O AMOR, A DOR E O MAR

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O amor e a dor são como o mar. Grandiosos, imensos, profundos. Podem nos envolver de tal forma que nos afunde, podem nos guiar de tal forma que nos transforme.

Transfor-MAR

Eu acredito na ideia de que devemos viver o amor e a dor com máxima intensidade.  Só assim poderemos saber o que há além da margem. Em 2010, após muitos anos sem ver o mar, peguei um ônibus e fui sozinha pra uma cidade litorânea, desconhecida para mim até então. Quando cheguei ao destino, tive urgência em ir à praia e entrar na imensidão da água. À medida que eu me aproximava, a cada passo dado, mais azul o horizonte ficava. O horizonte do céu, logo em seguida, o horizonte do mar. Lembro-me de ter ficado quatro horas seguidas dentro dele… A minha necessidade era tanta, a minha sede era tamanha… Eu precisava viver o mar enquanto eu e ele estávamos no mesmo lugar. Apenas me molhar não era o suficiente. Eu mergulhei.

O amor e a dor, assim como o mar, são imensos de tal forma que torna-se impossível passar ileso a eles. Por um tempo, eu andei de mãos dadas com o amor. Ele me permitiu ser a pessoa sonhadora que eu nunca fora até então. Ele me fez querer tanto e tão bem a alguém, de uma forma que até então eu não quisera a ninguém. Eu me desnudei do meu orgulho para mergulhar no sentimento.

O amor, como o mar, é intenso demais para ser controlado. É grande demais pra nos determos à margem. Eu amei, e esse amor foi maior do que eu. Foi tão forte que eu abandonei a segurança do cais e não pude mais sentir a areia sob meus pés. Eu aprendi a flutuar. E assim fui além: além do porto, além de mim.

Por um tempo também eu andei de mãos dadas com a dor. Porque a dor compreende parte do processo do amor. O luto existe e precisa ser vivido. É só vivendo a fundo a morte de um amor, é que podemos renascer. Então eu vivi tudo o que a dor me trazia: silêncio e solidão. Quantas vezes, nesse meio tempo, eu olhei para o mundo e suas luzes e não me via ali? Por isso me isolei, poucos me viram, poucos me ouviram, pouco eu escrevi. Vulnerável à dor e ao que ela me trazia, me distanciei para me transfor-MAR.

Ao mar, ao amor e à dor, eu aprendi a me atirar, sempre que preciso. A vida requer mergulhos e coragens. Andei de mãos dadas com o amor durante um tempo, andei de mãos dadas com a dor durante outro. Agora, novamente, vou ao mar. A minha alma tem sede de água e sal.

 

Nat Medeiros

Fonte da Imagem: Pinterest

EU PEDI O RAPAZ EM NAMORO

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Quando o meu amigo André me aconselhou a abrir o jogo para o rapaz e falar abertamente que eu queria um relacionamento sério, eu respondi que eu iria fazer isso, mas por dentro eu pensava: “André está louco. Eu não posso fazer isso de jeito nenhum, não tenho coragem.”. E assim fui levando a situação por um tempo. Porque embora eu tenha facilidade em escrever sobre meus sentimentos, eu tenho uma enorme dificuldade em demonstrá-los na vida real… E eu nunca nem cheguei em um cara, imagina chamar pra namorar? Inimaginável. Eu não iria fazer isso de jeito nenhum!

Só que um belo dia (mentira, não foi tão belo assim) o rapaz acabou assumindo que tinha ficado com uma outra menina. Eu fiquei péssima, não soube lidar. E foi aí que eu vi que eu precisava de uma segurança. Se a gente continuasse como estava, apenas “ficando”, isso poderia acabar acontecendo de novo. Não que um namoro seja garantia de exclusividade, mas ficar pra mim já não era mais suficiente. Eu queria  poder me entregar sem medo, eu queria senti-lo entregue também.

No dia seguinte, a gente se encontrou pra conversar em um açaí. Eu nem me lembro de tudo que conversamos mas eu lembro que eu deixei claro que eu queria um relacionamento sério. E aí vai um conselho: se você quer uma resposta clara, seja clara também. Ao ser clara, a gente pede que o outro também o seja. Eis então a resposta dele (que nunca esquecerei): “Nat, eu não acredito em relacionamentos e não quero relacionamentos por um bom tempo em minha vida.”. Eu acho que o mundo parou por um momento naquele domingo. E isso só reforçou a minha percepção de que domingo é o pior dia da semana. Eu perdi o chão e só pensava em levantar da mesa e sair correndo daquele lugar pra esconder a minha tristeza em um lugar bem escondido. Mas, olha, eu estava em um açaí, eu amoooo açaí, então eu pensei comigo mesma: “Deixa só eu terminar esse açaí aqui que eu vou embora.”. Hahahaha. E fui.

A gente ficou um tempo sem contato e um mês depois a gente voltou a ficar. Eu tinha esperança, sabe? Esperança de que talvez ele visse que gostava mesmo de mim. Mas pouco tempo depois eu é que acabei vendo que realmente não existia espaço pra mim na vida dele; ele estava sendo sincero ao dizer que não queria um relacionamento sério comigo. Acontece que a gente tem a mania de fantasiar o “SIM” onde apenas existe o “NÃO”. E a verdade é que: se um cara diz que quer namorar você, nem sempre ele quer de fato namorar (às vezes ele fala por falar). Mas se um cara diz que não quer namorar você, minha amiga, ouso dizer que ele realmente não quer.

(Pergunta: E se ele não diz nem que não nem que sim? Provavelmente ele também não quer mas tem medo de te dispensar, aí prefere te deixar na estante).

Quando eu coloquei na página que pediria um rapaz em namoro, muitas garotas pediram conselhos. Então eis alguns:

-Você não perde o que não tem;

-Demonstrar que gosta não irá te fazer menor;

-O ideal seria você pedir alguém em namoro apenas quando se está preparada para ouvir um “não”, mas desconfio que nós nunca estamos preparadas para ouvir um “não” de quem a gente gosta. Então o ideal é que você só faça isso quando ao menos estiver disposta a aceitar o “não”.

Como eu disse, eu ainda voltei a ficar com ele um tempo. Eu ainda não estava pronta para desistir. Mas depois eu entendi que realmente NÃO era NÃO, e que ou eu aceitava ficar naquela situação correndo o risco de a qualquer dia ele aparecer me dizendo que estava ficando com outra pessoa ou eu ia seguir minha vida e refazer meu caminho. Eu optei pela segunda alternativa.

Quando eu ouvi aquele conselho de André há uns meses, eu realmente pensei que era loucura pedir alguém em namoro e confesso que jamais me imaginei fazendo isso. Mas, com o tempo, eu vi que aquilo era o mais sábio a se fazer. Era preferível receber logo um “não” na cara a ficar esperando por um “sim” que não chegaria. O desfecho da minha história talvez não seja o mais motivante mas me ensinou que algumas coisas, por mais desagradáveis que sejam, são necessárias. Eu já disse aqui uma vez na página e reforço: a Vida não é sobre os “Sim’s” que recebemos, é sobre os “Não’s” recebidos e o que decidimos fazer com eles. O que eu decidi? Seguir minha vida e evitar as músicas tristes. Como disse a personagem de um filme que eu vi: “O final feliz nem sempre é a dois. Talvez o final feliz seja apenas seguir em frente”.

(A quem seguir o conselho do meu amigo, e agora meu conselho também, eu desejo que receba um SIM. Mas se porventura vier um NÃO, lembre-se de que o mais doloroso é insistir em uma história que não nos cabe. E que a decisão do que fazer com uma resposta negativa sempre está em nossas mãos).

Nat Medeiros

O PROBLEMA É NAMORAR E QUERER LEVAR VIDA DE SOLTEIRO

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Eu já me envolvi com uma pessoa que tinha namorada (sem que eu fosse informada desse “detalhe”). Lembro exatamente do momento em que o meu mundo caiu. E o que eu posso dizer sobre isso é que eu sofri. E eu sofri foi muito. Primeiro eu sofri quando eu descobri que o rapaz tinha namorada, visto que eu fiquei meses e meses nesse envolvimento sem sequer desconfiar que havia uma terceira pessoa nisso. Aliás, a terceira pessoa era eu. Ao que tudo indica, eu é que cheguei depois. E isso só intensificou o meu sofrimento na época. Sofri também porque além do envolvimento, eu acabei sendo exposta com essa situação; eu e minha dor, é claro.  Meu coração sangrou, meu mundo se desfez por uns tempos e eu tive que refazê-lo depois. Sozinha e com sequelas emocionais.
Sei que a outra garota também sofreu. E apesar de ela ter me chamado de “retardada” quando eu a contei que estávamos sendo enganadas pelo mesmo cara, sei que ela estava tão desavisada quanto eu, e eu não posso culpá-la por ter descontado a sua raiva em mim. Eu poderia vê-la como uma inimiga. Mas o problema definitivamente não era ela. E o problema definitivamente não era eu. O problema todo foi ele e a sua falta de verdade e empatia. Acredito também que ele tenha sido quem menos sofreu com tudo isso. Talvez nem tenha sofrido, o que é mais provável.
O que eu concluí com esse desagradável capítulo da minha vida é que as pessoas querem namorar, mas são tão inseguras que querem ter um relacionamento “monogâmico” sem abrir mão dos contatinhos por trás.
Querem ter uma garota como namorada, mas também querem ter Tinder para azarar as garotas solteiras. Querem ter alguém que lhes diga um “Eu te amo”, mas querem ter vários “alguéns” a quem possa dizer: “Topa um encontro hoje à noite?”.
O problema não é namorar.
O problema não é ser um solteiro que curte a vida conhecendo várias outras pessoas.
O problema é namorar e querer levar uma vida de solteiro, magoando quem te ama e envolvendo outras garotas legais e desimpedidas na sua vida somente para usá-las para fugir do tédio e de si mesmo.
Sabe quem faz isso? Não são os caras fodões. São os caras fracos, extremamente fracos, mas que se acham fodões. Eles são tão fracos que nunca conseguem ficar sozinhos com eles mesmos. A verdade é que nem eles suportam suas próprias companhias. Então eles procuram ocupar os seus vazios com o máximo de garotas possível. E o mais triste é que geralmente essas garotas são incríveis. Aí o estrago está feito. É apenas questão de tempo pra gente ver pedaços de corações espalhados por aí…
Eu fiquei um bom tempo recolhendo os pedaços do meu.

Nat Medeiros

Fonte da Imagem: Pinterest