ESSA MOÇA É DIFERENTE

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Ela pode até não parecer, mas é uma moça vulcânica no sentir. Equilibrada no falar. E um tanto quanto reservada no demonstrar. Sim, às vezes ela tem medo de deixar à mostra o que guarda lá dentro. Ela aprendeu a se conter como forma de não sofrer muito. Ela é profunda, mas é sensata.

Essa moça, às vezes, frequenta multidões, mas é em lugares pacatos que ela gosta mais de estar. Onde seus pensamentos podem ganhar voz, sem julgamentos e impedimentos. Ela não faz questão de que a aceitem. Mas não abre mão de que permitam ser ela mesma, sem máscaras. Afinal, é nisso que consiste a essência do ser. Pra ela, não há razão em estar aqui senão for pra ser quem realmente se é.

Ela, às vezes, me confunde pois possui traços de delicadeza com um quê de fortaleza. Dentro dela existem sonhos tão leves e simples, tão belos e raros que eu quase acredito que estou em um filme francês ao cruzar o meu caminho com o dela. Simultaneamente, ela é a intensidade de um filme de Almodóvar, ela é a presença de alguém que chega e se nota.

Poesias, músicas, livros e versos são apreciações que ela possui. Ouso dizer que Los Hermanos canta alguns dias da sua vida, mas é de Chico Buarque, (Ah, Chico!) que ela gosta mais.

E por falar em gostar, quando ela gosta, ela tem certezas, jamais dúvidas. No silêncio dos dias de solitude, ela aprendeu a se conhecer. Ela não ignora o que diz suavemente o coração. Embora seja fato que ela também tenha medos. Ainda assim, essa moça opta por escutar o que vem de dentro já que o quem vem de fora muitas vezes não vai de encontro à sua alma. E pelo que eu percebo é a sua autenticidade que vai levá-la além.

É no silêncio do quarto que ela encontra a si mesma. É na multidão que às vezes ela se sente só. É no mar ou na cachoeira que ela se diverte. É o barulho da chuva que mais a encanta. Há quem diga que ela é fechada, inacessível… Mas ela é apenas alguém que valoriza sua intimidade. É pra poucos e bons que ela se abre. É pra ainda mais poucos que ela se doa. Por fora ela é até comum, mas por dentro… Ah, por dentro ela é diferente!

Nat Medeiros

Fonte da Imagem: Pinterest

 

 

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MINIMALISMO: 7 COISAS QUE EU NÃO COMPRO MAIS

menos é mais.

Eu já falei  no Superela o que me fez ir de encontro ao Minimalismo e o que é esse estilo de vida que vem ganhando espaço na nossa sociedade. Mas caso você ainda não tenha lido o meu último texto, posso explicar novamente: o Minimalismo é uma forma de viver que busca simplificar todas as áreas da nossa vida, desde a parte prática e tangível até os relacionamentos e vida virtual. O objetivo é descartar o acessório e ficar apenas com o essencial e consequentemente ter uma vida mais saudável. Um exemplo prático é o número de sapatos que uma pessoa possui. Pra quê ter quarenta pares de sapatos ocupando espaço e demandando mais tempo para organização e limpeza dos mesmos se eu uso realmente apenas oito pares? Se são apenas oito pares que me trazem bem estar e felicidade ao usá-los? Isso é apenas um exemplo. O mesmo vale pare utensílios de cozinha, roupas de cama, mesa e banho, acessórios pessoais, redes sociais e relações.

A sociedade atual possui um fluxo enorme de informações e um consumismo progressivo. Mas temos nossos limites, não é mesmo? O nosso tempo é limitado a 24 horas diárias. Em quê estamos o investindo? Em coisas que realmente nos são necessárias? Caso não, é hora de repensar isso aí e passar a ter mais consciência em onde investimos nosso bem mais precioso.

No meu último texto eu também falei sobre o destralhe, que é a prática de descartar (seja através de doação, vendas ou mesmo jogando fora quando não é possível a reutilização) tudo aquilo que está parado na nossa casa, tomando nosso tempo e ocupando espaço. Mas agora eu quero falar sobre uma mudança de comportamento que também faz parte do minimalismo: compras conscientes. Dentro disso aí, eu vou falar pra vocês quais são as coisas que eu não compro mais e vou explicar o porquê. Vamos nessa!

1.Caixas Organizadoras

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Bom, isso pode parecer um tanto controverso, mas caixas organizadoras podem fazer com que acumulemos mais e mais coisas, nos dando uma falsa sensação de organização. A ideia do minimalismo não é simplesmente a organização. Inclusive o ideal é que deixemos tudo que temos em casa fácil de ser visto por nossos olhos para que simplesmente saibamos o que temos e se realmente precisamos daquilo ou não. Claro que certas coisas precisam mesmo ser guardadas em caixinhas, como alfinetes, brincos, agulhas etc. Mas precisamos tomar o cuidado de não tornar caixas depósitos de coisas não essenciais. Eu optei por não tê-las mais.

2. Cintos

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Eu percebi que tinha cerca de 20 cintos em casa. Destes, apenas três eram utilizados. Eu detesto cintos em sua maioria porque eles apertam minha barriga e quase nunca são confortáveis. Doei praticamente todos, fiquei apenas com aqueles mais maleáveis e mais fáceis de serem combinados (um pretinho básico é tudo!). Cintos definitivamente são itens que não comprarei mais.

3. Bolsas de qualidade baixa ou de modinha

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Como eu disse no último texto, Minimalismo não é sobre comprar o item mais barato ou deixar de comprar. Mas, fazer compras conscientes e de qualidade. Pra mim, hoje é preferível ter uma ou duas bolsas de excelente qualidade a ter seis bolsas que se deterioram com o tempo. Assim, eu passo do gasto ao investimento e ainda ganho espaço no meu guarda-roupa. Também priorizo escolhas que sejam atemporais e atendam minhas necessidades. Não adianta eu ter várias mini-bolsas sendo que preciso mais é de uma de tamanho médio, vice-versa.

4. Bijuterias

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Esse item é muito pessoal. Acho que tudo é uma questão de se conhecer e conhecer o seu estilo. Quer dizer que eu não vá mais comprar um item da moda? Não. Mas vou comprar itens que eu sei que vou usar muito. Há cerca de um ano todos os meus looks são montados com os seguintes acessórios: um brinquinho de coruja, meu colar Superela que eu amo (ambos pratas), dois colares com pingentes e duas chokers. Os brincos grandes que eu tinha eu nem uso mais (me incomodam devido o peso). Claro que guardei uns três e também uns anéis, pois nunca se sabe… Mas são coisas que têm a minha cara e não algo que está na moda simplesmente. Eu doei cerca de 90% das minhas bijouterias e estou bem com o que ficou. Não sinto falta de absolutamente NADA!

5. Esmaltes de várias cores

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Também doei ou joguei fora (os que tinham perdido a validade) cerca de 90% deles. Já tem uns dois anos que uso somente preto, nude, cinza e no máximo um vermelho. No entanto, eu continuava comprando outras cores na tentativa de inovar um pouco. Mas sempre que eu usava um roxo ou um abóbora, por exemplo, eu ficava doida pra chegar a hora de voltar ao preto. Ou seja, o preto me fazia muito mais feliz. Então pra quê ficar tentando achar novos tons preferidos se eu já sei de quais gosto mais?

6. Artigos de decoração / Bibelôs

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Olha só, não estou falando que pra termos um estilo de vida minimalista a casa tem que estar vazia. Mas ter muitos bibelôs exige tempo e limpeza. É muitas mais fácil e requer muito menos tempo limpar uma estante com três artigos de decoração do que limpar uma estante com dez artigos de decoração, por exemplo. Sem citar que às vezes o ambiente fica carregado com tanta informação. Como lá em casa já tem artigos de decoração o suficiente, não há porque eu comprar mais e confesso que alguns eu até doei. Fiquei apenas com os que me trazem excelentes lembranças. Menos é realmente mais.

7. Óculos não originais

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Eu tinha uns dez. Por favor, né? Eu, tão básica, nunca precisaria de dez. Fui comprando pela moda e nem usava. Eram baratos e eu nem sentia no bolso. Mas aí eles começaram a ocupar espaço demais e apresentavam utilidade de menos. Além de tudo, não eram originais e não me traziam os benefícios que os óculos realmente devem nos trazer: proteção. Resumo: doei quase todos! Fiquei apenas com um preto básico enquanto não acho os óculos originais que vão fazer meu coração saltitar de felicidade ao usá-los. Ou seja, estou planejando essa compra e não agindo pelo impulso ou me guiando pela moda.

Fechando!

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Essa é uma lista pessoal e creio que ela aumentará muito porque o minimalismo é um processo. E esse processo vai evoluindo à medida que temos consciência real do que queremos, de quem somos e do que nos é essencial. O que eu posso dizer com a minha experiência é que hoje eu realmente uso o que tenho e que possuo mais tempo livre pois preciso de menos tempo para organizar minhas coisas e limpar o meu espaço. Eu me preocupo menos também pois tenho muito menos coisas de valor estocadas em casa. Ressalto que não abri mão do conforto em nenhum aspecto. A minha grana simplesmente está sendo melhor direcionada porque ela está sendo investida, e não gasta. Eu estou focando em coisas de qualidade, na minha saúde mental, projetos de longo prazo, em viagens, experiências, lazer e conhecimento.

Ao priorizar e buscar uma vida mais simples, eu descobri que ao contrário do que a mídia diz, eu nunca precisei de muito!

 

Nat Medeiros

Fonte das Imagens: Pinterest

MINIMALISMO: O QUE ME FEZ QUERER TRANSFORMAR A MINHA VIDA

menos é mais.

  • Tudo que é excesso nos desgasta

O minimalismo é um estilo de vida que vem ganhando notoriedade no mundo ao nos fazer repensar o nosso modo de viver. O objetivo é viver menos para coisas e mais para experiências. Não é sobre deixar de consumir, é passar a ter um consumo consciente. Não é sobre deixar de se conectar ou se relacionar com as pessoas, é sobre escolher melhor os nossos relacionamentos, sobre só se conectar ao mundo digital o suficiente, sobre assumir apenas compromissos que nos façam bem e nos levem à evolução. Agora que todo o deslumbre das redes sociais e do consumismo começam a nos trazer desgaste e infelicidade em determinados momentos, somos levados a nos questionar: “Precisamos mesmo de tantos amigos, de tantas roupas e sapatos, de tantos compromissos, de tantos likes e visualizações? O nosso tempo é o nosso bem mais precioso, para onde ele está indo? Investimos a maior parte dele para ganhar dinheiro e comprar coisas que nos fazem ou não nos fazem feliz?”.  São esses questionamentos que começaram a me alfinetar. Eu não descobri o minimalismo por  acaso, descobri por necessidade. No início do ano comecei a apresentar algumas insatisfações com a minha vida, são elas:

  1. O alto número de demandas nas redes sociais. Muitas pessoas me chamando para conversar ou pedir conselhos. Tudo bem você conversar duas ou três pessoas por dia através das redes. Mas quando vinte, trinta pessoas te chamam ou mandam vídeos, áudios e textos, isso se torna bem complicado. Um dia eu parei para contar e se eu fosse responder todas as mensagens, ouvir todos os áudios, ler tudo que me chegava e ver todos os vídeos que me enviavam, eu teria que pedir contas do meu emprego pra poder atender a tudo isso.
  2. O alto número de roupas e objetos que eu possuía. Essas coisas sempre ocuparam muito espaço no meu guarda-roupa. Esporadicamente eu doava quantidades enormes de coisas, até mesmos roupas que eu nunca cheguei a usar. Mas eu escoava isso, porque logo em seguida em comprava mais coisas. Isso tudo se tornou uma preocupação pra mim. “E se roubarem as minhas coisas?”, “E se um dia eu for embora da cidade? Não vai ter como eu levar tudo! Acho melhor eu nem ir porque não quero perder minhas preciosas coisas…”.

Foi bem nessa época que eu li o livro “Clube da Luta”. O livro faz um questionamento bem interessante sobre o consumismo, que pode ser sintetizado em uma frase gloriosa: “As coisas que você possui acabam possuindo você”. Eu super concordei com a frase, mas só isso. Porque eu não estava nem um pouco aberta a adotar a filosofia de vida relatada no livro. Abrir mão do conforto e da segurança definitivamente não eram opção pra mim.

  • O Começo da mudança

Mas, diante essas insatisfações, eu fui fazendo algumas mudanças. Parei de estar tão disponível nas redes sociais. No meu Facebook pessoal até pedi que as pessoas evitassem me chamar no Messenger e Whatsapp. Também fiz uma limpa em meu guarda-roupa. Me desfiz mesmo daquelas roupas que eu nunca tinha usado e achava que ainda usaria um dia. Fiz um brechó para as amigas e consegui cerca de 500 reais com roupas que estavam paradas no meu guarda-roupa. Só que parte desse dinheiro eu acabei usando pra comprar mais roupas, ou seja, eu escoei meu estoque (o que não foi nada minimalista). O lado bom foi que eu acabei comprando somente roupas que tinham muito a ver com meu estilo, que é mais sóbrio (metade das novas roupas eram cinza, a outra metade se dividiam entre preto e branco). E como eu estava praticamente renovando o meu guarda-roupa, eu decidi que compraria um maior, para poder caber as coisas de modo mais organizado e espaçado.

  • O desgaste com as redes sociais e a experiência da morte

Foi nessa época da minha vida também que a minha mãe teve uma piora em seu estado de saúde. Foram três meses vivendo em um hospital. Minha vida se resumia a: casa, trabalho, hospital. Não foi fácil. Eu tive que dar uma pausa nos meus textos. E expliquei o motivo à quem me lia através das redes sociais. Foi bem bacana porque muitas pessoas me mandavam diariamente mensagens de carinho, desejando força. E eu sempre tive o cuidado e a consideração de responder. Mas hoje vejo que me preocupar em sempre responder às mensagens não foi bom pra mim naquele momento. Porque as quase duas horas diárias que eu gastava respondendo às mensagens, poderiam ser dedicadas à minha mãe. Infelizmente ela faleceu no fim de julho e é algo que hoje não posso mudar. O que me conforta é que ela confidenciou antes da sua morte à três ou quatro amigas que estava muito feliz comigo, pois eu estava cuidando muito bem dela. Mas isso não me tira a certeza de que eu poderia ter vivido mais aquele momento. Eu poderia ter feito ainda melhor.

  • Vou comprar um carro! Mas pra quê mesmo?

Após a morte da minha mãe, eu comecei a me questionar: quero continuar vivendo na cidade? Sei que outros lugares poderiam me proporcionar mais oportunidades. Mas tudo ficava no imaginário. Eu não tinha nenhum plano real. Foi nessa época também que eu passei a ter possibilidades concretas de comprar um carro e esse foi se tornando meu plano principal. Voltei para a auto escola e coloquei metas de economia na minha vida, o que foi bem bacana. Sim, ter um carro era o meu objetivo agora. Isso é interessante porque lá em casa praticamente não tivemos carro. Isso me deixava muito frustrada. Eu via meus colegas com pais que tinham carro, meus tios, conhecidos, todo mundo! E não eram raras as vezes em que nós, lá em casa, deixávamos de ir a algum lugar ou evento pela falta de um carro. Mais tarde, vinham as cobranças dos amigos e colegas: “Você tem que juntar dinheiro pra comprar um carro logo”. Sim, eu tinha que juntar dinheiro pra comprar um carro logo. Nisso, foram mais de 25 anos sem carro. Frustante, não é? Mas agora finalmente eu teria condições de comprar um! E foi justamente quando essa possibilidade veio, que eu me perguntei: “Pra quê mesmo eu quero um carro? Porque eu vivi a vida inteira sem um e sei viver muito bem sem. Não sinto falta do que praticamente nunca tive. Além de não ter falta, não sinto necessidade pois moro pertinho do trabalho e dos lugares dos quais mais gosto de ir, sem citar que hoje temos o bom e acessível Uber. Minha casa não tem garagem e eu teria que me mudar de um lugar que é meu, em uma excelente localização, pra ir morar de aluguel só pra poder ter um carro do qual não tenho necessidade. Carro precisa de manutenção, requer grana, necessita lugar para estacionar, traz preocupação e como pontuou um amigo: “Poderia despertar ainda mais a minha ansiedade”. Comprar um carro também não seria a melhor escolha se eu penso em mudar de país no ano que vem, por exemplo. Isso somente travaria meus planos.

  • O que a sociedade quer   X   O que eu quero

Eu caminhei a vida toda para chegar ao momento em que a sociedade dita como indicador de sucesso para finalmente descobrir que esse lugar não atende às minhas expectativas e nem melhora a minha qualidade de vida. Talvez um carro melhore muito a qualidade de vida de quem dependa de transporte público, dependa de terceiros ou atravesse longas distâncias, mas esse não é o meu caso. Definitivamente não! Inclusive há estudos que mostram que determinadas gerações não se interessam tanto em comprar casa ou automóveis, preferem adquirir experiências. Essa diferença de interesse também é muito comum entre culturas e países diferentes. Eu não estou falando que comprar carro é besteira. Mas eu parei de ouvir a sociedade para me entender melhor e vi que os meus anseios diferem um pouco do padrão.

  • Enfim, o Minimalismo!

E foi neste justo e iluminado momento que eu descobri o “Minimalismo”, que é o estilo de vida onde o “Menos” é considerado “Mais”. Aqui não se fala de não consumir, mas fala do consumo consciente: Eu vou comprar só coisas que eu gostarei muito de usar. Eu vou manter na minha casa e na minha vida somente o que é essencial. Bacana, não é? E isso não é sobre o lado material da vida, mas também o lado virtual, social e tantos outros. “Só vou aceitar compromissos em que quero realmente ir”, porque quando dizemos por educação um “Sim” a algo que não queremos muito, estamos dizendo um “Não” a nós mesmos ou a algo que queremos muito. Minimalismo é ter consciência de quem somos. Não é sobre ter dois pares de sapato. Não existem regras. Se pra você é importante ter 12 pares de sapato, ok. Mas que você tenha realmente pares de sapatos que você goste muito de usar, e não pares de sapatos que são lindos mas machucam, que são lindos mas você não usa, que são lindos mas que não combinam mais com o seu estilo. Minimalismo é você reduzir coisas, pessoas, situações e ficar apenas com o que é essencial e te faz muito bem. Mais tempo, mais afeto, mais relações genuínas e profundas, mais grana. Minimalismo no meu conceito é: “Ei, eu quero mesmo ir nesse ritmo, eu quero mesmo estar nesse pódio, isso realmente me traz felicidade e paz?”.

  • O Destralhe – Desfazer-se de coisas que não são essenciais

Acabei percebendo que eu já tinha tendências minimalistas mesmo antes de descobrir esse estilo de vida. Até mesmo as minhas roupas, que se reduzem a jeans, branco, preto e cinza (embora isso não seja uma regra no minimalismo, mas de fato são cores mais fáceis de serem combinadas). A diferença é que depois que descobri esse estilo de vida, eu me conscientizei ainda mais sobre a necessidade e a vantagem de ter somente o que é essencial. E a  mudança é gradual. Eu me desfiz de cerca de 1000 (isso, MIL) objetos nesse último mês. Estou mais leve. Eu li em algum lugar que cada coisa que possuímos nos gera preocupação e requer cuidado. Quanto menos preocupação tivermos, mais livres somos. Ainda há mais coisas das quais quero me livrar. Vou abrir uma lojinha no Enjoei e fazer um novo bazar. Compras daqui pra frente serão planejadas e eu vou priorizar a qualidade e a funcionalidade (lembre-se, minimalismo não é deixar de consumir, é consumir coisas úteis, que vão apresentar boa durabilidade). Um guarda-roupa maior já não é mais o que quero. Meu objetivo agora é reduzir ainda mais o meu armário atual.

  • O Destralhe Virtual e o desejo por apenas aquilo que nos é essencial

Eu também fiz um destralhe virtual. Apaguei do minha nuvem cerca de 4 mil fotos que não são essenciais pra mim. Deixei de seguir cerca de 200 pessoas no Instagram, que são pessoas que eu não conhecia muito ou não tinha muito contato. Apaguei aplicativos acessórios, arquivos que não me servem mais. A experiência da morte da minha mãe me mostrou que não levamos nada dessa vida. Eu quero ter o essencial para viver, para ter mais liberdade de ir e vir, de mudar de cidade, de estado ou de país. Eu quero ter o essencial para viver pois já tive a minha casa assaltada quando morei no Rio Grande do Sul e foi traumatizante perder tanta coisa de valor. Eu quero ter o essencial para viver porque passei a vida toda batalhando para adquirir mais coisas mas percebi que o lugar onde eu queria chegar não é mais o lugar aonde eu quero ir agora. Na minha adolescência eu sofri por não ter roupa para ir para a escola. Eu tinha que esperar a minha irmã chegar da aula no fim da manhã para eu usar a calça que ela tinha usado e ir para a escola à tarde. Quando me tornei salariada, eu comprei tantas e tantas calças para nunca mais passar por aquilo, mas hoje vejo que são somente quatro calças que eu amo usar e então serão quatro calças que eu vou ter no meu guarda-roupa.

  • O Acessório   X    O Essencial

O que eu tinha de mais importante nessa vida eu perdi, a minha mãe. Coisas não têm mais peso em minhas decisões nem importância além do que é devido. Eu quero viver bem, ter segurança, qualidade de vida e lutar pelos meus sonhos, e não somente abrir mão de boas experiências para pagar um carro ou qualquer outra coisa que não me são necessários neste momento. Situações, objetos, roupas, pessoas que não me trazem bem-estar e não são primordiais, não mais cabem no meu mundo. Eu não mais quero o acessório, eu quero somente o essencial.

Nat Medeiros

Desde que nossas órbitas se tocaram

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Não houve tempo para despedir. E pra ser sincera eu acho que nem houve tempo direito pra te sentir. Não da forma como eu gostaria. Uma vida com você teria sido pouco. Uma era e uma galáxia também não teriam proporcionado tempo e espaço suficientes. Tudo isso era aquém do que eu pretendia. Era preciso muito mais para eu considerar razoável.

Você certamente foi o homem mais quebrado que eu conheci. Quebrado porque eram muitas peças, como um quebra-cabeça quase impossível de ser montado. E eu, também muito quebrada, me apaixonei por cada pedaço seu. Mas sabemos que misturar as peças de dois quebra-cabeças tão complexos, dificilmente daria certo. Como separá-las depois do depois? Impossível se eu nem mais me lembrava de como era o antes.

Cada dor que você aparentava sentir, cada dúvida, cada pensamento, cada insatisfação com a vida, cada questionamento… todos os seus cacos ultrapassaram a superfície da minha epiderme e ocuparam um lugar muito mais profundo, que nem mesmo eu sabia que existia. A minha dificuldade seria retirar cada um dos seus cacos quando agora eu suspeitava que eles já eram parte de mim. Até hoje, mesmo depois de tanto tempo, eles estão aqui.

Eu te disse tanto, mais do que disse a qualquer um. Simplesmente porque eu senti mais do que eu senti por qualquer outro. Ainda assim, muito ficou por dizer. E essas palavras me rondam incessantemente como feras em torno de uma presa já vencida. Eu sei que não vou ter paz, mas dizê-las já não faria mais sentido quando elas se referem a um passado cada vez mais distante.

Para então não pronunciar o que não deve ser pronunciado, eu toco em teclas que formam palavras que se aproximam vagamente do que eu deveria ter dito tempos atrás, quando por um acaso qualquer as nossas órbitas se tocaram, modificando a atmosfera de tudo aquilo que eu respiro. Noites, semanas e meses se passaram e eu tento aceitar o fato de que o ar que respirei junto a você um dia eu não vou respirar de novo.

Nat Medeiros

Fonte da imagem: Pinterest

 

A perda daquilo que não se atinge

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Eu sei como é desesperador se pensar que vai perder uma pessoa. Como dá vontade de gritar e fazer qualquer tipo de artimanha para que aquela pessoa fique. A gente se torna irracional, inventa histórias, tudo isso para não perdê-la. Mas a gente perde, e sabe por quê? Porque na verdade a gente nunca teve. A gente nunca tem ninguém e mesmo assim a gente sofre desesperadamente quando alguém que a gente ama vai embora.
Mas por quê a gente sofre por perder o que não se tem? Talvez porque perder o que não se tem seja perder duas vezes. A gente sofre mesmo antes do fim. A gente perde quando percebe que o sentimento não é recíproco. A gente perde quando percebe que ama sozinho. A gente perde quando o outro nãos nos inclui na sua vida, nos seus planos ou mesmo no seu fim de semana. A gente perde a cada dia que passa e a cada noite também. Não há sossego, não há trégua nessa dor da perda daquilo que não se atinge. É cruel. E o ápice da dor nos mostra que talvez a gente tenha começado a perder aquela pessoa no momento em que ela tenha entrado em nossa vida.

 Nat Medeiros

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O ADEUS É INTERROGAÇÃO (E RETICÊNCIAS)…

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Mais difícil que dizer adeus, é manter esse adeus. O adeus não prevê a intensidade da saudade que virá e muito menos por quanto tempo a falta se estenderá. O adeus é vazio e representa um ponto final. Mas a vida é muito mais complexa do que pontos finais. Adeus é ao mesmo tempo a dureza incômoda da interrogação e é também as conflitantes e controversas reticências. Adeus é seguir mesmo sem saber. Sem saber se o amor deixará de existir, se a dor da falta nos dará trégua, se o coração acabará por se acalmar. Adeus é um tiro no escuro que a gente espera desesperadamente que acerte o alvo. O alvo do adeus é o esquecimento. Mas é tudo tão incerto e não há garantias como aquelas que nos oferecem quando compramos um smartphone novo. O adeus é se apoiar na razão, aliás, é muito mais do que isso, adeus é apostar na razão, mesmo sabendo que a qualquer hora o coração pode pôr tudo a perder, ou a ganhar, ao trair o nosso propósito inicial e tentar reverter a decisão que até então era a mais acertada.

Nat Medeiros

Fonte da Imagem: Pinterest

EU QUERO TE DIZER O QUE SINTO MAS EU FAÇO JUSTAMENTE O CONTRÁRIO

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Ontem eu vi você bater a porta e isso partiu meu coração.

Eu sei que foi eu quem disse que deveríamos nos afastar porque éramos incompatíveis e um relacionamento entre nós era improvável. Mas ontem, pela primeira vez, eu quase demonstrei meus sentimentos. Eu quase disse que sentia sua falta, eu quase voltei atrás, eu quase te falei a verdade e mostrei quem eu era. Mas ao contrário disso, eu me afastei por completo pois percebi que você havia se cansado e partido para outra. E foi justamente por isso que eu fugi, sem deixar vestígios, sem me despedir, sem me explicar, sem pronunciar uma palavra sequer, pois uma palavra sequer poderia me trair e fazer você descobrir a verdade.

E a verdade tem sido um tormento pra mim. Os meus sentimentos têm sido um tormento pra mim. E eu fujo mas eu sei que é em vão. Eu desapareço mas o que eu sinto não desaparece. Eu me calo mas o que eu sinto não se cala.

Eu luto contra mim mesma e perco todos os dias. No fundo eu quero te dizer o que eu sinto mas eu faço justamente o contrário.

Nat Medeiros

Fonte da Imagem: Pinterest

A CERTEZA DA SUA AUSÊNCIA PELO RESTO DOS DIAS QUE ME VIRÃO

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A casa que já era grande, agora se tornou imensa. Tudo que a ocupa é silêncio, é vazio e eu não deveria dizer isso, mas me sinto sufocada de dor. A única coisa que ficou é a certeza da sua ausência pelo resto dos dias que me virão. No atestado de óbito: insuficiência respiratória aguda, pneumotórax espontâneo, hipertensão pulmonar, esclerose sistêmica, pneumonia, doença do refluxo gastroesofágico. O quanto você sofreu nesses últimos quatro anos e principalmente nesses últimos três meses. Mesmo assim, a sua vontade de viver era imensa, você fazia mil planos de cursos que ainda iria ministrar. Ainda na quarta passada me disse: “Segunda-feira tenho muita coisa pra fazer, preciso pegar os papéis da minha aposentadoria”. No entanto, hoje é segunda e você não está. Eu tento dormir pra esquecer, mas cada vez que eu acordo me vem um desespero tão grande por saber que não é um pesadelo e que a realidade bate à minha porta. Dói muito saber que se eu chamar “Mãe” não haverá mais respostas. Dói muito saber que ontem eu perdi a minha condição de filha. Dói muito ver a mesa de seis lugares vazia. Dói lembrar do seu sofrimento desde Maio e que você tinha medos que não ousou me confessar. Você tentou me poupar de todas as formas.

Na madrugada de quinta eu sonhei com a minha mãe em pé, grávida. Eu acordei tão triste porque há meses eu não a via em pé, andando. E ela sempre foi tão ativa até a doença. Os últimos dias foram de delirium devido a gravidade do quadro. Você pouco conversava. Suas últimas palavras lúcidas ouvidas por mim foram no sábado à tarde, quando disse às visitas no quarto do hospital: “Vocês estão conversando muito, preciso descansar”. A madrugada de sábado para domingo foi cruel pra você. No domingo, assim que eu soube, voltei ao hospital. Você já estava inconsciente. Sabíamos que não tinha mais jeito. Mas Deus nos deu a oportunidade da despedida. Pudemos ficar com você no quarto a todo momento (e eu agradeço imensamente aos espíritos superiores por isso). Você estava cercada de inúmeras pessoas que a amavam. Quando percebi que sua respiração se tornou lenta, te abracei mais forte enquanto sua amiga e irmã do coração, Marly, orava. Como disse Marly, aquele foi o nosso momento, de nós três, e foi ali que você partiu de um modo tão suave que eu nem percebi. Marly quem disse: “Ela partiu, e ela foi em paz”. Isso me acalentou um pouco porque dentro de mim eu sei que eu poderia ter feito muito mais.

Você dizia que não queria ser velada, que não queria que as pessoas a vissem morta, coisa que eu também sempre disse, afinal, a vaidade sempre foi uma das nossas características mais marcantes. Mas quando morreu, estava tão linda. Tão maravilhosa. Não foi nem preciso que a funerária a maquiasse pois você mesma fez sua maquiagem definitiva. Você era sua própria modelo e foi a pessoa sem vida mais linda que eu já vi. Quase 66 anos de idade, sem nenhuma ruga, com uma pele tão lisa, tão reluzente. Mãe, como você é linda. Todos que se despediram foram unânimes em dizer o quanto você estava maravilhosa. Uma rainha. Altiva. Magnânima. Até o último momento.

Você me deu tantos exemplos de como ser forte, lutadora e principalmente: independente.  Você me criou pra estudar, pra viajar, pra lutar pelos meus sonhos e eu te agradeço muito por isso. Você deixava de fazer tudo pra pagar sozinha a escola de três filhos. Você deixou de realizar os seus sonhos, quando tinha saúde, pra nos proporcionar melhores condições no futuro. Você estudou italiano por anos para conhecer a Itália, sonho este que foi interrompido pela esclerose. Me dói isso. Mas eu quero que você não se prenda ao plano terreno, mãe. Você fez a sua parte como ninguém mais faria.

Obrigada, meu Deus, por ter me dado a oportunidade de trocar as fraldas de uma rainha, por ter aprendido a dar alimentação na sonda, por tê-la carregado em meus braços e por ter retribuído um pouco do MUITO que ela fez.

Vou ficar com as lembranças e me apoiar nelas. Os nossos dias mais felizes. Nós duas, pelas estradas do Rio Grande do Sul, ouvindo Frank Sinatra cantar Yesterday. Ainda estamos lá. Eu sei. (31/07/2017)

Nat Medeiros