uma dupla de dois.”. Sei que ele falou “dupla de dois” propositalmente mas eu achei super bonitinho isso: o cara se esforçar por mim, se esforçar para que as coisas se tornassem possíveis entre nós.

Claro que também achei um pouco precipitado ele dizer isso mas ele parecia estar muito envolvido, então eu me deixei levar por aqueles planos. A gente conversava sobre tudo, família, trabalho, problemas. Até que um dia ele me falou dos seus relacionamentos, o último namoro de certa forma tinha o traumatizado, a menina o esnobava enquanto ele não media esforços para agradá-la. Um dia, ele decidiu colocar um ponto final naquilo: “E até hoje ela me procura mas não dou moral”. Não me preocupei porque, afinal, eles haviam terminado há mais de um ano e ele não dava moral (inocente).

Um belo final de semana, ele sumiu, e era a primeira vez em semanas que ele fazia isso. Eu me segurei na sexta, no sábado, e então no domingo resolvi arriscar: “Percebi que você se afastou, se quiser conversar…”. Eu praticamente lhe disse: “Me dê um fora mas não me deixe sem saber o que está acontecendo”. E ele deu; “Oi, minha ex quis voltar e resolvemos tentar…”.

Eu não fazia a mínima ideia de quem era essa ex. Mas mulher é mulher em qualquer lugar do planeta, sendo assim, eu resolvi stalkear. Não demorou muito para eu descobrir. Recentemente, ele havia adicionado uma menina no Facebook e no Instagram. A menina havia feito um comentário em uma foto dele (o comentário foi: “…”). Até aí tudo bem, mas o comentário dela (que se resumia em três pontinhos apenas) tinha quatro curtidas, QUATRO! Aí tinha. Pesquisando mais um pouco eu percebi que 110 semanas atrás ele tinha postado uma foto com essa mesma menina no Instagram. A foto estava lá embaixo e quase passou despercebida… Então constatei que ela era alguém do passado com quem ele estava retomando contato. Pronto, eu havia descoberto quem era a menina que virou a cabeça dele mesmo após um ano separados. E a notícia ruim: ela era uma morena linda, ou melhor, lindíssima. Então, na verdade, eu vi que nós dois não éramos uma dupla de dois…Desafiando a matemática, na realidade éramos uma dupla de três! Enfim, eu tinha agora que desencanar.

À noite, veio-me um pensamento: “Poxa, pela história que ele contou, essa menina parecia não merecê-lo e ele parecia ser simplesmente o cara mais legal que eu havia conhecido nos últimos anos… Eu ia mesmo deixá-lo sair assim da minha vida?” Eu nunca havia lutado por ninguém, nunca demonstrava meus sentimentos mas ele era diferente de todos os outros. Então, como aspirante à escritora que sou, eu lhe escrevi meus sentimentos, palavras confessas de forma completamente desnuda. Eu estava lutando por ele…”E, para finalizar, saiba que eu te admiro por tudo que você é e eu te quero muito, muito, bem.”. Acredito que ele tenha ficado um tanto surpreso e até balançado com tudo que lhe escrevi. Me respondeu no mesmo dia um texto extenso, profundo e muito atencioso. “(…) a distância entre nós dificultou tudo. Mas o mundo dá tantas voltas, quem sabe um dia ainda não haja uma oportunidade pra nós dois.”. E a oportunidade veio 14 dias depois: “O namoro não durou uma semana porque voltou pior do que já era. Não consigo parar de pensar em você. Como é que faz?”

Resolvi dar uma chance. Ele estava sendo sincero. Pelo menos era o que eu achava. O problema é que nessa época ele estava de mudança para um outro lugar e ficaríamos ainda mais distantes… Mesmo assim, a gente mantinha um contato diário. Todos os dias às 6 e 15 da manhã ele me mandava bom dia. E a gente só parava de se falar antes de dormir.

Um belo dia, percebi que ele tinha desativado o Facebook dele. Achei normal, eu fazia isso às vezes. Mas depois acabei percebendo que ele não havia deletado o seu Facebook não, ele na verdade tinha era me bloqueado. O que foi no mínimo estranho pois ele continuava conversando comigo o tempo todo e agora ainda queria me mandar a passagem para eu ir visitá-lo na cidade em que ele estava.

Fiquei em choque, mas resolvi colocar a situação às claras. Perguntei o porquê de ele ter me bloqueado. Mas ele bateu o pé dizendo que tinha deletado o perfil.

Eu vi que ele não ia assumir. Na verdade, muito acuado, ele nem fez questão de se explicar. Pedi que não me procurasse mais e foi exatamente isso que ele fez. Eu, óbvio, também nunca mais o procurei.

Mas não posso dizer que não sofri com isso. Sofri pela falta de explicações, por não saber o que tinha acontecido. “Talvez você nunca saiba o que houve”, disse uma amiga um dia. Realmente, era difícil eu saber. Ele e eu não tínhamos amigos em comum e estávamos a quilômetros de distância. Mas essa mesma amiga já tinha me dito há uns anos, em uma outra ocasião, que a verdade sempre aparece. E não sei porque eu senti que um dia a verdade acabaria se revelando.

Em buscas de respostas, eu continuava stalkeando a menina lá, a ex dele. E descobri que eles haviam deixado de se seguir no Instagram. Eu descobri pelo perfil dela, porque eu não o seguia e o perfil dele era trancado. Mas o fato de eles não se seguirem mais não me dizia muita coisa e a falta de respostas acabou fazendo com que eu fosse deixando isso pra lá…

Em uma bela segunda-feira, dois meses depois do nosso último contato, foi revelado um dos maiores mistérios que já rondaram minha vida. Estava eu deitada em minha cama quando me veio o pensamento: “Poxa, eu podia olhar o Instagram do fulano… Sei que é trancado mas… quem sabe?”.

Eu não sei descrever o que senti quando os meus olhos viram o perfil dele… Várias fotos acompanhado por uma loira. Fui no perfil da loira e a primeira foto deles no perfil dela datava de exatas dezesseis semanas atrás. Dezesseis semanas (ou quatro meses) atrás vivíamos o nosso auge (com ele me falando para morarmos juntos)! O pior não eram as fotos, o pior eram as declarações… E eu que pensei que ele estava namorando a morena (provavelmente não era namoro e sim um rolo), agora vi que na verdade ele sempre, sempre, estivera era com uma loira. Não éramos uma dupla de três, na verdade a matemática nunca havia sido tão desafiada e humilhada e nós formamos, ao que tudo indica, uma dupla de quatro! (E talvez até tenha sido por isso que a menina morena e ele deixaram de se seguir)…

Por fim, constatei que eu não havia sido enganada quando ele havia me bloqueado. Na realidade, eu estava sendo enganada desde o momento em que ele apareceu em minha vida. Aquele cara era um grande mentiroso!

Eu poderia dizer que sou uma azarada, que fui iludida, que foi uma baita sacanagem. Mas eu não vejo por esse lado e disso tudo sei que me ficaram grandes lições:

1. EU APRENDI A DEMONSTRAR MAIS OS MEUS SENTIMENTOS.

Na primeira vez em que ele se afastou eu engoli o meu orgulho, lhe mandei um e-mail e fiz questão de expor o que eu sentia. O final dessa história poderia me fazer pensar que não valeu a pena. Mas valeu sim, e muito. Pela primeira vez eu deixei um cara saber abertamente que eu estava completamente na dele. Isso por si só foi um desafio que eu venci, uma barreira superada. Ponto pra mim!

2. DEMONSTRAR ABERTAMENTE MEUS SENTIMENTOS ME DEIXOU TAMBÉM COM A SENSAÇÃO DE ISENÇÃO DE CULPA.

A gente não deu certo não foi porque eu fui fria, medrosa e durona. A gente não deu certo foi porque ele foi um babaca mesmo. E assim, livre, eu parto para a próxima com o coração em paz.

3. APRENDI QUE SEMPRE VAMOS NOS ESBARRAR COM PESSOAS QUE NÃO NOS MERECEM E QUE IRÃO NOS MACHUCAR DE ALGUMA FORMA.

Nesse caso, é preciso fazer duas coisas: primeiro, deixar que a vida te mostre quem é de fato aquela pessoa (sim, a vida sempre mostra, esta é uma Lei implacável). E quando a vida te mostrar, você terá uma coisa a fazer: deixe aquela pessoa ir. Não a culpe, não se prenda a ela. Talvez um dia ela se arrependa, talvez não. Talvez um dia ela pague o que fez com você, talvez não. Talvez essa pessoa já até esteja pagando (eu, sinceramente, acho que um cara que envolve duas ou mais mulheres ao mesmo tempo, em meio a mentiras, obviamente não é dos mais felizes ou bem resolvidos). O importante não é a pessoa, é você, é a sua vida e o que você pode fazer para se fazer feliz.

4. EU NÃO ME CULPEI EM NENHUM MOMENTO POR TER ACREDITADO NELE E TER DADO O MELHOR DE MIM.

Não se culpe também. Por favor, não se culpe por ter se entregado tanto e ter sido tão verdadeira. Não o culpe por ele ter atuado tanto e ter sido tão egoísta. Não encare isso como um atestado de condição de sofrimento. Encare isso como fatos: fatos que mostram que vocês dois são bem diferentes.

5. ÀS VEZES, NÓS MULHERES, TEMOS A MANIA DE OLHAR PARA OS RELACIONAMENTOS ALHEIOS E NOS ACHAR AZARADAS NO AMOR.

Mas pense: se você se decepcionou é porque você acabou descobrindo a verdade em relação a algo. Como disse Chico Xavier: “A desilusão é a visita da verdade”. Eu, por exemplo, poderia estar agora ainda iludida, achando que duplas sempre são formadas por duas pessoas, mas descobri que, às vezes elas são formadas até por quatro, rsrs. Acho que mais azarado é quem está lá naquele relacionamento, acreditando que o cara realmente vale a pena.

6. POR FIM, JÁ DIZIA O AUTOR: “SEMPRE HÁ OUTRAS PESSOAS, OUTRAS POSSIBILIDADES”.

Permita-se escrever uma nova história. E escreva-a de coração aberto. Não traga medos e traumas do passado para uma nova história (ou ao menos tente não trazer). Traga somente aprendizados. Cada história de amor deve ser iniciada sem pesos. Caso contrário, é muito provável que não dê certo.

Vou dizer que não tenho medo quando conheço um novo alguém? Não, eu sou humana e tenho medo pra caramba! Mas eu vou de verdade. Eu coloco as minhas fichas, eu coloco o meu coração. Se não der certo, eu já aprendi que o coração talvez seja o órgão que se regenere mais rápido. E, mesmo que eu me machuque, eu sei que o alívio um dia virá. Assim, não evito que um dia eu vá sofrer de novo mas sei que aumento a probabilidade de felicidade.

Acima de tudo, lembre-se: a vida não é feita de certezas e sim, de tentativas. E quem não tenta, está minimizando as suas chances de ser feliz! Então não pense em outra alternativa que não seja: TENTAR! Tente!

 

Nat Medeiros

Publicado originalmente em: Superela

SILÊNCIOS QUE FALAM

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Há momentos em que falar não adianta, a comunicação expressa não funciona, as palavras nos fogem, se tornam insuficientes para sanar problemas, promover paz, aproximar. Ao contrário, elas se perdem nelas mesmas, se tornam armas ou escudos que afastam. Há momentos em que só o silêncio pode falar por nós.

Na ânsia de não deixarmos nada mal resolvido, sempre recorremos às palavras pois, de fato, elas são a forma mais imediata de resolvermos situações. Falar o que sente, pedir perdão, expor medos… Isso tudo pode curar. Mas há um momento, sempre há um momento, em que tudo isso já foi usado e já não adianta mais verbalizar culpas, desculpas, declarações, sentimentos ou decepções. É aquele momento em que você escuta mil vezes a mesma música e acaba por entender que está na hora de silenciar o som, silenciar o tom. Deixar o silêncio agir porque o silêncio pode curar. Reencontrar a fonte, a voz interior que ficou o tempo todo calada enquanto todas as palavras eram faladas.

Eu aprendi o quanto foi importante desnudar a minha alma e expor os meus sentimentos quando eu os sentia. Mas agora o momento já é outro, e eu começo a entender o quanto é importante eu expor meus sentimentos a mim mesma. Há quanto tempo estive fora de mim? Estou sendo composta por silêncios, silêncios que falam com a alma, que falam com os sonhos, que falam com os medos e que curam o coração. Já não há mais urgências… Eu sinto o silêncio aqui dentro me invadir lentamente como as ondas de um oceano pacífico. Após um logo tempo de turbulências, eu atravesso a tempestade e me sinto em paz.

Nat Medeiros

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