O MELHOR DA VIDA ACONTECE OFFLINE

 

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“O melhor da vida acontece offline”, li em algum lugar e concordei. Essa é uma verdade atual e o offline tem sido cada vez mais raro… Eu comecei a tomar consciência disso no final de 2012, quando um professor na faculdade disse: “Eu não entro mais na internet, eu só não saio mais dela”. Ri muito na hora, concordei, me vi na mesma situação mas somente hoje eu percebo o quanto isso é prejudicial…

Há algum tempo comecei a me sentir sufocada com os aplicativos e redes sociais. Não que eu me considere a mulher mais ocupada do mundo mas como todo ser adulto eu tenho uma infinidade de atividades para dar conta diariamente: trabalho, estudo, escrevo, tenho filmes e séries para assistir, livros pra ler, amigos para encontrar, açaís para tomar mas dentre todas essas atividades sempre tinha: ou um e-mail para checar, ou uma mensagem para responder, uma conversa para opinar, um áudio para ouvir, um vídeo para ver. Não me considero viciada em smartphone mas era questão de lógica: o dia é composto por 24 horas, dessas eu durmo sete e para dar conta de tudo que eu me propus nas demais horas, eu teria que abrir mão de algo. E eu decidi me desligar um pouco das redes sociais e aplicativos. Sem radicalismos, decidi apenas controlar o tempo de uso, escolher bem em quê e como iria gastá-lo. Porque a verdade é antiga e clara: não se pode ter tudo. A cada vídeo assistido, a cada áudio ouvido, a cada conversa virtual jogada fora, eu perdia: a chance de uma conversa mais próxima, o olho no olho, a pele na pele, um minuto de meditação ou a leitura de mais uma página do livro que eu comprei pela internet e esperei dias para chegar.

Para contornar a situação, criei regras; Whatsapp pra mim seria apenas uma ferramenta para: resolver algum problema (como avisar sobre algum atraso) ou marcar de encontrar os meus amigos. A única exceção que abri foram as conversas com meus amigos que moravam em outra cidade, visto que eu não tinha possibilidades de encontrá-los. Áudios enviados em grupo? Não ouvia. Vídeos? Não assistia. A verdade é que não precisamos saber quem traiu quem, quem matou quem, quem fez piada de quem. A maioria dos vídeos eram desnecessários e pouco acrescentavam. Na realidade, muito deles eram apenas uma forma de expor pessoas em situações nada agradáveis: acidentes, traições, brigas, ridicularização, ou crianças com falas ensaiadas para fazer “sucesso”…

Diante disso, teve até um fato engraçado que aconteceu comigo: um amigo meu que está morando no Maranhão me mandou um vídeo. Não baixei porque pensei que fosse algo relacionado a futebol, visto que torcemos para times rivais e o meu time tinha acabado de sofrer uma derrota. Então, uma semana depois ele me ligou, cobrando que eu baixasse e assistisse o vídeo: “Assiste lá depois, o vídeo é um convite”. Era o convite de casamento dele. Fiquei felicíssima com a notícia e com o fato de ele ter me ligado para falar. Porque o que ele me mostrou com isso é que eu era mais do que um contato no seu Whatsapp, eu era mesmo sua amiga.

Rodeados de tecnologias e redes sociais, hoje o desafio não é lutar por quinze minutos de fama e sim lutar por quinze minutos de anonimato. Todos nós nos tornamos memes em potencial. Se eu virar a esquina e tomar uma queda, cair na lama e me sujar, eu rezo para que a mão estendida seja para me ajudar a levantar e não para me fotografar. Se um dia eu voltar a me apaixonar eu quero ouvir a voz dele no meu ouvido e não no áudio reproduzido. E confesso, vou gostar de ter uma foto dele no celular, guardada para olhar no meio da minha tarde agitada mas nada vai se comparar ao momento face a face, em que ele estiver conversando e eu perceber que ele tem uma pintinha discreta no canto da boca ou quem sabe, uma imperfeição na sobrancelha. E talvez eu até confesse os meus sentimentos por mensagem, mas aquilo que eu mais sentir eu vou falar enquanto eu olho os seus olhos, com a internet offline… O que se passa no nosso celular não se compara ao que vem de dentro da gente. A tecnologia está aí, facilita muito a vida mas precisamos delimitar seu uso e não deixar que ela seja a NOSSA vida. Até porque existe algo bem óbvio para ilustrar isso: pense nos melhores momentos da sua vida. Em quantos dele você estava com o celular na mão? Pense nas suas melhores sensações, você precisa de um celular para senti-las? O toque do vento, o barulho do mar, um beijo que muito se deseja, um reencontro, uma conquista profissional, provar o melhor açaí do mundo, se aventurar na montanha-russa…

Smartphone nenhum, aplicativo nenhum são capazes nos dar a grandeza de tais sensações. Permita-se usar a tecnologia mas não permita que ela ocupe todos os espaços da sua vida. Não deixe que o amigo se torne apenas um contato no Whatsapp. Não deixe que o Amor só valha se estiver estampado por “Em um relacionamento sério” no Facebook. Não deixe que uma situação só seja válida se for traduzida em hashtags. Não deixe que a vida se resuma a apenas àquilo que for publicado. Eu acho que sim, estamos extrapolando os limites do bom senso mas eu tenho a absoluta certeza de que o controle ainda está em nossas mãos. Deixe um pouco o smartphone de lado e seja muito mais do que aquela sua foto do perfil na rede social até porque a sua presença vai muito além de um check-in.

Nat Medeiros

Publicado Originalmente em: Superela

Fonte da Imagem: https://br.pinterest.com/

 

 

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O PAPEL DE TROUXA

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Em 2015 nós vimos a ascensão do papel de trouxa. Muito se falou nessa figura que é tida como aquela que sempre dá mal em suas relações…

Se você, quando está interessado em alguém, costuma se envolver (geralmente mais do que o outro), responde rapidamente as mensagens, espera a resposta, muitas vezes demorada, e costuma deixar o outro seguro enquanto o outro só vai te deixando mais inseguro, parabéns, você já exerceu esse papel. Você passa por cima de algumas coisas que aquela pessoa faz, finge que não viu e se é você que termina tudo foi só porque o outro não te deu outras alternativas a não ser seguir.

O profissional trouxa é dedicado. Quando se candidata à uma “vaga” faz daquilo uma prioridade. Ele cuida bem do que quer, está disponível quase sempre (ou sempre), bate cartão pontualmente. Mesmo sem querer, ele acaba demonstrando que está mais envolvido: mesmo nas brigas ele é sempre o que digita mais. Hahaha

Sim, ser trouxa pode estar relacionado com falta de amor próprio mas também pode ser simplesmente porque você está mais interessado do que o outro. Se for falta de amor próprio, você deverá trabalhar isso (um longo processo mas não desista). Primeiro se valorizar, depois valorizar o outro, essa é a regra que vale a pena seguir em qualquer ocasião.

Mas se você vem fazendo papel de trouxa, não se culpe por completo. Tudo tem o seu lado bom e até ser trouxa tem. É melhor perder alguém sabendo que você deu o seu melhor do que ficar com aquela sensação de que você não fez o bastante. Pense bem: você demonstrou para o(a) Fulano(a) suas intenções, talvez seus sentimentos, foi disponível, o(a) deixou seguro(a), deu o seu melhor. Só que Fulano(a) não correspondeu a isso, ao seu melhor. E veja bem: relacionamentos são feitos para partilharmos vidas e caminhar juntos em busca do melhor que podemos ser. Se Fulano(a) não correspondeu a isso, será se valeria a pena dar uma de durona (durão), maquiar sentimentos e endurecer o coração só para quem sabe atraí-lo(a)? Se uma pessoa não se interessa pelo seu melhor, valeria a pena ir em busca do seu pior para tentar deixar aquela pessoa interessada? Não posso responder por você mas creio que tenha me entendido…

O lado bom de ser trouxa é que você está exercitando o seu melhor, você está apostando nos sentimentos quando o mundo hoje valoriza quantidade, rotatividade, descartabilidade. Ser trouxa é também se permitir sentir o que está se passando dentro do seu coração e acreditar nesse sentimento. A questão é: não exercite esse papel com uma pessoa por muito tempo. Percebeu que está se dando demais e recebendo de menos: caia fora. Dar murro em ponta de faca só vai te trazer mais dor. Não queira ser aquela pessoa que vai ficar de joelhos no altar em frente a uma multidão, esperando o (a) noivo (a) aparecer. Observe os indícios que o outro está te dando e aceite isso. É melhor sofrer agora do que sofrer depois.

Com o tempo, o seu coração vai se regenerar. Você vai voltar a acreditar no amor e perceber que valorizar o outro nunca é errado, o errado é desvalorizar a si mesmo. E se eu pudesse te desejar algo eu não desejaria que você deixasse de exercer o seu papel de trouxa mas sim que você encontre alguém que esteja ao seu lado e exerça esse papel junto com você. Alguém que demonstre te merecer, alguém que enfrente medos com você, alguém que te responda rápido e te beije devagar, alguém que não opte estar com você depois sendo que pode estar com você agora. Alguém que te faça prioridade, Plano A, não Plano B!

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Nat Medeiros

Fonte das Imagens: https://br.pinterest.com/pin/474144666997041399/

 

 

SOL E LUA

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Ela é Sol…

Não desses Sóis que brilham, ofuscam e cegam.

Ela é um Sol que ilumina porque compartilha a sua luz

Ela é um Sol que aquece, e quando está perto eu me aqueço também.

 

Ela me surpreende pela coragem justamente no momento em que eu tenho medo

Ela me surpreende pelo medo exatamente no momento em que eu tenho coragem.

 

Como fazer o dia encontrar a noite?

Como fazer o Sol encontrar a Lua?

 

Só mesmo naqueles raros momentos que duram pouco mais que um segundo

Há a hora exata de começar, a hora exata de acabar

E no entanto, mesmo durante a noite, a sua luz continua em mim…

 

Entre nós, relógios e estradas

Entre nós, segundos e semanas

 

Depois de um tempo na escuridão, a gente sempre quer que o Sol fique um pouco mais

Que a luz ilumine e aqueça sem o limite do tempo

Mas, inevitavelmente, o Sol precisa iluminar outros lugares

A noite vem outra vez mas a Lua agora está na fase em que se ilumina

Eu me ilumino com o que consegue ficar mesmo na distância…

Eu me ilumino com o que ela me passou na presença.

 

Enquanto o Sol se vai, a Lua permanece

Enquanto a Lua se esconde, o Sol transcende

Parece impossível e talvez o seja realmente

Mas há algo que ninguém sabe:

Sol e Lua têm o mesmo nome

 

Nat Medeiros