AMOR NÃO É TER, É SER (CONFISSÕES DE NAT)

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Abir mão de você e daquilo que eu era quando eu estava com você, seria desafio demais pra mim. Eu só conseguiria fazê-lo quando o amor fosse tão grande que ele me desse coragem pra dizer adeus. Paradoxo. Talvez, e isso me vem à cabeça somente agora, você tenha achado que naquele dia em que eu optei por darmos um fim, eu tivesse deixado de gostar de você ou até mesmo que eu estivesse gostando de outro alguém. Mas não. Naquele domingo em que decidi encerrar a nossa história, foi o momento em que eu mais te amei. Eu nunca quis tanto dividir a minha vida com você, eu nunca quis tanto estar ao seu lado. Eu nunca quis tanto ser melhor e estar melhor para dividir somente o bem com você. Mas eu sabia que aquele amor, por mais grande que fosse, não seria o suficiente para abrir aquela porta. A porta que se manteria fechada pra mim acontecesse o que acontecesse. Então, num impulso, com três doses de dor e de coragem, te disse adeus. Eu abri mão dos nossos encontros semanais por noites regadas a lágrimas. Eu abri mão de te olhar antes de dormir para olhar a tela do meu celular enquanto o sono não vinha. Meu frio celular que agora me mostrava você seguindo sua vida a cada dia, e a cada dia mais longe de mim. Eu abri mão de te amar tão perto para agora te amar à distância. Em silêncio. Até o meu choro se tornou silencioso, por incrível que pareça. Eu já havia lutado muito pelo amor que eu sentia até que eu entendi que a maior provação desse amor seria agora desistir, pois você não sentia o mesmo. E aquilo que eu sentia não deveria te aprisionar, pelo contrário, deveria te libertar para outros caminhos. Assim eu não estaria provando que eu era uma pessoa madura, nada disso. Assim eu estaria apenas e finalmente entendendo que o amor não precisa da matéria e da física para existir. Mesmo sem te ver, sem te tocar, mesmo sabendo que agora, neste exato momento em que escrevo essas linhas, você possa estar com um outro alguém, mesmo assim eu continuo te amar. Eu acho que pela primeira vez eu sei o que é amor genuíno, sem posse. O amor é luz que ilumina e cura a dor que fica ao ter que se dizer adeus. Amor não é ter, é ser. Eu estou em catarse.

Nat Medeiros

Ilustração: Kathrin Honesta

Fonte da imagem: Pinterest

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ESTAR FELIZ E SOLTEIRA ME ENSINOU A SER MAIS EXIGENTE

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Em relação ao amor, hoje sou menos iludida, mas também muito mais criteriosa. Não que eu tenha desistido deste sentimento, mas aquela empolgação juvenil e até inocente já não existe mais.

O X da questão é que já vivi situações o suficiente para perceber que relacionamento amoroso não envolve só sentimento. Envolve diferenças, envolve família, envolve vizinho, cachorro, smartphone e papagaio. Dois deixam de ser dois e passam a ser um número incontável de gente, torcendo por sua felicidade ou não. Envolve paciência, pressão, frustração, desconfiança. Claro que envolve também coisas maravilhosas, como vida compartilhada, companheirismo, afeto, amor, confiança.

Eu me lembro muito bem quando eu tinha 15 anos e sonhava em namorar. Achava que era o melhor que me poderia acontecer na época, mas não aconteceu… Fiquei frustrada, mas fui levando. Quando eu finalmente tive um relacionamento mais profundo posso dizer que a vida me deu um tapa na cara.

Namorar não era nada daquilo que eu criava fantasiosamente. Não fiquei amarga ou desesperançosa. Fiquei realista.

Hoje, após alguns relacionamentos profundos e aos 27 anos, eu vejo o quanto ser solteira representa liberdade e aprendizado pra mim. Não tenho medo de ficar sozinha em casa em pleno sábado à noite. Não tenho medo de ir a eventos sociais sem um cara a tiracolo. Eu construí a vida com os meus passos. Um atrás do outro, aos trancos e barrancos. Mas hoje eu sou eu. Natália. Quem entrar na minha vida não será o protagonista pois a protagonista já existe. Quem entrar na minha vida se tornará referência e não a coordenada. A recíproca, é claro, é verdadeira.

A questão é que as frustrações me ensinaram a me amar mais, a valorizar mais meus momentos comigo mesma. Estar feliz e solteira me ensinou a ser mais exigente. E alguém para adentrar no meu mundo tem que fazer por merecer. Se ficar com joguinho, se ficar com palavras fartas e atitudes vazias eu, simplesmente, perco o interesse.

Eu gosto tanto de escrever, eu gosto tanto de estar e conversar comigo mesma que não dá pra trocar isso aqui por um “Oi, gata” ou pior: “Oi, sumida” sendo que sumida eu nunca fui. Não dá para trocar assistir Downton Abbey na Netflix por uma conversa superficial ou sem afinidades.

Só vai entrar na minha vida quem realmente merecer. Porque vida é mais íntimo que quarto, vida é mais íntimo que cama. As pessoas costumam relacionar intimidade com sexualidade. Mas intimidade é sonho, é medo, é esperança, é falar do passado, da infância, é planejar um futuro, é olhar juntos para a mesma direção. Intimidade requer tempo, requer dedicação, requer interesse profundo. Intimidade é oposto de superficialidade. Intimidade não é saber a cor da calcinha ou do sutiã. Intimidade é saber a cor dos sonhos, a cor dos olhos quando choram, a forma exata dos lábios quando sorriem. Intimidade não é ver alguém de lingerie… Isso você pode ver a qualquer momento, com alguém que você conhece há muitos anos ou há poucas horas. Intimidade não é ver alguém se despir das roupas. Intimidade é ver alguém se despir das barreiras, dos medos, das suas verdades incontestáveis, das suas certezas absolutas. Intimidade é a entrega, mas não a entrega do corpo. Intimidade é a entrega mais difícil: a entrega da alma e do coração.

Nat Medeiros

Publicação original: Superela

RESPEITE SUA TRISTEZA

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Se eu pudesse te dar um conselho hoje seria: respeite a sua tristeza. Respeite sua tristeza porque ela é um sentimento natural. Respeitar algo que se está sentindo é o mesmo que se respeitar e que se acolher.

Não somos obrigados a sentir alegria todos os dias. Há dias em que tudo que queremos é manter silêncio e um certo isolamento da sociedade. E não há mal nenhum isso. Não somos seres estáticos que possuem apenas um tipo de emoção. Somos seres vivos, em constatante mutação, vivendo situações diferentes e convivendo com pessoas diferentes todos os dias. As emoções fluem e se transformam. Cedo ou tarde a tristeza virá e ela deverá ser ouvida e respeitada. Quanto mais a menosprezarmos, mais difícil será lidar com ela.

Mas confesso que nem sempre eu aceitei estar triste. Nem sempre eu aceitei esse estado de espírito em minha vida. Foram inúmeras as vezes em que ela se instalou em meu peito e eu me obriguei a ir  em direção à multidão como forma de me convencer que “estava tudo bem”. Resultado? Eu só voltava pra casa pior porque chorar dói mas forçar um sorriso quando não se quer sorrir é ainda mais incômodo. Vestir máscaras pesa muito na alma da gente. Ressalto que estou falando de tristeza, não de depressão que é uma doença séria, onde a tristeza persiste e se alonga, exigindo diagnóstico e tratamento. (Estar triste é bem diferente de ser triste e precisamos nos atentar a isso para levarmos uma vida mais saudável).

Em uma sociedade que nos obriga constantemente a expor nas redes sociais felicidade nem sempre genuína, é um ato de coragem admitir: estou triste. Eu fiz isso recentemente, deixei de esconder uma tristeza que veio me visitar, eu a assumi e estive disposta a aprender o que ela veio me ensinar. O resultado disso? Ainda não sei, ainda estou sendo sua aprendiz. Mas pessoas ótimas vieram dizer que estão comigo e estariam disponíveis se eu precisasse. Talvez uma das lições que a tristeza veio me ensinar é de que não preciso fazer tudo sozinha, que há pessoas legais nesse mundão e que baixar a guarda às vezes pode ser muito bom.

Então, novamente, se eu puder te dar um conselho, seria: se a tristeza te visitar, ouça o que ela tem a te dizer. Geralmente ela nos ensina mais do que a alegria e pode ser justamente ela quem vai nos orientar a sair de uma situação que não vem dando certo há algum tempo. Além disso, sentir tristeza, assim como qualquer outro sentimento, nos faz lembrar que estamos vivos.

Nat Medeiros

Fonte da Imagem: Pinterest

TUDO QUE RESTOU DE NÓS FOI SILÊNCIO

Quando eu achei que estávamos vivendo o nosso auge, eu descobri que aquele deveria ser o nosso fim. E por mais que eu quisesse me agarrar àqueles momentos, dentro de mim eu já sabia que eles agora compunham um passado, e que me agarrar a esse passado só iria gerar mais sofrimento.

Todo auge vem acompanhado do seu declínio e com nós dois não haveria de ser diferente. Os dias em que eu adormeci ao seu lado, deixando o meu coração e os meus sonhos à sua mercê, foram sucedidos por noites solitárias acompanhadas de lágrimas. Me doía saber que a sua vida ia seguir sendo a mesma sem mim. Me doía muito saber que você nunca iria fazer questão de um laço entre nós. Me doía me afastar cada vez mais da sua vida e te ver nada fazer para impedir esse afastamento. Me doía ver o seu mundo continuar girando e o meu estar aos pedaços. Me doía não sentir mais a sua pele e nem o calor das nossas brigas. Me doía o fato das nossas vozes terem se calado e do céu continuar azul embora tudo dentro de mim fosse cinza. Tudo que sobrou de nós foi silêncio. O silêncio mais ensurdecedor já ouvido. Sem ter voz para falar, me restou apenas escrever para quem sabe encontrar a cura daquilo que já foi um dia o maior amor do mundo.

Nat Medeiros

Fonte da Imagem: Pinterest

PRECIPÍCIOS

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Tenho alguns precipícios dentro de mim que vez em quando vêm à tona.

É quando a tristeza fala mais alto do que o entusiamo.

É quando a vontade de me isolar é maior que a vontade de me integrar.

É quando o brilho dos olhos se tornam opacos.

É quando as cores se vestem de cinza.

Tenho alguns precipícios dentro de mim e vez em quando eles me cercam me enchendo de medos.

É quando a força cede lugar à resignação e quando a visão só enxerga abismos.

É quando a  crença dá lugar à descrença.

É quando o Sol se apaga, transformando a luz em escuridão.

Tenho alguns precipícios dentro de mim e vez em quando ando à beira deles.

É quando o sonhos desistem de sonhar.

É  quando o Amor desiste de amar.

Precipícios nos paralisam por um motivo: pra que a gente possa juntar forças pra mudar o que nos aflige.

Precipícios não podem ser evitados. Não se pode fingir que um precipício não está ali.

Precipícios nos requerem mergulho e coragem.

É preciso ouvir o que eles nos dizem, sentir o que eles nos trazem.

Precipícios são a chave de uma mudança que há muito tempo vem sendo protelada.

Precipício é limite. É divisor de águas.

Eu estou vivendo meu precipício pra renascer depois.

Nat Medeiros

Fonte da Imagem: Pinterest