Fragmentos de Inverno

fragmento
substantivo masculino
  1. 1.
    pedaço de coisa que se quebrou, cortou, rasgou etc.
  2. 2.
    parte de um todo; fração.
inverno
substantivo masculino
  1. 1.
    estação mais fria do ano, que se situa entre o outono e a primavera.

21 de Junho de 2018, Inverno

Errada por tentar de novo. Errada por acreditar uma vez mais. Errada por dar os mesmos velhos passos esperando um novo final. Errada. Não há justificativas que amenizem o meu erro de seguir o coração repetidamente. Esse coração forte e teimoso mas extremamente frágil que eu trago no peito.

Errei ao novamente me deixar levar pela direção contrária da razão e do bom senso. Eu queria poder dizer que com todo erro se aprende, mas a única constatação é que a cada vez que eu fui, em mais pedaços eu voltei. Pedaços esses que já não sou capaz de juntar.

Eu olho por essa mesma janela onde juntos, uma vez, há muito tempo, visualizamos um horizonte e mais do que um horizonte, vislumbramos um futuro e hoje apenas nuvens me cercam, me impossibilitando a visão de um todo. Meus dias se repetem sem surpresas e sei que, distante, um novo mundo se abre pra você. E preciso confessar, isso ainda é difícil pra mim. Olhar pela janela é difícil quando sei que apesar de o Universo ser imenso, o que eu sinto por você não tem lugar.

E o silêncio me acompanha juntamente com a falta de respostas. Eu procuro em músicas, sonhos, vinhos e previsões de horóscopo algo que me conforte quanto a essa separação e a esse silêncio. Mas parece que nada é suficiente para explicar uma pessoa que parte e um sentimento que fica. Por que nosso encontro foi sucedido de desencontros? Não era mais fácil nada disso nunca ter tido um início? Mas o Universo onde não cabe o que eu sinto é o mesmo Universo que se mantém em silêncio enquanto perguntas ecoam dentro e fora de mim. Sem respostas, nesse inverno frio que hoje se inicia, apenas constato que o amor é sentir muito e mesmo assim, quase sempre, não saber de tudo…

Escrito por Nat Medeiros

Fotografia: @Jumpsweet

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FOI NÃO ME AMANDO QUE APRENDI A ME AMAR

É preciso se amar, é preciso cair fora de relacionamentos que não nos deixam felizes, é preciso desistir de quem não nos é recíproco. São muitos os mandamentos para ser uma pessoa bem resolvida e com amor-próprio. Eu leio frases como essas diariamente (e até já as escrevi). Mas e na prática? É tão fácil assim ser essa pessoa que se ama acima de todas as coisas?

A verdade é que ninguém nasce pronto. A gente aprende praticando, dando cabeçada e consequentemente, errando. Basta lembrar de quando aprendemos a escrever. No início parecia impossível. Foi necessário muito treino e dedicação para que um dia finalmente pudéssemos falar: sei escrever.

Em se tratando de relacionamentos, a dinâmica ainda é mais complexa pelo simples fato de envolver pessoas e emoções. Eu escrevo textos com algumas das minhas vivências e aprendizados e às vezes ouço que meus textos são inspiradores, que eu pareço ser uma pessoa forte e bem resolvida, que coloca pra correr todo e qualquer ser humano que não me trate como mereço ou que não seja recíproco ao que sinto. Mas a verdade é que sou humana e estou em constante aprendizado. Já houve situações em que dei muito mais valor do que fui valorizada, já amei muito mais do que fui amada, já acreditei e apostei naquela relação quando o outro não estava nem aí.

A culpa seria minha por me permitir receber tão pouco? A culpa seria do outro por não dar fim em algo que claramente não era tão importante pra ele assim? Creio que não existam respostas prontas para essas perguntas. Essas situações foram necessárias para a minha evolução, para o meu aprendizado, para a construção de quem sou hoje.

É preciso passar por situações críticas para que enfim sejamos melhorados. Tudo vai depender de como lidamos com isso e do que fazemos com isso. Se você acredita em uma relação, é necessário que você aposte nela e que você a viva. Receitas prontas muitas vezes nos impedem de vivenciar algo que precisa ser vivenciado para que haja realmente uma evolução interior.

No fim das contas, aquele relacionamento onde só eu amava e me colocava inteira, acabou por si só. Não por jogo. Não porque eu li em algum lugar que se o cara não valoriza, a gente tem que cair fora, mas porque eu me permiti ver com meus próprios olhos e me permiti sentir, com meu próprio coração, que aquilo não tinha futuro e nem me era satisfatório. E eu acredito muito que somente quando isso vem de dentro é que a gente consegue mesmo se desprender de algo ou alguém. Opiniões de fora ajudam, mas não nos fazem esquecer ninguém.

Eu poderia dar mil conselhos sobre como ser bem resolvida no amor. Mas acredito piamente de que temos que “experenciar”. Foi só ficando dias no vácuo que eu entendi o valor da disponibilidade afetiva. Foi só estando em uma relação não assumida que eu entendi que ser assumida é uma forma de valorizar e até respeitar o outro. Foi só percebendo o interesse do outro por outras pessoas é que eu vi que eu merecia fidelidade e segurança emocional. A partir daí, o fim (da relação e do meu interesse naquilo) foi apenas uma consequência.

Resumindo, o que o outro me ofereceu foi pouco. E a princípio me contentei com esse pouco, afinal, eu gostava tanto. Mas logo esse pouco já não me fazia bem. E é justamente nesse momento que a gente tem a oportunidade de exercer o amor-próprio. (Porque o amor-próprio não é algo que se vem pronto em uma caixinha, a gente escolhe se o exerce ou não). Eu optei por estar comigo mesma porque era preferível estar só comigo mesma a estar sozinha em um relacionamento a dois. Não aprendi isso do dia pra noite. Pra ser bem sincera com quem me lê, demorei muito mais do que gostaria. Talvez porque naquele momento os meus sentimentos pelo outro fossem maior do que os meus sentimentos por mim mesma. Mas aprendi. Foi não me amando, que aprendi a me amar. Como a hipertrofia dos músculos, o amor-próprio vem com treino e muitas vezes com dor. Basta que estejamos aberto ao novo, às mudanças e que saibamos que para se ter aquilo que julgamos merecer, precisamos passar pelos caminhos íngremes e tortos. Passar por caminhos íngremes e tortos, friso, o que é bem diferente de estacionar nesses mesmos caminhos. Pois é só abrindo mão do que nos machuca é que estamos livres para alcançar aquilo que verdadeiramente merecemos.

Nat Medeiros

Fonte da Imagem: Pinterest

MEIAS-VERDADES MACHUCAM POR INTEIRO

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Em um mundo onde apenas meias-verdades são ditas, jogar com a verdade é arriscado. Louco é aquele que se lança de alma e coração. Sem armaduras ou subterfúgios. Eu me lancei. Eu poderia dizer que agora estou triste e que perdi um pedaço de mim. Não estaria mentindo e essas lágrimas que agora correm em meu rosto em plena tarde de uma segunda-feira cinza não negariam. Mas o fato é que eu estou aliviada. A outra metade da verdade, aquela que você escondeu por mais de um ano, finalmente apareceu. E eu… Bom, a verdade é que eu quase desabei com sua justificativa tão pequena, tão parca. Confesso. Mas então eu olhei pra mim mesma e me vi inteira, íntegra. Senti alívio. Como disse alguém antes, eu detestaria ser aquela que causou algum sofrimento a outrem. Prefiro ser a parte que corre o risco de ser ferida porque essa parte é sempre a mais viva. É sempre a mais livre. É sempre a mais generosa e altruísta.
Consciência… Era algo que você dizia tanto prezar e no final das contas, a sua estava longe de ser o que você dizia.
Eu, ao contrário, via tantos defeitos em mim mesma, me achava tão pouco, me sentia menor de alguma forma por não ser o modelo padrão de personalidade esperado por uma sociedade cada vez mais fria, líquida e equilibrada. Mas no fim das contas, eu é que fui autêntica do início ao fim. Sem dizer meias-verdades para me beneficiar de alguma forma.
Lembra quando através da carta da Leslie, em “A Ponte para o Sempre”, eu te disse que aprendi muito com você? Mas, no fim de tudo, o que você melhor me ensinou, de forma dura, foi a não ser como você. E devido a isso, te agradeço. Te agradeço até a noite virar dia, que se tornará noite novamente, e assim, sucessivamente até que esse mês deixará de ser esse mês. E um dia esse mundo deixará de ser esse mundo. Mas eu sei que as nossas consciências ainda existirão em algum lugar. E a minha se manterá livre. Certamente, em paz.
Lágrimas doem mas secam. Meias-verdades são um pouco mais amenas mas machucam por inteiro. Eu só queria que você soubesse que não sou apenas um corpo. Eu sou um coração que agora sangra, eu sou uma alma que agora está imersa em bruma. Eu só queria entender o porquê de não me ter dito o segundo motivo, a verdade inteira, antes… Eu só queria entender por que não ser franco quando já éramos íntimos. A carne não é nada, isso tudo um dia se esvai e foi por ela que você feriu minha alma e meu coração.
E ao mundo, se eu pudesse pedir alguma coisa, seria que eu não mais esbarrasse em alguém como você. Porque agora eu estou descrente, mas antes… bom, antes eu achava o amor… mágico.

Natália Medeiros

Fonte da Imagem: Google

ESSA MOÇA É DIFERENTE

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Ela pode até não parecer, mas é uma moça vulcânica no sentir. Equilibrada no falar. E um tanto quanto reservada no demonstrar. Sim, às vezes ela tem medo de deixar à mostra o que guarda lá dentro. Ela aprendeu a se conter como forma de não sofrer muito. Ela é profunda, mas é sensata.

Essa moça, às vezes, frequenta multidões, mas é em lugares pacatos que ela gosta mais de estar. Onde seus pensamentos podem ganhar voz, sem julgamentos e impedimentos. Ela não faz questão de que a aceitem. Mas não abre mão de que permitam ser ela mesma, sem máscaras. Afinal, é nisso que consiste a essência do ser. Pra ela, não há razão em estar aqui senão for pra ser quem realmente se é.

Ela, às vezes, me confunde pois possui traços de delicadeza com um quê de fortaleza. Dentro dela existem sonhos tão leves e simples, tão belos e raros que eu quase acredito que estou em um filme francês ao cruzar o meu caminho com o dela. Simultaneamente, ela é a intensidade de um filme de Almodóvar, ela é a presença de alguém que chega e se nota.

Poesias, músicas, livros e versos são apreciações que ela possui. Ouso dizer que Los Hermanos canta alguns dias da sua vida, mas é de Chico Buarque, (Ah, Chico!) que ela gosta mais.

E por falar em gostar, quando ela gosta, ela tem certezas, jamais dúvidas. No silêncio dos dias de solitude, ela aprendeu a se conhecer. Ela não ignora o que diz suavemente o coração. Embora seja fato que ela também tenha medos. Ainda assim, essa moça opta por escutar o que vem de dentro já que o quem vem de fora muitas vezes não vai de encontro à sua alma. E pelo que eu percebo é a sua autenticidade que vai levá-la além.

É no silêncio do quarto que ela encontra a si mesma. É na multidão que às vezes ela se sente só. É no mar ou na cachoeira que ela se diverte. É o barulho da chuva que mais a encanta. Há quem diga que ela é fechada, inacessível… Mas ela é apenas alguém que valoriza sua intimidade. É pra poucos e bons que ela se abre. É pra ainda mais poucos que ela se doa. Por fora ela é até comum, mas por dentro… Ah, por dentro ela é diferente!

Nat Medeiros

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“ERA O FRACO QUE DEVIA SER FORTE E PARTIR”

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Como terminar o que ainda nem tinha começado? Como terminar o que dentro de mim ainda vivia e pedia para viver mais? Como dizer adeus se o que eu mais queria era ficar? Como te liberar para outras pessoas se o que eu mais queria era você perto de mim? Como desistir dessa história se o amor que eu sentia ainda não tinha desistido? Como?

Milan Kundera, em a Insustentável Leveza do Ser, disse: “Mas era justamente o fraco que devia ser forte e partir“. E eu sabia que com a gente também tinha de ser assim. Era eu que estava sentindo demais, era eu que tinha todas as células tomadas pelo amor, era eu que transbordava em lágrimas que morriam no travesseiro quando você desaparecia e não me incluía na sua vida. Era eu que deveria dizer um adeus definitivo e seguir em frente, mesmo que aos pedaços. Era eu que tinha que terminar aquilo, pois aquilo somente pra mim tinha começado.

A sua porta estava entreaberta. Nunca fechada. Nunca escancarada. Por ali eu entrara. Por ali outras garotas entravam também. Isso me doía a cada vez eu que respirava. E a cada vez que meus olhos piscavam, lágrimas passaram a cair. Era o fraco que devia ser forte e partir. Eu olhei pra você uma última vez. Olhei com um cuidado absurdo para que você não percebesse a sutileza das lágrimas que salgavam a minha pele, já ferida. Se você me deixasse partir, eu sabia que não poderia mais voltar. Nunca. E eu não voltaria. Eu te olhei, e eu acho que o meu olhar te disse tantas coisas, tinha tanto sentimento ali. Mas aquilo nunca teria significado pra você e você, naturalmente, não fez nenhuma objeção à minha partida. Em silêncio, fechei aquela porta por onde eu havia entrado meses atrás. E ali, naquele momento, apesar de fraca, fui mais forte que o mundo.

Nat Medeiros

Fonte da Imagem: Pinterest

 

 

 

DESCULPE, MAS ELA NÃO É DE BALADA

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Desculpe mas ela não é de balada. Não que isso a faça melhor do que alguém. Não que isso a faça pior. Mas ela tem essa característica que é bem particular dela. E se você quer conhecê-la, isso é um ponto importante que deve saber.

Ela não é daquelas garotas que você vai encontrar na fila da balada usando um salto quinze e com disposição para dançar até o dia amanhecer. Ela não gosta de micaretas e se sente perdida em eventos sociais. Ela possui uma alma mais velha do que o corpo e às vezes gosta de se refugiar em seu próprio quarto. Ela costuma dizer que nasceu na época errada.

Antissocial ela não chega a ser. Porém ela é bem restritiva no que tange aos lugares que frequenta e às pessoas que a rodeiam. Inacessível? Não. Ela só é na dela. Prefere lugares tranquilos que a permitam ser ela, genuinamente ela. Prefere músicas que não a ensurdeçam e que permitam uma boa conversa. Prefere quem a olhe nos olhos enquanto fala, prefere quem se desliga do mundo enquanto a escuta. Pois é assim que ela age também.

Exigente? Sim, ela é exigente, mas ela vai exigir apenas o seu melhor. Ela não se contenta fácil. Conversas vazias no whatsapp nunca a encantaram. Ela não troca a presença de alguém que ela gosta por uma notificação no celular. Inclusive, o seu celular tem ficado mais desligado ou no silencioso.

Inclusive o silêncio é uma outra coisa que ela aprecia. Ela o valoriza pois sabe que o silêncio pode acrescentar mais do que certas palavras. O silêncio permite que ela escute a si mesma. O silêncio já permitiu que ela se curasse também.

Se curasse? Talvez você não perceba, afinal, ela demonstra tanto ser forte, mas ela já esteve quebrada por dentro, com a dor invadindo o seu coração e todos os espaços da sua alma. Ela já se doeu porque se doou. E no fim das contas, o amor que a faz sonhar a fez chorar também. Mas ela se refez. Não se refez indo a baladas ou beijando outros caras. Ela se refez cuidando de si mesma, cultivando seus silêncios e respeitando a sua dor. Se embebedando de livros e filmes na Netflix. Foi exatamente assim que ela se curou. E foi assim que ela aprendeu que errado não é amar o outro e sim deixar que o amor ao outro nos faça esquecer de amar a nós mesmos.

Então, se um dia você encontrar essa garota por aí eu te dou um conselho: não a deixe partir. Eu te garanto que ela pode mudar o rumo da sua vida, e para o bem. E ela anda pelos lugares mais comuns de se achar: na farmácia, na fila do supermercado, no curso de inglês, na livraria ou simplesmente tomando um açaí. Se você conseguir conquistar a confiança dela, ela te dará o seu coração em retribuição. Ela não vai te acompanhar em baladas mas será sua confidente, vai permitir que você conheça uma sensibilidade que talvez ninguém tenha conhecido. Você vai descobrir que a cara de séria dela esconde uma mulher-menina, brincalhona e que vai te fazer rir nos momentos mais inimagináveis. E ela vai querer dançar, mas só com você.  Dê a ela segurança e ela te dará o mundo.

Nat Medeiros

Fonte da imagem: Pinterest

UMA DOSE DE AMOR PRA CURAR UMA DOR

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E no meio do turbilhão, a vida me envia um pouco de paz. Quando perdi meu chão, você apareceu me oferecendo o céu. Você se lembra de todos os detalhes. Eu não me lembro de detalhe nenhum. Eu estava aérea… Mas me lembro de todas sensações. A sensação de estar segura. A sensação de estar com uma alma afim.

Você apareceu durante um vendaval em minha vida: quando eu descobri a verdade sobre alguém de quem muito gostei. E essa verdade me feriu fatalmente. Devido a fatos que prefiro me abster de citar, foi traumático pra mim. Era um momento que tinha tudo pra me fazer desacreditar do amor, mas você me abraçou de uma forma em que eu me senti protegida. Mesmo sem te conhecer tanto, estar ali naquele momento, ao seu lado, era o melhor lugar.

Você me chamou de Esfinge, pelo meu modo de te olhar, disse que leu Misto Quente de Bukowski e eu novamente fui ao céu. Não é todo dia que a gente encontra um cara de barba perfeita, que lê Bukowski e ainda cite páginas de poesia. Talvez você não tenha percebido, mas naquele momento eu tive certeza do que eu queria. O que eu queria estava bem diante dos meus olhos e eu me perguntei porque demorou tanto pra esse momento acontecer.

Falamos sobre Game of Thrones. Eu te dando spoiler sobre Brienne e Tormund e você dizendo que queria que ela ficasse com o Jaime. E ali você me ganhou de novo. Um homem sem medo de demonstrar sentimento. Se teve uma coisa que eu aprendi nesses últimos meses foi que homem que não demonstra sentimento é porque não gosta o suficiente ou porque não gosta o suficiente. E isso causa dor. E pra curar uma dor, só uma dose de amor.

Só que você foi muito mais do que uma dose. Porque uma dose acaba e você ficou. Quando dias depois te contei sobre o episódio traumático da minha vida, você disse: “Mulher, não tenha medo. Levante a cabeça e lute. Eu vou cuidar de você.” E aí que eu fui entender, você não estava comigo pelas metades, você estava comigo por inteiro.

O problema é a gente que, às vezes, se acostuma com pouco achando que é muito, mas quando cai em si percebe que na verdade não era nada do que imaginou. E enquanto nos apegamos àquele amor mais ou menos, que nos leva de forma mais ou menos, a gente acaba minando as chances de encontrar o amor pleno, aquele que a gente realmente merece. O que tem defeitos, sim, mas que também nos faz querer ser melhor, lado a lado, constantemente, diariamente.

Sobre aquele dia, em que a gente se abraçou pela primeira vez, eu aprendi que a gente nunca sabe sobre as barras que vai enfrentar nas próximas horas, mas também que a gente nunca sabe sobre a luz que vai aparecer no meio do caminho e iluminar tudo. Meu Sol. Sou sua Esfinge. Talvez só até a próxima semana. Mas quem sabe, quiçá, até a próxima Vida. Te quero beber em mil doses de amor.

Nat Medeiros

Publicado originalmente em: Superela

Fonte da Imagem: Pinterest

TODOS OS DIAS O SEU SILÊNCIO ME DIZ QUE EU FIZ O CERTO AO ME AFASTAR

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Eu sempre tive certeza que a decisão que eu tomei era mesmo a mais acertada. Mas às vezes, principalmente no início, eu me pegava me questionando: “E se…?”. E se eu tivesse feito diferente, e se eu não tivesse demonstrado tanto, e se eu tivesse dividido a atenção que eu oferecia a você com um outro alguém? E se eu tivesse sido menos exclusiva, e se eu tivesse te tratado como alguém sem tanta importância pra mim? E se eu tivesse te amado menos?

Nós nunca sabemos o impacto que alguém vai causar em nossas vidas até que abrimos a porta e deixamos aquela pessoa entrar. O fato é que eu quase fechei a porta pra você. Foi por muito pouco que não te ignorei como forma de finalizar aquele nosso primeiro contato. Quando você pediu meu telefone, eu tive o impulso de te excluir, mas ao contrário disso, te ignorei. Fiquei dois dias sem te responder, eu não sabia o que fazer. Por fim, num impulso, te mandei meu número já pensando nas desculpas que eu haveria de te dar para te ignorar sem culpa.

A vida nos surpreende e ela me surpreendeu muito quando causou o nosso encontro. Não foi no primeiro nem no segundo encontro que eu me apaixonei. Mas desde a primeira vez que conversamos pessoalmente, eu percebi que ali havia uma mente pensante e eu sempre me atraí muito por pessoas inteligentes. Ao te conhecer melhor, sentimentos surgiram. Com o tempo, evoluíram. Me envolvi, relutei, mas por fim me entreguei e  posso dizer que foi um caminho sem volta. Te amar menos era impensável, ter sido menos exclusiva do que fui não era alternativa pra mim. Eu nunca me envolvi com mais de uma pessoa simultaneamente. E agora que eu amava alguém eu iria fazer isso? Esse tipo de jogo não cabia na minha vida. Se eu te perdesse, que fosse por amar demais e nunca por valorizar de menos. Eu não estava disposta a errar. Não com você.

Mas nenhuma relação depende apenas de uma só pessoa. E com o tempo eu fui obrigada a encarar a verdade: você não queria ser amado, pelo menos não por mim. E amar alguém que não quer ser amado é mais que arriscado, é atestado de sofrimento. Apesar de tudo, eu ainda estive disposta a ficar ali. A tentar transpor barreiras. Mas de onde eu tirava obstáculos, você construía muros. Nós dois não tínhamos os mesmos objetivos, um dia você disse. E você disse nada menos que a verdade. Eu terminei aquilo porque não havia caminho mais acertado que o fim.

Por mais que eu tivesse certeza desta decisão, como eu disse, às vezes me perguntei se aquilo era o melhor (era o mais certo, mas seria o melhor?). Procurei nas músicas, nos livros e nos astros resposta para os meus questionamentos. Em vão. Nada me respondia. Meses se passaram sem que eu encontrasse esclarecimento. Foi só então que eu percebi que meses se passaram e você se manteve calado. E o seu silêncio dizia tudo, ele era a resposta que eu precisava. O seu silêncio me mostrou todos esses dias que eu fiz o certo ao me afastar.

Nat Medeiros

Fonte da Imagem: Pinterest

SEI O QUE QUERO, SOU DECIDIDA!

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Talvez um dos meus maiores erros seja acreditar no amor. Talvez um dos maiores acertos, também. Ser romântica já me custou muitas noites de sono, mas preciso admitir que igualmente deixou muitos dos meus dias mais vivos e ensolarados. Mesmo aqueles  dias mais nublados.
O preço de ser intensa é sofrer mais, disso eu não tenho nenhuma dúvida. A dádiva de ser intensa é sentir mais, é possuir cores mais fortes, é amar mais também. Isso quase me mata em algumas ocasiões mas me faz renascer em outras, muito mais resistente. E apesar de intensa, devo admitir que não sou uma pessoa segura, na verdade, eu sou cheia de inseguranças. Tenho muitos defeitos, mas sou bem decidida. Eu sei exatamente o que eu quero e o que eu não quero. Quem eu quero e quem eu não quero. Geralmente, ou eu estou envolvida até a alma com um único alguém ou eu estou sozinha, com o coração pacífico e desértico.
Estar com alguém não pode ser autoafirmação, jogo ou manobra pra enganar a carência; ainda mais pra alguém que aprendeu a se bastar com a sua própria companhia. Estar com alguém tem que ser mágico, transcendente. Se minha alma e meu coração não estiverem ali, eu também não posso estar. Devo me liberar e liberar o outro. Nada mais justo. O mesmo ocorre quando o meu coração e a minha alma estão, mas a do outro não. Eu não posso me agarrar a alguém que não sente o mesmo que eu. Porque, aos trancos e barrancos, aprendi que o amor não deve estar onde ele não poderia sobreviver. Porque aí já seria autoengano.
Ser decidida é ter coragem de lutar por aquilo que faz nosso coração arder, mas também é ter a firmeza de finalizar aquilo que não evoluiria, aquilo que não depende só da gente. É saber o que quer, e saber desistir do que se quer quando o outro não quer também. Confesso que nem sempre eu soube disso. Hoje eu sei.

Nat Medeiros

Fonte da Imagem: Colab55
Artista: David

APARECEU UMA ESPERANÇA NA MINHA JANELA

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Apareceu uma esperança na janela do meu quarto. É outono e apareceu esta esperança silenciosa e quieta, verde e magnífica, como se estivesse mergulhada em paz. Curiosa como sou, fui pesquisar sobre a sua vida. Foi quando eu soube que ela dura apenas um verão. Ao vir o inverno, vem o frio e este, por sua vez, causa a morte da esperança. A sua brevidade, apesar de assustadora, é bonita. Antes de morrer, ela deixa ovos, que se transformam em filhotes na primavera e alcançam seu ponto alto no verão. É cíclico. Todo fim traz a dor, mas com ele vem também a possibilidade de recomeço. Talvez aquela esperança tenha vindo me lembrar isso. Para termos novos começos, precisamos viver os finais.

Nat Medeiros

Fonte da Imagem: meu celular, rsrs