UMA DOSE DE AMOR PRA CURAR UMA DOR

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E no meio do turbilhão, a vida me envia um pouco de paz. Quando perdi meu chão, você apareceu me oferecendo o céu. Você se lembra de todos os detalhes. Eu não me lembro de detalhe nenhum. Eu estava aérea… Mas me lembro de todas sensações. A sensação de estar segura. A sensação de estar com uma alma afim.

Você apareceu durante um vendaval em minha vida: quando eu descobri a verdade sobre alguém de quem muito gostei. E essa verdade me feriu fatalmente. Devido a fatos que prefiro me abster de citar, foi traumático pra mim. Era um momento que tinha tudo pra me fazer desacreditar do amor, mas você me abraçou de uma forma em que eu me senti protegida. Mesmo sem te conhecer tanto, estar ali naquele momento, ao seu lado, era o melhor lugar.

Você me chamou de Esfinge, pelo meu modo de te olhar, disse que leu Misto Quente de Bukowski e eu novamente fui ao céu. Não é todo dia que a gente encontra um cara de barba perfeita, que lê Bukowski e ainda cite páginas de poesia. Talvez você não tenha percebido, mas naquele momento eu tive certeza do que eu queria. O que eu queria estava bem diante dos meus olhos e eu me perguntei porque demorou tanto pra esse momento acontecer.

Falamos sobre Game of Thrones. Eu te dando spoiler sobre Brienne e Tormund e você dizendo que queria que ela ficasse com o Jaime. E ali você me ganhou de novo. Um homem sem medo de demonstrar sentimento. Se teve uma coisa que eu aprendi nesses últimos meses foi que homem que não demonstra sentimento é porque não gosta o suficiente ou porque não gosta o suficiente. E isso causa dor. E pra curar uma dor, só uma dose de amor.

Só que você foi muito mais do que uma dose. Porque uma dose acaba e você ficou. Quando dias depois te contei sobre o episódio traumático da minha vida, você disse: “Mulher, não tenha medo. Levante a cabeça e lute. Eu vou cuidar de você.” E aí que eu fui entender, você não estava comigo pelas metades, você estava comigo por inteiro.

O problema é a gente que, às vezes, se acostuma com pouco achando que é muito, mas quando cai em si percebe que na verdade não era nada do que imaginou. E enquanto nos apegamos àquele amor mais ou menos, que nos leva de forma mais ou menos, a gente acaba minando as chances de encontrar o amor pleno, aquele que a gente realmente merece. O que tem defeitos, sim, mas que também nos faz querer ser melhor, lado a lado, constantemente, diariamente.

Sobre aquele dia, em que a gente se abraçou pela primeira vez, eu aprendi que a gente nunca sabe sobre as barras que vai enfrentar nas próximas horas, mas também que a gente nunca sabe sobre a luz que vai aparecer no meio do caminho e iluminar tudo. Meu Sol. Sou sua Esfinge. Talvez só até a próxima semana. Mas quem sabe, quiçá, até a próxima Vida. Te quero beber em mil doses de amor.

Nat Medeiros

Publicado originalmente em: Superela

Fonte da Imagem: Pinterest

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COMO SUPEREI UM PÉSSIMO CORTE DE CABELO E FIZ A TRANSIÇÃO CAPILAR

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Sempre tive o cabelo ondulado. Nem liso, nem cacheado e eu achava super difícil usá-lo naturalmente pela ausência de forma definida. Quando completei 16 anos fiz uma escova progressiva. O resultado me agradou, o volume diminuiu e o fio tomou uma forma lisa. Fui repetindo esse procedimento até por volta dos 22 anos. Aí decidi parar, pois apesar de o meu cabelo ser muito forte, ele estava cheio de pontas duplas. Sem citar que a cor dele clareou bastante também, chegando ao tom de castanho cobre.

Fiquei seis meses sem nenhuma química. Até que fiquei sabendo de um alisamento chamado recondicionamento térmico. Para eu fazer esse procedimento, eu precisaria estar há seis meses sem química e eu já estava. Então nem pensei duas vezes e fiz. O resultado foi maravilhoso, o cabelo ficou super liso e eu só precisaria fazer o procedimento de novo na raiz. Seguem fotos:

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Fiquei bem satisfeita mesmo. O problema é que eu também tonalizava o meu cabelo e isso causava um embaraço absurdo. Em todo banho eu gastava vinte minutos só para penteá-lo. Decidi mais uma vez parar com a química. Nisso meu cabelo já era enorme e eu tinha que ficar passando chapinha na raiz para deixá-lo uniforme. Segui fazendo isso por quase dois anos. O meu cabelo era todo reto e o contraste entre a parte natural e a parte lisa era bem perceptível.

A transição capilar

Foi então que em Agosto de 2015 eu tive a belíssima ideia de ir a um salão para que cortassem picado ou em camadas. Achava que assim seria mais fácil passar pela transição capilar. Ainda expliquei à cabeleireira (que eu já conhecia) como eu queria o corte e ainda levei uma foto para ela ter uma ideia exata.

Gente, quando eu olhei no espelho eu não acreditei no que vi. As pessoas no salão também notaram, pareciam pensar: “estava bem melhor antes”. Fiquei estática, sem palavras, só paguei a conta e saí de lá correndo. Cheguei em casa e olhei no espelho. Como eu queria voltar no tempo, viu. O que a cabeleireira fez no meu cabelo era irrecuperável. Eu tinha um cabelo imenso mas se eu fosse corrigir o erro, ele iria parar na altura do meu queixo e eu definitivamente não estava preparada pra isso. O cabelo, por ainda ser liso em sua maior parte, ficou com a aparência de espigado, umas partes ficaram muito curtas, outras ficaram bem maiores e na frente um lado ficou bem menor que o outro. Pra vocês terem uma ideia seguem as fotos (desculpem a qualidade ruim mas é porque tirei do meu celular).

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Isso abalou tanto a minha autoestima que no primeiro dia eu tive que tomar remédio pra dormir. Tudo que eu queria era acordar no dia seguinte e ver que tudo não passou de um pesadelo. Mas não foi pesadelo e só me restou ir cortando aos poucos pra ir acertando. Eu mesma fui cortando (reto, como eu gosto mais). Sempre fui eu mesma que cortei meu cabelo e depois disso tudo eu só confiava em minha própria mão. Mas mesmo cortando, ele estava me desagradando muito. Em Novembro de 2015 fiz um outro corte mas ele continuava desregular. Sem falar que eu ainda estava em transição capilar. Era um caos total: cada fio de um tamanho e com texturas diversas.

Então, em Janeiro de 2016, eu decidi cortar curto logo, deixar todo reto e de quebra tirar a parte que ainda tinha química. Confesso que mais uma vez foi sofrido. A última vez que eu tive cabelo curto foi quando eu era criança e a ideia do cabelão já estava associada à minha imagem e identidade (teve gente que nem me reconheceu mais). Mas, apesar da grande mudança, eu fui me adaptando principalmente porque aí ele estava natural, muito mais saudável e fácil de desembaraçar. Mas continuei usando chapa porque eu ainda achava que ele natural não era bonito

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A transformação

Em Julho de 2016 eu conheci, através do texto da Karla Lopes  no Superela, os procedimentos No Poo e Low Poo (Como Fazer Low Poo e No Poo?). Eu achava que era uma coisa de sete cabeças, que pesaria no meu bolso, mas estava muito enganada. Segui ambos procedimentos, intercalando, e os resultados foram maravilhosos. Entrei em alguns grupos no Facebook que abordavam tais temas e vi o quanto existem pessoas passando pela transição capilar, se amando e aprendendo a amar seus cabelos. Aprendi também algumas técnicas que deixam meu cabelo com formato mais definido e bonito, como a fitagem, e aprendi também sobre a importância de secá-lo com camisa de algodão e nunca secar com toalha, já que causa frizz.

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Hoje ele está maior e confesso que volta e meia uso chapa pra deixá-lo liso (conforme foto abaixo). Mas tenho confiança pra usá-lo natural. Quando não dá tempo de modelá-lo, não deixo de sair de casa por isso. Eu lavo e vou, saio com ele úmido mesmo. Estou aprendendo um pouco mais sobre liberdade, rs.

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No fim das contas, perdi muitos centímetros de cabelo mas ganhei autoestima, confiança e fios muito saudáveis. Foi fácil? Não! Foi muito difícil e tive dias horríveis após meu cabelo ser detonado em um corte desastroso. Mas peguei os limões e transformei em limonada.

Nat Medeiros

Fonte das imagens: acervo pessoal

Texto origanlmente escrito em: Superela

TODOS OS DIAS O SEU SILÊNCIO ME DIZ QUE EU FIZ O CERTO AO ME AFASTAR

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Eu sempre tive certeza que a decisão que eu tomei era mesmo a mais acertada. Mas às vezes, principalmente no início, eu me pegava me questionando: “E se…?”. E se eu tivesse feito diferente, e se eu não tivesse demonstrado tanto, e se eu tivesse dividido a atenção que eu oferecia a você com um outro alguém? E se eu tivesse sido menos exclusiva, e se eu tivesse te tratado como alguém sem tanta importância pra mim? E se eu tivesse te amado menos?

Nós nunca sabemos o impacto que alguém vai causar em nossas vidas até que abrimos a porta e deixamos aquela pessoa entrar. O fato é que eu quase fechei a porta pra você. Foi por muito pouco que não te ignorei como forma de finalizar aquele nosso primeiro contato. Quando você pediu meu telefone, eu tive o impulso de te excluir, mas ao contrário disso, te ignorei. Fiquei dois dias sem te responder, eu não sabia o que fazer. Por fim, num impulso, te mandei meu número já pensando nas desculpas que eu haveria de te dar para te ignorar sem culpa.

A vida nos surpreende e ela me surpreendeu muito quando causou o nosso encontro. Não foi no primeiro nem no segundo encontro que eu me apaixonei. Mas desde a primeira vez que conversamos pessoalmente, eu percebi que ali havia uma mente pensante e eu sempre me atraí muito por pessoas inteligentes. Ao te conhecer melhor, sentimentos surgiram. Com o tempo, evoluíram. Me envolvi, relutei, mas por fim me entreguei e  posso dizer que foi um caminho sem volta. Te amar menos era impensável, ter sido menos exclusiva do que fui não era alternativa pra mim. Eu nunca me envolvi com mais de uma pessoa simultaneamente. E agora que eu amava alguém eu iria fazer isso? Esse tipo de jogo não cabia na minha vida. Se eu te perdesse, que fosse por amar demais e nunca por valorizar de menos. Eu não estava disposta a errar. Não com você.

Mas nenhuma relação depende apenas de uma só pessoa. E com o tempo eu fui obrigada a encarar a verdade: você não queria ser amado, pelo menos não por mim. E amar alguém que não quer ser amado é mais que arriscado, é atestado de sofrimento. Apesar de tudo, eu ainda estive disposta a ficar ali. A tentar transpor barreiras. Mas de onde eu tirava obstáculos, você construía muros. Nós dois não tínhamos os mesmos objetivos, um dia você disse. E você disse nada menos que a verdade. Eu terminei aquilo porque não havia caminho mais acertado que o fim.

Por mais que eu tivesse certeza desta decisão, como eu disse, às vezes me perguntei se aquilo era o melhor (era o mais certo, mas seria o melhor?). Procurei nas músicas, nos livros e nos astros resposta para os meus questionamentos. Em vão. Nada me respondia. Meses se passaram sem que eu encontrasse esclarecimento. Foi só então que eu percebi que meses se passaram e você se manteve calado. E o seu silêncio dizia tudo, ele era a resposta que eu precisava. O seu silêncio me mostrou todos esses dias que eu fiz o certo ao me afastar.

Nat Medeiros

Fonte da Imagem: Pinterest

SEI O QUE QUERO, SOU DECIDIDA!

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Talvez um dos meus maiores erros seja acreditar no amor. Talvez um dos maiores acertos, também. Ser romântica já me custou muitas noites de sono, mas preciso admitir que igualmente deixou muitos dos meus dias mais vivos e ensolarados. Mesmo aqueles  dias mais nublados.
O preço de ser intensa é sofrer mais, disso eu não tenho nenhuma dúvida. A dádiva de ser intensa é sentir mais, é possuir cores mais fortes, é amar mais também. Isso quase me mata em algumas ocasiões mas me faz renascer em outras, muito mais resistente. E apesar de intensa, devo admitir que não sou uma pessoa segura, na verdade, eu sou cheia de inseguranças. Tenho muitos defeitos, mas sou bem decidida. Eu sei exatamente o que eu quero e o que eu não quero. Quem eu quero e quem eu não quero. Geralmente, ou eu estou envolvida até a alma com um único alguém ou eu estou sozinha, com o coração pacífico e desértico.
Estar com alguém não pode ser autoafirmação, jogo ou manobra pra enganar a carência; ainda mais pra alguém que aprendeu a se bastar com a sua própria companhia. Estar com alguém tem que ser mágico, transcendente. Se minha alma e meu coração não estiverem ali, eu também não posso estar. Devo me liberar e liberar o outro. Nada mais justo. O mesmo ocorre quando o meu coração e a minha alma estão, mas a do outro não. Eu não posso me agarrar a alguém que não sente o mesmo que eu. Porque, aos trancos e barrancos, aprendi que o amor não deve estar onde ele não poderia sobreviver. Porque aí já seria autoengano.
Ser decidida é ter coragem de lutar por aquilo que faz nosso coração arder, mas também é ter a firmeza de finalizar aquilo que não evoluiria, aquilo que não depende só da gente. É saber o que quer, e saber desistir do que se quer quando o outro não quer também. Confesso que nem sempre eu soube disso. Hoje eu sei.

Nat Medeiros

Fonte da Imagem: Colab55
Artista: David