O NOSSO FIM COMEÇA AQUI

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Mais uma noite em que você visita os meus sonhos. Mais um dia em que os meus sonhos não tocam a realidade. Há quanto tempo o meu telefone toca e não é você? Faz muito tempo desde a última vez em que tivemos uma conversa. Mas eu estou melhor assim, bem melhor.

Porque no início, eu confesso, ver meu telefone tocar e saber que era você não fazia muita diferença pra mim. E talvez por isso você tenha insistido, porque eu era indiferente às suas tentativas. Depois, eu fui tendo acesso às profundezas da sua alma e isso foi me envolvendo. A sua notificação no meu celular me fazia ter pressa de ver, pressa de ler, pressa de te responder. Eu estava me apaixonando. Era nítido, por mais que eu tentasse esconder esse fato. E você percebeu. Talvez por isso você tenha mudado tanto comigo. Até que chegou o dia em que eu passei a ter medo. Eu tinha medo de que o celular tocasse e fosse você. Eu tinha medo do que você fosse falar, do que eu fosse ler. Fazer contato com você já não me fazia bem. Definitivamente, a cada conversa eu me sentia pior. Pior pela forma como você me tratava. Pior principalmente por saber que a pessoa por quem eu havia me apaixonado estava se desmanchando diante de mim, não existia, era ilusão. Por isso eu me calei diante suas últimas mensagens. Eu tinha me tornado líquida pra uma pessoa totalmente sólida mas isso não te dava o direito de me tratar com descaso, e nem te dava direito de me chamar de dramática diante qualquer demonstração de sentimento ou mesmo de fraqueza. Para o meu “drama” parar eu deveria me calar. E então meu silêncio passou a ser tudo que eu tinha a te dizer. E isso me fez um bem que há muito eu não sentia. Eu me desintoxiquei das suas atitudes frias e egoístas.

Mas não posso dizer que me recuperei instantaneamente. Por algum tempo o preto andou me cercando. Eu me vestia de preto frequentemente. Aposentei os esmaltes vermelhos, só usava preto. Ouvia músicas escuras, me fechava em meu mundinho. Algumas pessoas tentaram se aproximar. Ninguém conseguiu. Me inundei de mim mesma. Me refugiei em uma ilha da qual só eu sabia o caminho.

Eu ainda estou tentando me afastar de tudo. Eu ainda estou tentando afastar os pensamentos que me levam ao mesmo lugar de sempre. Eu ainda estou tentando me afastar das lembranças do seu calor e logo em seguida da sua frieza. Na verdade, eu confesso, que nesses últimos tempos eu tenho tentado viver me convencendo de que você não existe. É mais fácil seguir a vida com a falsa certeza de que não há riscos de te encontrar novamente um dia. Mas eu sei que no fundo é necessário que você deixe de existir é dentro de mim. Eu estou começando a entender que certas coisas apenas começam para um dia terminar. O nosso fim começa aqui.

Nat Medeiros

Fonte da Imagem: Pinterest

 

 

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O COTIDIANO NÃO TEM NÓS DOIS

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O único presente que vejo é o que está no jornal ou no folhetim

O céu está nublado e aquele tempo entre nós se torna passado

O futuro é anunciado e rima facilmente com o fim

Entre notícias de crise política e econômica, o meu coração se fecha.

Tudo parece tão cinza lá fora e não difere do que há dentro de mim.

Não há motivos para tentar agora, pois agora só existe “Não” onde há tão pouco tempo havia “Sim”

Eu deixo o tempo passar, o céu mudar de cor, a lua mudar de fases sem que eu tente novamente.

Eu deixo você se afastar, eu me deixo silenciar, eu desisto de lutar por um “Nós” diariamente.

O cotidiano não tem nós dois.

Nat Medeiros

Fonte da Imagem: Pinterest