“ERA O FRACO QUE DEVIA SER FORTE E PARTIR”

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Como terminar o que ainda nem tinha começado? Como terminar o que dentro de mim ainda vivia e pedia para viver mais? Como dizer adeus se o que eu mais queria era ficar? Como te liberar para outras pessoas se o que eu mais queria era você perto de mim? Como desistir dessa história se o amor que eu sentia ainda não tinha desistido? Como?

Milan Kundera, em a Insustentável Leveza do Ser, disse: “Mas era justamente o fraco que devia ser forte e partir“. E eu sabia que com a gente também tinha de ser assim. Era eu que estava sentindo demais, era eu que tinha todas as células tomadas pelo amor, era eu que transbordava em lágrimas que morriam no travesseiro quando você desaparecia e não me incluía na sua vida. Era eu que deveria dizer um adeus definitivo e seguir em frente, mesmo que aos pedaços. Era eu que tinha que terminar aquilo, pois aquilo somente pra mim tinha começado.

A sua porta estava entreaberta. Nunca fechada. Nunca escancarada. Por ali eu entrara. Por ali outras garotas entravam também. Isso me doía a cada vez eu que respirava. E a cada vez que meus olhos piscavam, lágrimas passaram a cair. Era o fraco que devia ser forte e partir. Eu olhei pra você uma última vez. Olhei com um cuidado absurdo para que você não percebesse a sutileza das lágrimas que salgavam a minha pele, já ferida. Se você me deixasse partir, eu sabia que não poderia mais voltar. Nunca. E eu não voltaria. Eu te olhei, e eu acho que o meu olhar te disse tantas coisas, tinha tanto sentimento ali. Mas aquilo nunca teria significado pra você e você, naturalmente, não fez nenhuma objeção à minha partida. Em silêncio, fechei aquela porta por onde eu havia entrado meses atrás. E ali, naquele momento, apesar de fraca, fui mais forte que o mundo.

Nat Medeiros

Fonte da Imagem: Pinterest

 

 

 

DESCULPE, MAS ELA NÃO É DE BALADA

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Desculpe mas ela não é de balada. Não que isso a faça melhor do que alguém. Não que isso a faça pior. Mas ela tem essa característica que é bem particular dela. E se você quer conhecê-la, isso é um ponto importante que deve saber.

Ela não é daquelas garotas que você vai encontrar na fila da balada usando um salto quinze e com disposição para dançar até o dia amanhecer. Ela não gosta de micaretas e se sente perdida em eventos sociais. Ela possui uma alma mais velha do que o corpo e às vezes gosta de se refugiar em seu próprio quarto. Ela costuma dizer que nasceu na época errada.

Antissocial ela não chega a ser. Porém ela é bem restritiva no que tange aos lugares que frequenta e às pessoas que a rodeiam. Inacessível? Não. Ela só é na dela. Prefere lugares tranquilos que a permitam ser ela, genuinamente ela. Prefere músicas que não a ensurdeçam e que permitam uma boa conversa. Prefere quem a olhe nos olhos enquanto fala, prefere quem se desliga do mundo enquanto a escuta. Pois é assim que ela age também.

Exigente? Sim, ela é exigente, mas ela vai exigir apenas o seu melhor. Ela não se contenta fácil. Conversas vazias no whatsapp nunca a encantaram. Ela não troca a presença de alguém que ela gosta por uma notificação no celular. Inclusive, o seu celular tem ficado mais desligado ou no silencioso.

Inclusive o silêncio é uma outra coisa que ela aprecia. Ela o valoriza pois sabe que o silêncio pode acrescentar mais do que certas palavras. O silêncio permite que ela escute a si mesma. O silêncio já permitiu que ela se curasse também.

Se curasse? Talvez você não perceba, afinal, ela demonstra tanto ser forte, mas ela já esteve quebrada por dentro, com a dor invadindo o seu coração e todos os espaços da sua alma. Ela já se doeu porque se doou. E no fim das contas, o amor que a faz sonhar a fez chorar também. Mas ela se refez. Não se refez indo a baladas ou beijando outros caras. Ela se refez cuidando de si mesma, cultivando seus silêncios e respeitando a sua dor. Se embebedando de livros e filmes na Netflix. Foi exatamente assim que ela se curou. E foi assim que ela aprendeu que errado não é amar o outro e sim deixar que o amor ao outro nos faça esquecer de amar a nós mesmos.

Então, se um dia você encontrar essa garota por aí eu te dou um conselho: não a deixe partir. Eu te garanto que ela pode mudar o rumo da sua vida, e para o bem. E ela anda pelos lugares mais comuns de se achar: na farmácia, na fila do supermercado, no curso de inglês, na livraria ou simplesmente tomando um açaí. Se você conseguir conquistar a confiança dela, ela te dará o seu coração em retribuição. Ela não vai te acompanhar em baladas mas será sua confidente, vai permitir que você conheça uma sensibilidade que talvez ninguém tenha conhecido. Você vai descobrir que a cara de séria dela esconde uma mulher-menina, brincalhona e que vai te fazer rir nos momentos mais inimagináveis. E ela vai querer dançar, mas só com você.  Dê a ela segurança e ela te dará o mundo.

Nat Medeiros

Fonte da imagem: Pinterest

UMA DOSE DE AMOR PRA CURAR UMA DOR

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E no meio do turbilhão, a vida me envia um pouco de paz. Quando perdi meu chão, você apareceu me oferecendo o céu. Você se lembra de todos os detalhes. Eu não me lembro de detalhe nenhum. Eu estava aérea… Mas me lembro de todas sensações. A sensação de estar segura. A sensação de estar com uma alma afim.

Você apareceu durante um vendaval em minha vida: quando eu descobri a verdade sobre alguém de quem muito gostei. E essa verdade me feriu fatalmente. Devido a fatos que prefiro me abster de citar, foi traumático pra mim. Era um momento que tinha tudo pra me fazer desacreditar do amor, mas você me abraçou de uma forma em que eu me senti protegida. Mesmo sem te conhecer tanto, estar ali naquele momento, ao seu lado, era o melhor lugar.

Você me chamou de Esfinge, pelo meu modo de te olhar, disse que leu Misto Quente de Bukowski e eu novamente fui ao céu. Não é todo dia que a gente encontra um cara de barba perfeita, que lê Bukowski e ainda cite páginas de poesia. Talvez você não tenha percebido, mas naquele momento eu tive certeza do que eu queria. O que eu queria estava bem diante dos meus olhos e eu me perguntei porque demorou tanto pra esse momento acontecer.

Falamos sobre Game of Thrones. Eu te dando spoiler sobre Brienne e Tormund e você dizendo que queria que ela ficasse com o Jaime. E ali você me ganhou de novo. Um homem sem medo de demonstrar sentimento. Se teve uma coisa que eu aprendi nesses últimos meses foi que homem que não demonstra sentimento é porque não gosta o suficiente ou porque não gosta o suficiente. E isso causa dor. E pra curar uma dor, só uma dose de amor.

Só que você foi muito mais do que uma dose. Porque uma dose acaba e você ficou. Quando dias depois te contei sobre o episódio traumático da minha vida, você disse: “Mulher, não tenha medo. Levante a cabeça e lute. Eu vou cuidar de você.” E aí que eu fui entender, você não estava comigo pelas metades, você estava comigo por inteiro.

O problema é a gente que, às vezes, se acostuma com pouco achando que é muito, mas quando cai em si percebe que na verdade não era nada do que imaginou. E enquanto nos apegamos àquele amor mais ou menos, que nos leva de forma mais ou menos, a gente acaba minando as chances de encontrar o amor pleno, aquele que a gente realmente merece. O que tem defeitos, sim, mas que também nos faz querer ser melhor, lado a lado, constantemente, diariamente.

Sobre aquele dia, em que a gente se abraçou pela primeira vez, eu aprendi que a gente nunca sabe sobre as barras que vai enfrentar nas próximas horas, mas também que a gente nunca sabe sobre a luz que vai aparecer no meio do caminho e iluminar tudo. Meu Sol. Sou sua Esfinge. Talvez só até a próxima semana. Mas quem sabe, quiçá, até a próxima Vida. Te quero beber em mil doses de amor.

Nat Medeiros

Publicado originalmente em: Superela

Fonte da Imagem: Pinterest

TODOS OS DIAS O SEU SILÊNCIO ME DIZ QUE EU FIZ O CERTO AO ME AFASTAR

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Eu sempre tive certeza que a decisão que eu tomei era mesmo a mais acertada. Mas às vezes, principalmente no início, eu me pegava me questionando: “E se…?”. E se eu tivesse feito diferente, e se eu não tivesse demonstrado tanto, e se eu tivesse dividido a atenção que eu oferecia a você com um outro alguém? E se eu tivesse sido menos exclusiva, e se eu tivesse te tratado como alguém sem tanta importância pra mim? E se eu tivesse te amado menos?

Nós nunca sabemos o impacto que alguém vai causar em nossas vidas até que abrimos a porta e deixamos aquela pessoa entrar. O fato é que eu quase fechei a porta pra você. Foi por muito pouco que não te ignorei como forma de finalizar aquele nosso primeiro contato. Quando você pediu meu telefone, eu tive o impulso de te excluir, mas ao contrário disso, te ignorei. Fiquei dois dias sem te responder, eu não sabia o que fazer. Por fim, num impulso, te mandei meu número já pensando nas desculpas que eu haveria de te dar para te ignorar sem culpa.

A vida nos surpreende e ela me surpreendeu muito quando causou o nosso encontro. Não foi no primeiro nem no segundo encontro que eu me apaixonei. Mas desde a primeira vez que conversamos pessoalmente, eu percebi que ali havia uma mente pensante e eu sempre me atraí muito por pessoas inteligentes. Ao te conhecer melhor, sentimentos surgiram. Com o tempo, evoluíram. Me envolvi, relutei, mas por fim me entreguei e  posso dizer que foi um caminho sem volta. Te amar menos era impensável, ter sido menos exclusiva do que fui não era alternativa pra mim. Eu nunca me envolvi com mais de uma pessoa simultaneamente. E agora que eu amava alguém eu iria fazer isso? Esse tipo de jogo não cabia na minha vida. Se eu te perdesse, que fosse por amar demais e nunca por valorizar de menos. Eu não estava disposta a errar. Não com você.

Mas nenhuma relação depende apenas de uma só pessoa. E com o tempo eu fui obrigada a encarar a verdade: você não queria ser amado, pelo menos não por mim. E amar alguém que não quer ser amado é mais que arriscado, é atestado de sofrimento. Apesar de tudo, eu ainda estive disposta a ficar ali. A tentar transpor barreiras. Mas de onde eu tirava obstáculos, você construía muros. Nós dois não tínhamos os mesmos objetivos, um dia você disse. E você disse nada menos que a verdade. Eu terminei aquilo porque não havia caminho mais acertado que o fim.

Por mais que eu tivesse certeza desta decisão, como eu disse, às vezes me perguntei se aquilo era o melhor (era o mais certo, mas seria o melhor?). Procurei nas músicas, nos livros e nos astros resposta para os meus questionamentos. Em vão. Nada me respondia. Meses se passaram sem que eu encontrasse esclarecimento. Foi só então que eu percebi que meses se passaram e você se manteve calado. E o seu silêncio dizia tudo, ele era a resposta que eu precisava. O seu silêncio me mostrou todos esses dias que eu fiz o certo ao me afastar.

Nat Medeiros

Fonte da Imagem: Pinterest

SEI O QUE QUERO, SOU DECIDIDA!

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Talvez um dos meus maiores erros seja acreditar no amor. Talvez um dos maiores acertos, também. Ser romântica já me custou muitas noites de sono, mas preciso admitir que igualmente deixou muitos dos meus dias mais vivos e ensolarados. Mesmo aqueles  dias mais nublados.
O preço de ser intensa é sofrer mais, disso eu não tenho nenhuma dúvida. A dádiva de ser intensa é sentir mais, é possuir cores mais fortes, é amar mais também. Isso quase me mata em algumas ocasiões mas me faz renascer em outras, muito mais resistente. E apesar de intensa, devo admitir que não sou uma pessoa segura, na verdade, eu sou cheia de inseguranças. Tenho muitos defeitos, mas sou bem decidida. Eu sei exatamente o que eu quero e o que eu não quero. Quem eu quero e quem eu não quero. Geralmente, ou eu estou envolvida até a alma com um único alguém ou eu estou sozinha, com o coração pacífico e desértico.
Estar com alguém não pode ser autoafirmação, jogo ou manobra pra enganar a carência; ainda mais pra alguém que aprendeu a se bastar com a sua própria companhia. Estar com alguém tem que ser mágico, transcendente. Se minha alma e meu coração não estiverem ali, eu também não posso estar. Devo me liberar e liberar o outro. Nada mais justo. O mesmo ocorre quando o meu coração e a minha alma estão, mas a do outro não. Eu não posso me agarrar a alguém que não sente o mesmo que eu. Porque, aos trancos e barrancos, aprendi que o amor não deve estar onde ele não poderia sobreviver. Porque aí já seria autoengano.
Ser decidida é ter coragem de lutar por aquilo que faz nosso coração arder, mas também é ter a firmeza de finalizar aquilo que não evoluiria, aquilo que não depende só da gente. É saber o que quer, e saber desistir do que se quer quando o outro não quer também. Confesso que nem sempre eu soube disso. Hoje eu sei.

Nat Medeiros

Fonte da Imagem: Colab55
Artista: David

APARECEU UMA ESPERANÇA NA MINHA JANELA

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Apareceu uma esperança na janela do meu quarto. É outono e apareceu esta esperança silenciosa e quieta, verde e magnífica, como se estivesse mergulhada em paz. Curiosa como sou, fui pesquisar sobre a sua vida. Foi quando eu soube que ela dura apenas um verão. Ao vir o inverno, vem o frio e este, por sua vez, causa a morte da esperança. A sua brevidade, apesar de assustadora, é bonita. Antes de morrer, ela deixa ovos, que se transformam em filhotes na primavera e alcançam seu ponto alto no verão. É cíclico. Todo fim traz a dor, mas com ele vem também a possibilidade de recomeço. Talvez aquela esperança tenha vindo me lembrar isso. Para termos novos começos, precisamos viver os finais.

Nat Medeiros

Fonte da Imagem: meu celular, rsrs

AMOR NÃO É TER, É SER (CONFISSÕES DE NAT)

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Abir mão de você e daquilo que eu era quando eu estava com você, seria desafio demais pra mim. Eu só conseguiria fazê-lo quando o amor fosse tão grande que ele me desse coragem pra dizer adeus. Paradoxo. Talvez, e isso me vem à cabeça somente agora, você tenha achado que naquele dia em que eu optei por darmos um fim, eu tivesse deixado de gostar de você ou até mesmo que eu estivesse gostando de outro alguém. Mas não. Naquele domingo em que decidi encerrar a nossa história, foi o momento em que eu mais te amei. Eu nunca quis tanto dividir a minha vida com você, eu nunca quis tanto estar ao seu lado. Eu nunca quis tanto ser melhor e estar melhor para dividir somente o bem com você. Mas eu sabia que aquele amor, por mais grande que fosse, não seria o suficiente para abrir aquela porta. A porta que se manteria fechada pra mim acontecesse o que acontecesse. Então, num impulso, com três doses de dor e de coragem, te disse adeus. Eu abri mão dos nossos encontros semanais por noites regadas a lágrimas. Eu abri mão de te olhar antes de dormir para olhar a tela do meu celular enquanto o sono não vinha. Meu frio celular que agora me mostrava você seguindo sua vida a cada dia, e a cada dia mais longe de mim. Eu abri mão de te amar tão perto para agora te amar à distância. Em silêncio. Até o meu choro se tornou silencioso, por incrível que pareça. Eu já havia lutado muito pelo amor que eu sentia até que eu entendi que a maior provação desse amor seria agora desistir, pois você não sentia o mesmo. E aquilo que eu sentia não deveria te aprisionar, pelo contrário, deveria te libertar para outros caminhos. Assim eu não estaria provando que eu era uma pessoa madura, nada disso. Assim eu estaria apenas e finalmente entendendo que o amor não precisa da matéria e da física para existir. Mesmo sem te ver, sem te tocar, mesmo sabendo que agora, neste exato momento em que escrevo essas linhas, você possa estar com um outro alguém, mesmo assim eu continuo te amar. Eu acho que pela primeira vez eu sei o que é amor genuíno, sem posse. O amor é luz que ilumina e cura a dor que fica ao ter que se dizer adeus. Amor não é ter, é ser. Eu estou em catarse.

Nat Medeiros

Ilustração: Kathrin Honesta

Fonte da imagem: Pinterest

ESTAR FELIZ E SOLTEIRA ME ENSINOU A SER MAIS EXIGENTE

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Em relação ao amor, hoje sou menos iludida, mas também muito mais criteriosa. Não que eu tenha desistido deste sentimento, mas aquela empolgação juvenil e até inocente já não existe mais.

O X da questão é que já vivi situações o suficiente para perceber que relacionamento amoroso não envolve só sentimento. Envolve diferenças, envolve família, envolve vizinho, cachorro, smartphone e papagaio. Dois deixam de ser dois e passam a ser um número incontável de gente, torcendo por sua felicidade ou não. Envolve paciência, pressão, frustração, desconfiança. Claro que envolve também coisas maravilhosas, como vida compartilhada, companheirismo, afeto, amor, confiança.

Eu me lembro muito bem quando eu tinha 15 anos e sonhava em namorar. Achava que era o melhor que me poderia acontecer na época, mas não aconteceu… Fiquei frustrada, mas fui levando. Quando eu finalmente tive um relacionamento mais profundo posso dizer que a vida me deu um tapa na cara.

Namorar não era nada daquilo que eu criava fantasiosamente. Não fiquei amarga ou desesperançosa. Fiquei realista.

Hoje, após alguns relacionamentos profundos e aos 27 anos, eu vejo o quanto ser solteira representa liberdade e aprendizado pra mim. Não tenho medo de ficar sozinha em casa em pleno sábado à noite. Não tenho medo de ir a eventos sociais sem um cara a tiracolo. Eu construí a vida com os meus passos. Um atrás do outro, aos trancos e barrancos. Mas hoje eu sou eu. Natália. Quem entrar na minha vida não será o protagonista pois a protagonista já existe. Quem entrar na minha vida se tornará referência e não a coordenada. A recíproca, é claro, é verdadeira.

A questão é que as frustrações me ensinaram a me amar mais, a valorizar mais meus momentos comigo mesma. Estar feliz e solteira me ensinou a ser mais exigente. E alguém para adentrar no meu mundo tem que fazer por merecer. Se ficar com joguinho, se ficar com palavras fartas e atitudes vazias eu, simplesmente, perco o interesse.

Eu gosto tanto de escrever, eu gosto tanto de estar e conversar comigo mesma que não dá pra trocar isso aqui por um “Oi, gata” ou pior: “Oi, sumida” sendo que sumida eu nunca fui. Não dá para trocar assistir Downton Abbey na Netflix por uma conversa superficial ou sem afinidades.

Só vai entrar na minha vida quem realmente merecer. Porque vida é mais íntimo que quarto, vida é mais íntimo que cama. As pessoas costumam relacionar intimidade com sexualidade. Mas intimidade é sonho, é medo, é esperança, é falar do passado, da infância, é planejar um futuro, é olhar juntos para a mesma direção. Intimidade requer tempo, requer dedicação, requer interesse profundo. Intimidade é oposto de superficialidade. Intimidade não é saber a cor da calcinha ou do sutiã. Intimidade é saber a cor dos sonhos, a cor dos olhos quando choram, a forma exata dos lábios quando sorriem. Intimidade não é ver alguém de lingerie… Isso você pode ver a qualquer momento, com alguém que você conhece há muitos anos ou há poucas horas. Intimidade não é ver alguém se despir das roupas. Intimidade é ver alguém se despir das barreiras, dos medos, das suas verdades incontestáveis, das suas certezas absolutas. Intimidade é a entrega, mas não a entrega do corpo. Intimidade é a entrega mais difícil: a entrega da alma e do coração.

Nat Medeiros

Publicação original: Superela

RESPEITE SUA TRISTEZA

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Se eu pudesse te dar um conselho hoje seria: respeite a sua tristeza. Respeite sua tristeza porque ela é um sentimento natural. Respeitar algo que se está sentindo é o mesmo que se respeitar e que se acolher.

Não somos obrigados a sentir alegria todos os dias. Há dias em que tudo que queremos é manter silêncio e um certo isolamento da sociedade. E não há mal nenhum isso. Não somos seres estáticos que possuem apenas um tipo de emoção. Somos seres vivos, em constatante mutação, vivendo situações diferentes e convivendo com pessoas diferentes todos os dias. As emoções fluem e se transformam. Cedo ou tarde a tristeza virá e ela deverá ser ouvida e respeitada. Quanto mais a menosprezarmos, mais difícil será lidar com ela.

Mas confesso que nem sempre eu aceitei estar triste. Nem sempre eu aceitei esse estado de espírito em minha vida. Foram inúmeras as vezes em que ela se instalou em meu peito e eu me obriguei a ir  em direção à multidão como forma de me convencer que “estava tudo bem”. Resultado? Eu só voltava pra casa pior porque chorar dói mas forçar um sorriso quando não se quer sorrir é ainda mais incômodo. Vestir máscaras pesa muito na alma da gente. Ressalto que estou falando de tristeza, não de depressão que é uma doença séria, onde a tristeza persiste e se alonga, exigindo diagnóstico e tratamento. (Estar triste é bem diferente de ser triste e precisamos nos atentar a isso para levarmos uma vida mais saudável).

Em uma sociedade que nos obriga constantemente a expor nas redes sociais felicidade nem sempre genuína, é um ato de coragem admitir: estou triste. Eu fiz isso recentemente, deixei de esconder uma tristeza que veio me visitar, eu a assumi e estive disposta a aprender o que ela veio me ensinar. O resultado disso? Ainda não sei, ainda estou sendo sua aprendiz. Mas pessoas ótimas vieram dizer que estão comigo e estariam disponíveis se eu precisasse. Talvez uma das lições que a tristeza veio me ensinar é de que não preciso fazer tudo sozinha, que há pessoas legais nesse mundão e que baixar a guarda às vezes pode ser muito bom.

Então, novamente, se eu puder te dar um conselho, seria: se a tristeza te visitar, ouça o que ela tem a te dizer. Geralmente ela nos ensina mais do que a alegria e pode ser justamente ela quem vai nos orientar a sair de uma situação que não vem dando certo há algum tempo. Além disso, sentir tristeza, assim como qualquer outro sentimento, nos faz lembrar que estamos vivos.

Nat Medeiros

Fonte da Imagem: Pinterest

TUDO QUE RESTOU DE NÓS FOI SILÊNCIO

Quando eu achei que estávamos vivendo o nosso auge, eu descobri que aquele deveria ser o nosso fim. E por mais que eu quisesse me agarrar àqueles momentos, dentro de mim eu já sabia que eles agora compunham um passado, e que me agarrar a esse passado só iria gerar mais sofrimento.

Todo auge vem acompanhado do seu declínio e com nós dois não haveria de ser diferente. Os dias em que eu adormeci ao seu lado, deixando o meu coração e os meus sonhos à sua mercê, foram sucedidos por noites solitárias acompanhadas de lágrimas. Me doía saber que a sua vida ia seguir sendo a mesma sem mim. Me doía muito saber que você nunca iria fazer questão de um laço entre nós. Me doía me afastar cada vez mais da sua vida e te ver nada fazer para impedir esse afastamento. Me doía ver o seu mundo continuar girando e o meu estar aos pedaços. Me doía não sentir mais a sua pele e nem o calor das nossas brigas. Me doía o fato das nossas vozes terem se calado e do céu continuar azul embora tudo dentro de mim fosse cinza. Tudo que sobrou de nós foi silêncio. O silêncio mais ensurdecedor já ouvido. Sem ter voz para falar, me restou apenas escrever para quem sabe encontrar a cura daquilo que já foi um dia o maior amor do mundo.

Nat Medeiros

Fonte da Imagem: Pinterest