PALAVRAS PARA AQUELA MOÇA DO CORAÇÃO PARTIDO

coração partido - fim de relacionamento

Eu queria te dizer, moça, que embora eu não sinta sua dor, tenho ideia do quanto ela te abate, do quanto ela te tira a vontade de seguir, do quanto ela te deixa descrente, do quanto ela cala seus olhos.

Mas eu também queria te dizer que, embora isso doa muito, tudo se trata de um momento. E momentos passam. Tanto os bons quanto os ruins. Sei que parece que não vai passar, e parece que você não vai voltar a acreditar em romances verdadeiros, mas, ainda assim, eu garanto que passa.

triste gif

Só não me pergunte o tempo exato, coração não tem dessas coisas… Coração não segue nem sinais de aviso, por que mesmo seguiria o tic-tac de um relógio? Não se afobe, não…

relógio gif

Você permitiu-se sentir o amor. Permita-se também que agora doe. Não se culpe pela lágrima que cai ou pelo coração que aperta. Não se culpe por ser intensa e muito menos por ter sido verdadeira e ter tentado até onde deu. Às vezes, demoramos a pular do barco, esperamos até o último minuto, mas pecado maior seria nem ter embarcado em uma história que te trouxe momentos felizes e que trouxe e está trazendo aprendizados. Você cresceu.

Sei que, às vezes, você vai pensar que não haverá mais ninguém nesse mundo capaz de te encantar novamente. E eu não vou garantir que isso vá acontecer. Mas as possibilidades são grandes, sabe. Alguém uma vez disse, que no mundo há pelo menos dez mil pessoas por quem poderíamos nos apaixonar. É tudo uma questão de oportunidade. E um pouco de sorte também… Uma esquina cruzada no mesmo momento, um amigo em comum, um olhar no meio da multidão e pronto: ali pode nascer uma nova paixão, um novo sentido para o seu caminho.

Mas eu também sei que, agora, nada disso te importa muito, porque sua dor está latente, porque o céu parece estar sempre cinza e seus amigos já não têm a mesma graça. Os filmes já não são tão interessantes, os programas sociais então, nem se fala. Tudo lá fora perdeu um pouco de cor, mas isso é porque a transformação está acontecendo dentro de você. O que há de importante agora está aí dentro. Você está sendo lapidada, moça. Qualquer dia desses você vai levantar da cama e perceber o quanto você ainda tem para viver. E dentro de você vai ter Sol, mesmo que chova. E dentro de você vai ter Luz, mesmo que as luzes do seu quarto estejam apagadas. E dentro de você vai ter muito amor, mesmo que você não esteja acompanhada por um outro alguém. Porque você vai estar acompanhada de si mesma. As decepções vão ocorrer até que esse dia finalmente chegue: o dia em que você vai descobrir que é a melhor companhia para si mesma. E a partir daí, então, tudo será mágico, porque o amor não vai ser dependência. O amor vai ser aquilo que vai te transbordar.

Eu sei porque eu também já passei por isso, moça. Já tive o coração partido.

 

Fonte das imagens: https://br.pinterest.com/

Nat Medeiros

Postagem Original: Superela

 

SOBRE RELACIONAMENTOS E TINDER

relacionamentos e tinder

 

No livro de Gabriel García Marquez, “O Amor nos Tempos do Cólera”, é narrada uma história de um amor proibido que resiste por 50 anos em meio a preconceitos, envelhecimento, acontecimentos históricos, doenças e costumes da época.

Penso nessa história, que muitos dirão que só acontece em livros, e me lembro imediatamente da história da minha avó. A minha avó fez 103 em 2016. Ela é viúva e mãe de 9 filhos. O marido dela, meu avô, faleceu anos antes do meu nascimento. Não o conheci e ela nunca falou muito sobre ele.

Quando vou visitá-la e pergunto como ela está, ela responde sem titubear: “Tô boa pra morrer. Quero morrer logo para encontrar com Preto.”

Preto não é o meu avô. Preto foi o primeiro marido da minha avó, eles se casaram quando ela tinha por volta de 20 anos. Logo após isso, ele morreu devido a problemas cardíacos. Eles nunca tiveram filhos. Tempos depois a minha avó conheceu o meu avô e se casaram.

Mas nem o segundo casamento, nem quase oito décadas, foram capazes de fazer a minha avó esquecer o seu primeiro marido, que foi o amor da sua vida. E hoje, findando a sua vida e sua missão, ela ainda espera pelo reencontro.

Pensando em tudo isso, eu vejo o quanto os relacionamentos hoje dificilmente perduram e sobrevivem. Conhecemos pessoas, muitas das vezes, através de redes sociais ou aplicativos que oferecem cardápios humanos com infinitas opções. Opções que apenas precedem outras, ou seja, analisamos um perfil já pensando no próximo.

Na esperança de sempre encontrar alguém melhor, a gente não experimenta o melhor de ninguém. Nos mantemos na superfície rasa de tantas opções. Nos limitamos a apenas clicar no x ou no coração e fazer as mesmas perguntas de sempre.

gif tinder

Se não quisermos levar pra frente, basta não mais responder, nunca foi tão fácil dispensar alguém. Mas a verdade é que nunca foi tão difícil conversar profundamente com alguém. Porque, em tempos do Tinder, enquanto a gente está conhecendo alguém, a verdade é clara: essa pessoa também está conversando vááárias com outras.

gif tinder

E, matematicamente, é impossível conhecer a fundo alguém ao mesmo tempo em que se está conhecendo outras dez. E se a gente se envolve e percebe que o outro não cessa a procura, é difícil levar isso adiante. Dá medo, dá insegurança. É melhor partir para o próximo perfil. E isso vai virando hábito e ciclo vicioso. As relações se tornam superficiais e aos poucos a gente vai se esquecendo do verdadeiro sentido da palavra “relacionar”. E a gente esquece também da descrição do verbo “compartilhar”: partilhar algo com alguém. Compartilhamos fotos e informações no Facebook mas estamos desaprendendo a compartilhar sonhos, planos, vida íntima, mundo interno. Talvez seja mesmo o paradoxo da era atual: nunca foi tão fácil fazer contato com alguém, mas nunca foi tão difícil conhecer alguém. É o preço que se paga pela “evolução”.

Mas acredito que a sede de afeto e carinho ainda existam, fazem parte da natureza humana. Talvez essas necessidades só estejam disfarçadas, reprimidas, enquanto estamos deslumbrados com um mundo virtual e inatingível. Por mais modernos que sejamos, os toques e conversas fora das telas permanecem sendo os mais calorosos. Afinal, o que mais nos diferencia das máquinas é a nossa capacidade de sentir.

gif casal dançando

Nat Medeiros

Fonte das Imagens: Pinterest