SILÊNCIOS QUE FALAM

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Há momentos em que falar não adianta, a comunicação expressa não funciona, as palavras nos fogem, se tornam insuficientes para sanar problemas, promover paz, aproximar. Ao contrário, elas se perdem nelas mesmas, se tornam armas ou escudos que afastam. Há momentos em que só o silêncio pode falar por nós.

Na ânsia de não deixarmos nada mal resolvido, sempre recorremos às palavras pois, de fato, elas são a forma mais imediata de resolvermos situações. Falar o que sente, pedir perdão, expor medos… Isso tudo pode curar. Mas há um momento, sempre há um momento, em que tudo isso já foi usado e já não adianta mais verbalizar culpas, desculpas, declarações, sentimentos ou decepções. É aquele momento em que você escuta mil vezes a mesma música e acaba por entender que está na hora de silenciar o som, silenciar o tom. Deixar o silêncio agir porque o silêncio pode curar. Reencontrar a fonte, a voz interior que ficou o tempo todo calada enquanto todas as palavras eram faladas.

Eu aprendi o quanto foi importante desnudar a minha alma e expor os meus sentimentos quando eu os sentia. Mas agora o momento já é outro, e eu começo a entender o quanto é importante eu expor meus sentimentos a mim mesma. Há quanto tempo estive fora de mim? Estou sendo composta por silêncios, silêncios que falam com a alma, que falam com os sonhos, que falam com os medos e que curam o coração. Já não há mais urgências… Eu sinto o silêncio aqui dentro me invadir lentamente como as ondas de um oceano pacífico. Após um logo tempo de turbulências, eu atravesso a tempestade e me sinto em paz.

Nat Medeiros

Fonte da Imagem: Pinterest

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VOCÊ VOLTOU TARDE DEMAIS

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Você voltou tarde demais. Pensei nesse domingo, comigo mesma, quando você, mais uma vez tentou uma reaproximação, só que desta vez mais direta.

Você voltou. E você voltou  tão tarde que já há um tempo eu te via apenas como amigo, a ponto até de te contar em um dia desses as as dores que vivi com um outro alguém…

Mas você viveu comigo momentos intensos e talvez por isso você ainda acreditasse que suas tentativas de reaproximação seriam possíveis de se concretizarem. Te prometi meu mundo e te dei. Te prometi minha alma e te dei. Te prometi meu coração e te dei. Eu fui toda sua. Apenas sua. Completamente sua. Então, diante das minhas entregas, acredito que você realmente achou que me teria pra sempre, mesmo após o descaso que teve para comigo tempos atrás. Mesmo após você ter se encontrado nos braços de outra moça durante ou antes o nosso término.

Passei noites em claro me perguntando o porquê. Passei noites em claro te imaginando com ela. Passei noites em claro olhando o seu Facebook e te vendo usar ao lado dela a blusa que eu havia te dado dias atrás. E o que constatei? Que eu não mais o amava. Mas confesso que aquilo me feria. Pois há pouco mais de duas semanas você estava na minha casa dizendo que sentia amor por mim. E eu fiquei perplexa com a capacidade de dissimulação do ser humano.

Ainda sofri por uns dias. Não muitos, esclareço, porque você havia me decepcionado. E a melhor forma de deixar de amar alguém é quando percebemos que aquele alguém era uma farsa. Em seguida, vivi os melhores meses da minha vida. Descobri o que era deitar a cabeça no travesseiro e não ter que me preocupar se você estava mesmo em casa, se você estava mesmo trabalhando, se você estava mesmo com a sua família. Porque o fato é que desde o início eu sempre me senti insegura com você; suas mentiras disfarçadas de verdade eram constantes, no fundo eu já sabia mas não queria acreditar.

Então, após um ano e meio nesse namoro, eu pude finalmente experimentar a paz. Só houve um momento em que eu pensei em você após o término: “Vocês já estavam juntos antes do nosso fim. E ela sabia que você era comprometido. Como ela teria a tranquilidade de saber que você não faria com ela o mesmo que fez comigo?”. Mas isso era o tipo de pergunta que apenas a Vida poderia responder. Talvez no mês seguinte ou apenas anos depois…

Segui o meu caminho, ampliei meus horizontes. Só após o fim eu pude perceber o quanto aquelas cordas amarradas em meus pulsos me feriam. Mas eu, naquela época, apegada, acreditava que necessitava delas. Achava que amor era apego. Achava que amor era dependência. Foi só o fim que me permitiu enxergar que o amor estava longe de ser aquela dor e prisão que eu vinha vivendo. Os meses seguintes foram os melhores da minha vida. Definitivamente. Reinventei-me, me redescobri e voltei a ser a garota mais animada e engraçada da turma de amigos. Essa era a minha essência. E você e nosso falso amor, quase a destruíram.

Vocês dois continuaram juntos mas então, tempos depois, aparece você com o coração na mão me pedindo minha alma e meu mundo novamente em sua vida. Mas agora eu já era minha. E eu me amava como nunca cheguei a te amar. Você bateu à minha porta. Mas você voltou tarde demais.

Nat Medeiros

 

O FIM É O RECOMEÇO

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O tempo passou e anunciou o final

De nós dois eu não tenho mais o que esperar

 

Eu decidi que vou manter na memória somente os melhores momentos

Eu aceito o final mas não é nele que eu penso quando fecho os olhos

Eu aceito esse frio mas não é nele que eu penso enquanto ardo

Eu aceito o seu silêncio mas não é ele que escuto enquanto viajo

Sim, simplesmente fim…

Mas se nem mesmo o começo é eterno. Por que seria eterno o final?

O fim é o que vem antes do recomeço

O recomeço é o que vem antes de um novo lugar

Andando em passos lentos, eu sei que agora esqueço

Esqueço o que não deu certo, e guardo apenas o bem dentro de mim

Andando em passos lentos, eu sei que agora sou livre

Estou começando um novo começo

Estou cada vez mais distante do fim.

 

Nat Medeiros

Fonte da Imagem: Pinterest

EU ESTOU SOLTEIRA PORQUE ACREDITO NO AMOR

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Estou solteira porque acredito no amor. E eu sei que isso pode parecer um tanto contraditório. Mas calma e senta que eu te explico.Também quero deixar claro que não estou querendo dizer que quem está namorando ou compromissado não acredite no amor. Só estou dizendo que eu, Natália, me encontro solteira porque acredito no amor…

Estar solteiro nem sempre é uma escolha. Eu já estive solteira mesmo querendo o contrário. Mas a vida é isso, querer e nem sempre ter. Só que hoje, após tantas situações, eu escolhi não estar em um relacionamento apenas por estar; e escolhi isso com toda a minha alma e coração.

Quando o cara não me tratou com respeito, eu escolhi ficar solteira porque eu acreditava no amor e eu sabia que amor não era aquilo. Quando o cara me proibiu de viver, eu escolhi estar solteira porque eu acreditava no amor e o amor não era aquilo. Quando o cara falou demais de si e não quis me ouvir, quando o cara falou de menos e omitiu que tinha uma namorada ou um outro alguém em sua vida… Em inúmero casos, eu escolhi estar solteira porque eu acreditei que o amor estava longe de ser aquilo.

Acontece que muitas vezes nos acostumamos com migalhas, com relacionamentos ruins, traições e descaso e achamos que sacrifício é amor. Aceitamos qualquer coisa que nos oferecem e esquecemos do nosso valor. Não acho que a gente domine nossos sentimentos mas já dizia Nina Simone: “Você tem que aprender a levantar-se da mesa quando o amor não está mais sendo servido.”. Nós temos toda e total capacidade de fugir das ciladas disfarçadas de “Amor”. Na verdade, nós temos mais que a capacidade de fazê-lo. Nós temos é a obrigação. Somos responsáveis por nossas escolhas e decisões. E são elas que nos levarão ao local desejado ou a lugar nenhum.

Há algum tempo, eu me apaixonei. Me apaixonei de ficar sonhando acordada e escrever poesias. Paixão é tórrida, uma coisa meio urgente, algo que não sabe esperar. Paixão é igual criança: quer porque quer, deita no chão e esperneia. Eu não tinha olhos pra mais ninguém, essa era a verdade. E eu não tinha como mudar esse sentimento. Fugir do que eu estava sentindo era como fugir de mim mesma. Só que há algo muito bom na paixão: ela por si só é fugaz. O véu da ilusão sempre cai. Paixão é um fogo que não se sustenta sozinho. Ou se transforma em amor ou acaba. Se transforma em amor quando há reciprocidade, conquista contínua, respeito e admiração por quem está ao nosso lado. Mas se o respeito acaba, se a conquista se torna falha, se os argumentos se tornam fracos… Até o desejo diminui. A paixão é frágil porque não é construída em cima de alicerces sólidos e sim em cima de desejo, atração, situação… E tudo isso é efêmero. E como é!

O meu coração foi desapaixonando dessa tal pessoa (situação vivida em 2015). Nada mais naquela “relação” me fazia suspirar. O prato que antes me atraía já não mais me era servido. E eu resolvi me afastar daquilo porque eu acreditava no amor e eu sabia que aquilo que eu estava vivendo e sentindo estava longe de ser amor. Era dor, carência e apego. E então eu optei mais uma vez por ficar solteira. Fácil não foi, mas foi o que me permitiu cair fora de algo ilusório.

Por ser uma romântica e acreditar no amor, eu tenho me tornado mais exigente. Amor não sobrevive e nunca sobreviveu à falta de consideração, de interesse real na vida do outro e muito menos à falta de respeito. Amor não nasce de conversa vazia nem de sumiços seguidos de aparecimentos repentinos. O amor está na constância. Para haver Amor também é preciso sintonia e admiração por quem está ao nosso lado. É preciso ser amigo, parceiro, companheiro. Não que eu exija um tipo específico de pessoa para amar. Muito pelo contrário, eu quero mais é que a vida me surpreenda. Mas eu exijo que para estar ao meu lado, o outro esteja não só disposto a receber mas a oferecer também.

Então, quando alguma tia, algum colega ou quem quer que seja me diz: “Nossa, Natália, você é tão interessante, inteligente, legal, bonita… Por que está solteira?”. Eu apenas respondo: EU ESTOU SOLTEIRA PORQUE ACREDITO NO AMOR. E assim permanecerei até que um dia apareça aquele um que faça meu coração acelerar, e as pupilas dilatarem e que sobretudo decida ficar. Até que apareça aquele um com quem eu vou ter tanta sintonia e papo que o relógio perderá a sua utilidade quando estivermos juntos. Até que apareça aquele um que queira receber o tanto que eu tenho a doar mas que esteja disposto a se doar também, inteiramente, com seus defeitos, medos, qualidades e essência. Corpo com Corpo. Mente com Mente. Alma com Alma. Coração com Coração.

Mas enquanto ele não vem, eu sigo solteira. E eu sigo solteira porque eu acredito no amor.

Nat Medeiros

Fonte da Imagem: Pinterest

 

AQUELA MOÇA ERA INTENSA

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O que mais me assusta e o que mais me fascina nela é essa capacidade de sentir, se entregar, se liquidar de tantos sentimentos; depois se tornar cinzas, quase morrer e conseguir renascer querendo amar de novo. Querendo amar de novo, ressalto.

Ela é do tipo que não sente, transborda; não sofre, dilacera. Eu já a vi sangrar por causa de um amor não correspondido. Sim, ela quase morreu e ficou uns bons dias fora de si. Fez da cama a sua morada e das lágrimas, a sua companhia. Nós, os amigos, apenas pensávamos: “Chama a polícia, chama o Samu”. E realmente chamamos, mas ela os expulsou com belíssimos xingamentos, nos colocou para correr e se entregou à solidão. Achei que nunca mais a veria porque eu sei que um amor fracassado pode destruir vidas.

Ela esteve a um passo da loucura e eu realmente achei que ela não iria se recuperar tão cedo. Até os olhos dela estavam desnorteados. Ela mergulhou na emoção e perdeu a razão. Eu olhava pra ela e via ali uma mulher que se tornara menina porque perdeu o seu brinquedo favorito para a garota boazinha. Ficou fora de si, longe de mim. Perdeu o controle da situação, depois se encheu de raiva e foi parar na delegacia reivindicando o coração que lhe roubaram e partiram.

Mas passado alguns dias lá estava ela, um pouco mais triste mas muito mais forte e querendo amar de novo. E cada vez que sentia, se entregava à situação como se precisasse daquilo como o ar que tragava. E aquele cara seria o último, seria o primeiro que ela amava tanto, e eu não tenho dúvidas de que ele seria o único daqui até a eternidade. Somente ele existia pra ela, os do passado agora eram poeira. E ela demorava demonstrar o que sentia, mas quando demonstrava era do dia pra noite, em um texto visceral, escrito com lágrimas, sangue e rendição. Uma tempestade. Através de palavras escritas, ela não deixava dúvidas de que estava se rendendo, entregando seu mundo, seus pensamentos e sua alma ao escolhido. E ela não era vã, nem inconstante. Tudo isso era real. Tudo isso era eterno. Ela almejava o “Pra sempre” com ele nesta vida e na próxima também. Mas se acontecia de não dar certo, lá ia ela visitar o inferno das emoções novamente. E geralmente não dava certo. Não sei se é porque a sua intensidade assustava ou se era simplesmente porque as pessoas temiam ser amadas de forma tão intensa…

Mas aqueles textos ficavam. E eu acredito que aqueles caras eram sortudos por recebê-los… E eu duvido que eles receberiam algo semelhante algum dia na vida. Feito pra eles, com o pensamento neles, com a alma entregue, de uma forma tão profunda e cortante. Ela marcava suas vidas antes de dizer adeus.

Ela tinha o dom de fazer o seu escolhido se sentir único e etéreo, eterno na vida dela. Mas quando ela sentia que aquilo não era correspondido, ela pegava a sua mala e ia embora. Com uma chuva em seu peito , com tristeza no olhar mas com o rosto em pé. Ia a procura de amar de novo um dia. Ela não deixava de acreditar. Porque ela era visceral. Era essa a sua sentença. Era essa a sua salvação. A sua intensidade era o seu combustível.

Nat Medeiros

Fonte da Imagem: Pinterest