MINIMALISMO: O QUE ME FEZ QUERER TRANSFORMAR A MINHA VIDA

menos é mais.

  • Tudo que é excesso nos desgasta

O minimalismo é um estilo de vida que vem ganhando notoriedade no mundo ao nos fazer repensar o nosso modo de viver. O objetivo é viver menos para coisas e mais para experiências. Não é sobre deixar de consumir, é passar a ter um consumo consciente. Não é sobre deixar de se conectar ou se relacionar com as pessoas, é sobre escolher melhor os nossos relacionamentos, sobre só se conectar ao mundo digital o suficiente, sobre assumir apenas compromissos que nos façam bem e nos levem à evolução. Agora que todo o deslumbre das redes sociais e do consumismo começam a nos trazer desgaste e infelicidade em determinados momentos, somos levados a nos questionar: “Precisamos mesmo de tantos amigos, de tantas roupas e sapatos, de tantos compromissos, de tantos likes e visualizações? O nosso tempo é o nosso bem mais precioso, para onde ele está indo? Investimos a maior parte dele para ganhar dinheiro e comprar coisas que nos fazem ou não nos fazem feliz?”.  São esses questionamentos que começaram a me alfinetar. Eu não descobri o minimalismo por  acaso, descobri por necessidade. No início do ano comecei a apresentar algumas insatisfações com a minha vida, são elas:

  1. O alto número de demandas nas redes sociais. Muitas pessoas me chamando para conversar ou pedir conselhos. Tudo bem você conversar duas ou três pessoas por dia através das redes. Mas quando vinte, trinta pessoas te chamam ou mandam vídeos, áudios e textos, isso se torna bem complicado. Um dia eu parei para contar e se eu fosse responder todas as mensagens, ouvir todos os áudios, ler tudo que me chegava e ver todos os vídeos que me enviavam, eu teria que pedir contas do meu emprego pra poder atender a tudo isso.
  2. O alto número de roupas e objetos que eu possuía. Essas coisas sempre ocuparam muito espaço no meu guarda-roupa. Esporadicamente eu doava quantidades enormes de coisas, até mesmos roupas que eu nunca cheguei a usar. Mas eu escoava isso, porque logo em seguida em comprava mais coisas. Isso tudo se tornou uma preocupação pra mim. “E se roubarem as minhas coisas?”, “E se um dia eu for embora da cidade? Não vai ter como eu levar tudo! Acho melhor eu nem ir porque não quero perder minhas preciosas coisas…”.

Foi bem nessa época que eu li o livro “Clube da Luta”. O livro faz um questionamento bem interessante sobre o consumismo, que pode ser sintetizado em uma frase gloriosa: “As coisas que você possui acabam possuindo você”. Eu super concordei com a frase, mas só isso. Porque eu não estava nem um pouco aberta a adotar a filosofia de vida relatada no livro. Abrir mão do conforto e da segurança definitivamente não eram opção pra mim.

  • O Começo da mudança

Mas, diante essas insatisfações, eu fui fazendo algumas mudanças. Parei de estar tão disponível nas redes sociais. No meu Facebook pessoal até pedi que as pessoas evitassem me chamar no Messenger e Whatsapp. Também fiz uma limpa em meu guarda-roupa. Me desfiz mesmo daquelas roupas que eu nunca tinha usado e achava que ainda usaria um dia. Fiz um brechó para as amigas e consegui cerca de 500 reais com roupas que estavam paradas no meu guarda-roupa. Só que parte desse dinheiro eu acabei usando pra comprar mais roupas, ou seja, eu escoei meu estoque (o que não foi nada minimalista). O lado bom foi que eu acabei comprando somente roupas que tinham muito a ver com meu estilo, que é mais sóbrio (metade das novas roupas eram cinza, a outra metade se dividiam entre preto e branco). E como eu estava praticamente renovando o meu guarda-roupa, eu decidi que compraria um maior, para poder caber as coisas de modo mais organizado e espaçado.

  • O desgaste com as redes sociais e a experiência da morte

Foi nessa época da minha vida também que a minha mãe teve uma piora em seu estado de saúde. Foram três meses vivendo em um hospital. Minha vida se resumia a: casa, trabalho, hospital. Não foi fácil. Eu tive que dar uma pausa nos meus textos. E expliquei o motivo à quem me lia através das redes sociais. Foi bem bacana porque muitas pessoas me mandavam diariamente mensagens de carinho, desejando força. E eu sempre tive o cuidado e a consideração de responder. Mas hoje vejo que me preocupar em sempre responder às mensagens não foi bom pra mim naquele momento. Porque as quase duas horas diárias que eu gastava respondendo às mensagens, poderiam ser dedicadas à minha mãe. Infelizmente ela faleceu no fim de julho e é algo que hoje não posso mudar. O que me conforta é que ela confidenciou antes da sua morte à três ou quatro amigas que estava muito feliz comigo, pois eu estava cuidando muito bem dela. Mas isso não me tira a certeza de que eu poderia ter vivido mais aquele momento. Eu poderia ter feito ainda melhor.

  • Vou comprar um carro! Mas pra quê mesmo?

Após a morte da minha mãe, eu comecei a me questionar: quero continuar vivendo na cidade? Sei que outros lugares poderiam me proporcionar mais oportunidades. Mas tudo ficava no imaginário. Eu não tinha nenhum plano real. Foi nessa época também que eu passei a ter possibilidades concretas de comprar um carro e esse foi se tornando meu plano principal. Voltei para a auto escola e coloquei metas de economia na minha vida, o que foi bem bacana. Sim, ter um carro era o meu objetivo agora. Isso é interessante porque lá em casa praticamente não tivemos carro. Isso me deixava muito frustrada. Eu via meus colegas com pais que tinham carro, meus tios, conhecidos, todo mundo! E não eram raras as vezes em que nós, lá em casa, deixávamos de ir a algum lugar ou evento pela falta de um carro. Mais tarde, vinham as cobranças dos amigos e colegas: “Você tem que juntar dinheiro pra comprar um carro logo”. Sim, eu tinha que juntar dinheiro pra comprar um carro logo. Nisso, foram mais de 25 anos sem carro. Frustante, não é? Mas agora finalmente eu teria condições de comprar um! E foi justamente quando essa possibilidade veio, que eu me perguntei: “Pra quê mesmo eu quero um carro? Porque eu vivi a vida inteira sem um e sei viver muito bem sem. Não sinto falta do que praticamente nunca tive. Além de não ter falta, não sinto necessidade pois moro pertinho do trabalho e dos lugares dos quais mais gosto de ir, sem citar que hoje temos o bom e acessível Uber. Minha casa não tem garagem e eu teria que me mudar de um lugar que é meu, em uma excelente localização, pra ir morar de aluguel só pra poder ter um carro do qual não tenho necessidade. Carro precisa de manutenção, requer grana, necessita lugar para estacionar, traz preocupação e como pontuou um amigo: “Poderia despertar ainda mais a minha ansiedade”. Comprar um carro também não seria a melhor escolha se eu penso em mudar de país no ano que vem, por exemplo. Isso somente travaria meus planos.

  • O que a sociedade quer   X   O que eu quero

Eu caminhei a vida toda para chegar ao momento em que a sociedade dita como indicador de sucesso para finalmente descobrir que esse lugar não atende às minhas expectativas e nem melhora a minha qualidade de vida. Talvez um carro melhore muito a qualidade de vida de quem dependa de transporte público, dependa de terceiros ou atravesse longas distâncias, mas esse não é o meu caso. Definitivamente não! Inclusive há estudos que mostram que determinadas gerações não se interessam tanto em comprar casa ou automóveis, preferem adquirir experiências. Essa diferença de interesse também é muito comum entre culturas e países diferentes. Eu não estou falando que comprar carro é besteira. Mas eu parei de ouvir a sociedade para me entender melhor e vi que os meus anseios diferem um pouco do padrão.

  • Enfim, o Minimalismo!

E foi neste justo e iluminado momento que eu descobri o “Minimalismo”, que é o estilo de vida onde o “Menos” é considerado “Mais”. Aqui não se fala de não consumir, mas fala do consumo consciente: Eu vou comprar só coisas que eu gostarei muito de usar. Eu vou manter na minha casa e na minha vida somente o que é essencial. Bacana, não é? E isso não é sobre o lado material da vida, mas também o lado virtual, social e tantos outros. “Só vou aceitar compromissos em que quero realmente ir”, porque quando dizemos por educação um “Sim” a algo que não queremos muito, estamos dizendo um “Não” a nós mesmos ou a algo que queremos muito. Minimalismo é ter consciência de quem somos. Não é sobre ter dois pares de sapato. Não existem regras. Se pra você é importante ter 12 pares de sapato, ok. Mas que você tenha realmente pares de sapatos que você goste muito de usar, e não pares de sapatos que são lindos mas machucam, que são lindos mas você não usa, que são lindos mas que não combinam mais com o seu estilo. Minimalismo é você reduzir coisas, pessoas, situações e ficar apenas com o que é essencial e te faz muito bem. Mais tempo, mais afeto, mais relações genuínas e profundas, mais grana. Minimalismo no meu conceito é: “Ei, eu quero mesmo ir nesse ritmo, eu quero mesmo estar nesse pódio, isso realmente me traz felicidade e paz?”.

  • O Destralhe – Desfazer-se de coisas que não são essenciais

Acabei percebendo que eu já tinha tendências minimalistas mesmo antes de descobrir esse estilo de vida. Até mesmo as minhas roupas, que se reduzem a jeans, branco, preto e cinza (embora isso não seja uma regra no minimalismo, mas de fato são cores mais fáceis de serem combinadas). A diferença é que depois que descobri esse estilo de vida, eu me conscientizei ainda mais sobre a necessidade e a vantagem de ter somente o que é essencial. E a  mudança é gradual. Eu me desfiz de cerca de 1000 (isso, MIL) objetos nesse último mês. Estou mais leve. Eu li em algum lugar que cada coisa que possuímos nos gera preocupação e requer cuidado. Quanto menos preocupação tivermos, mais livres somos. Ainda há mais coisas das quais quero me livrar. Vou abrir uma lojinha no Enjoei e fazer um novo bazar. Compras daqui pra frente serão planejadas e eu vou priorizar a qualidade e a funcionalidade (lembre-se, minimalismo não é deixar de consumir, é consumir coisas úteis, que vão apresentar boa durabilidade). Um guarda-roupa maior já não é mais o que quero. Meu objetivo agora é reduzir ainda mais o meu armário atual.

  • O Destralhe Virtual e o desejo por apenas aquilo que nos é essencial

Eu também fiz um destralhe virtual. Apaguei do minha nuvem cerca de 4 mil fotos que não são essenciais pra mim. Deixei de seguir cerca de 200 pessoas no Instagram, que são pessoas que eu não conhecia muito ou não tinha muito contato. Apaguei aplicativos acessórios, arquivos que não me servem mais. A experiência da morte da minha mãe me mostrou que não levamos nada dessa vida. Eu quero ter o essencial para viver, para ter mais liberdade de ir e vir, de mudar de cidade, de estado ou de país. Eu quero ter o essencial para viver pois já tive a minha casa assaltada quando morei no Rio Grande do Sul e foi traumatizante perder tanta coisa de valor. Eu quero ter o essencial para viver porque passei a vida toda batalhando para adquirir mais coisas mas percebi que o lugar onde eu queria chegar não é mais o lugar aonde eu quero ir agora. Na minha adolescência eu sofri por não ter roupa para ir para a escola. Eu tinha que esperar a minha irmã chegar da aula no fim da manhã para eu usar a calça que ela tinha usado e ir para a escola à tarde. Quando me tornei salariada, eu comprei tantas e tantas calças para nunca mais passar por aquilo, mas hoje vejo que são somente quatro calças que eu amo usar e então serão quatro calças que eu vou ter no meu guarda-roupa.

  • O Acessório   X    O Essencial

O que eu tinha de mais importante nessa vida eu perdi, a minha mãe. Coisas não têm mais peso em minhas decisões nem importância além do que é devido. Eu quero viver bem, ter segurança, qualidade de vida e lutar pelos meus sonhos, e não somente abrir mão de boas experiências para pagar um carro ou qualquer outra coisa que não me são necessários neste momento. Situações, objetos, roupas, pessoas que não me trazem bem-estar e não são primordiais, não mais cabem no meu mundo. Eu não mais quero o acessório, eu quero somente o essencial.

Nat Medeiros

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COMO SUPEREI UM PÉSSIMO CORTE DE CABELO E FIZ A TRANSIÇÃO CAPILAR

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Sempre tive o cabelo ondulado. Nem liso, nem cacheado e eu achava super difícil usá-lo naturalmente pela ausência de forma definida. Quando completei 16 anos fiz uma escova progressiva. O resultado me agradou, o volume diminuiu e o fio tomou uma forma lisa. Fui repetindo esse procedimento até por volta dos 22 anos. Aí decidi parar, pois apesar de o meu cabelo ser muito forte, ele estava cheio de pontas duplas. Sem citar que a cor dele clareou bastante também, chegando ao tom de castanho cobre.

Fiquei seis meses sem nenhuma química. Até que fiquei sabendo de um alisamento chamado recondicionamento térmico. Para eu fazer esse procedimento, eu precisaria estar há seis meses sem química e eu já estava. Então nem pensei duas vezes e fiz. O resultado foi maravilhoso, o cabelo ficou super liso e eu só precisaria fazer o procedimento de novo na raiz. Seguem fotos:

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Fiquei bem satisfeita mesmo. O problema é que eu também tonalizava o meu cabelo e isso causava um embaraço absurdo. Em todo banho eu gastava vinte minutos só para penteá-lo. Decidi mais uma vez parar com a química. Nisso meu cabelo já era enorme e eu tinha que ficar passando chapinha na raiz para deixá-lo uniforme. Segui fazendo isso por quase dois anos. O meu cabelo era todo reto e o contraste entre a parte natural e a parte lisa era bem perceptível.

A transição capilar

Foi então que em Agosto de 2015 eu tive a belíssima ideia de ir a um salão para que cortassem picado ou em camadas. Achava que assim seria mais fácil passar pela transição capilar. Ainda expliquei à cabeleireira (que eu já conhecia) como eu queria o corte e ainda levei uma foto para ela ter uma ideia exata.

Gente, quando eu olhei no espelho eu não acreditei no que vi. As pessoas no salão também notaram, pareciam pensar: “estava bem melhor antes”. Fiquei estática, sem palavras, só paguei a conta e saí de lá correndo. Cheguei em casa e olhei no espelho. Como eu queria voltar no tempo, viu. O que a cabeleireira fez no meu cabelo era irrecuperável. Eu tinha um cabelo imenso mas se eu fosse corrigir o erro, ele iria parar na altura do meu queixo e eu definitivamente não estava preparada pra isso. O cabelo, por ainda ser liso em sua maior parte, ficou com a aparência de espigado, umas partes ficaram muito curtas, outras ficaram bem maiores e na frente um lado ficou bem menor que o outro. Pra vocês terem uma ideia seguem as fotos (desculpem a qualidade ruim mas é porque tirei do meu celular).

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Isso abalou tanto a minha autoestima que no primeiro dia eu tive que tomar remédio pra dormir. Tudo que eu queria era acordar no dia seguinte e ver que tudo não passou de um pesadelo. Mas não foi pesadelo e só me restou ir cortando aos poucos pra ir acertando. Eu mesma fui cortando (reto, como eu gosto mais). Sempre fui eu mesma que cortei meu cabelo e depois disso tudo eu só confiava em minha própria mão. Mas mesmo cortando, ele estava me desagradando muito. Em Novembro de 2015 fiz um outro corte mas ele continuava desregular. Sem falar que eu ainda estava em transição capilar. Era um caos total: cada fio de um tamanho e com texturas diversas.

Então, em Janeiro de 2016, eu decidi cortar curto logo, deixar todo reto e de quebra tirar a parte que ainda tinha química. Confesso que mais uma vez foi sofrido. A última vez que eu tive cabelo curto foi quando eu era criança e a ideia do cabelão já estava associada à minha imagem e identidade (teve gente que nem me reconheceu mais). Mas, apesar da grande mudança, eu fui me adaptando principalmente porque aí ele estava natural, muito mais saudável e fácil de desembaraçar. Mas continuei usando chapa porque eu ainda achava que ele natural não era bonito

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A transformação

Em Julho de 2016 eu conheci, através do texto da Karla Lopes  no Superela, os procedimentos No Poo e Low Poo (Como Fazer Low Poo e No Poo?). Eu achava que era uma coisa de sete cabeças, que pesaria no meu bolso, mas estava muito enganada. Segui ambos procedimentos, intercalando, e os resultados foram maravilhosos. Entrei em alguns grupos no Facebook que abordavam tais temas e vi o quanto existem pessoas passando pela transição capilar, se amando e aprendendo a amar seus cabelos. Aprendi também algumas técnicas que deixam meu cabelo com formato mais definido e bonito, como a fitagem, e aprendi também sobre a importância de secá-lo com camisa de algodão e nunca secar com toalha, já que causa frizz.

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Hoje ele está maior e confesso que volta e meia uso chapa pra deixá-lo liso (conforme foto abaixo). Mas tenho confiança pra usá-lo natural. Quando não dá tempo de modelá-lo, não deixo de sair de casa por isso. Eu lavo e vou, saio com ele úmido mesmo. Estou aprendendo um pouco mais sobre liberdade, rs.

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No fim das contas, perdi muitos centímetros de cabelo mas ganhei autoestima, confiança e fios muito saudáveis. Foi fácil? Não! Foi muito difícil e tive dias horríveis após meu cabelo ser detonado em um corte desastroso. Mas peguei os limões e transformei em limonada.

Nat Medeiros

Fonte das imagens: acervo pessoal

Texto origanlmente escrito em: Superela

ESTAR FELIZ E SOLTEIRA ME ENSINOU A SER MAIS EXIGENTE

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Em relação ao amor, hoje sou menos iludida, mas também muito mais criteriosa. Não que eu tenha desistido deste sentimento, mas aquela empolgação juvenil e até inocente já não existe mais.

O X da questão é que já vivi situações o suficiente para perceber que relacionamento amoroso não envolve só sentimento. Envolve diferenças, envolve família, envolve vizinho, cachorro, smartphone e papagaio. Dois deixam de ser dois e passam a ser um número incontável de gente, torcendo por sua felicidade ou não. Envolve paciência, pressão, frustração, desconfiança. Claro que envolve também coisas maravilhosas, como vida compartilhada, companheirismo, afeto, amor, confiança.

Eu me lembro muito bem quando eu tinha 15 anos e sonhava em namorar. Achava que era o melhor que me poderia acontecer na época, mas não aconteceu… Fiquei frustrada, mas fui levando. Quando eu finalmente tive um relacionamento mais profundo posso dizer que a vida me deu um tapa na cara.

Namorar não era nada daquilo que eu criava fantasiosamente. Não fiquei amarga ou desesperançosa. Fiquei realista.

Hoje, após alguns relacionamentos profundos e aos 27 anos, eu vejo o quanto ser solteira representa liberdade e aprendizado pra mim. Não tenho medo de ficar sozinha em casa em pleno sábado à noite. Não tenho medo de ir a eventos sociais sem um cara a tiracolo. Eu construí a vida com os meus passos. Um atrás do outro, aos trancos e barrancos. Mas hoje eu sou eu. Natália. Quem entrar na minha vida não será o protagonista pois a protagonista já existe. Quem entrar na minha vida se tornará referência e não a coordenada. A recíproca, é claro, é verdadeira.

A questão é que as frustrações me ensinaram a me amar mais, a valorizar mais meus momentos comigo mesma. Estar feliz e solteira me ensinou a ser mais exigente. E alguém para adentrar no meu mundo tem que fazer por merecer. Se ficar com joguinho, se ficar com palavras fartas e atitudes vazias eu, simplesmente, perco o interesse.

Eu gosto tanto de escrever, eu gosto tanto de estar e conversar comigo mesma que não dá pra trocar isso aqui por um “Oi, gata” ou pior: “Oi, sumida” sendo que sumida eu nunca fui. Não dá para trocar assistir Downton Abbey na Netflix por uma conversa superficial ou sem afinidades.

Só vai entrar na minha vida quem realmente merecer. Porque vida é mais íntimo que quarto, vida é mais íntimo que cama. As pessoas costumam relacionar intimidade com sexualidade. Mas intimidade é sonho, é medo, é esperança, é falar do passado, da infância, é planejar um futuro, é olhar juntos para a mesma direção. Intimidade requer tempo, requer dedicação, requer interesse profundo. Intimidade é oposto de superficialidade. Intimidade não é saber a cor da calcinha ou do sutiã. Intimidade é saber a cor dos sonhos, a cor dos olhos quando choram, a forma exata dos lábios quando sorriem. Intimidade não é ver alguém de lingerie… Isso você pode ver a qualquer momento, com alguém que você conhece há muitos anos ou há poucas horas. Intimidade não é ver alguém se despir das roupas. Intimidade é ver alguém se despir das barreiras, dos medos, das suas verdades incontestáveis, das suas certezas absolutas. Intimidade é a entrega, mas não a entrega do corpo. Intimidade é a entrega mais difícil: a entrega da alma e do coração.

Nat Medeiros

Publicação original: Superela

6 COISAS QUE APRENDI COM UMA DECEPÇÃO AMOROSA

Eu nunca gostei muito de matemática. Minha paixão sempre foi tudo aquilo que envolvesse palavras. E, desde muito cedo, entendi o significado da palavra dupla: são dois em uma parceria, duas pessoas se ajudando com um mesmo objetivo e, muitas vezes, se complementando. Na sala de aula, quando crianças, sempre nos deparávamos com um engraçadinho que perguntava ao professor quando o exercício era em dupla: “Dupla de dois???”, outro mais engraçadinho respondia: “Não, dupla de três, burro!”.

Pois então, isso me fez lembrar uma situação que vivi há um bom tempo… Eu não sei bem o momento em que aquele cara me conquistou. Nós morávamos em cidades diferentes e, pra ser sincera, nem me senti atraída por ele nos primeiros contatos, mas ele era tão atencioso, focado, determinado e parecia ser um menino tão família, que dei uma brecha pra nos conhecermos. Meu interesse foi surgindo quando eu percebi algo: ele demonstrava ter muito, mas muito interesse em mim. Mas talvez o momento em que me entreguei e que, consequentemente, me ferrei tenha sido quando ele sugeriu que eu me mudasse para a cidade dele. Eu ainda contra-argumentei: “Primeiro tenho que conseguir um emprego aí, não posso simplesmente ir do nada”. E então ele me disse a frase da qual nunca me esquecerei: “Linda, não se preocupe com isso, você vai morar comigo, nós seremos uma dupla de dois.”. Sei que ele falou “dupla de dois” propositalmente mas eu achei super bonitinho isso: o cara se esforçar por mim, se esforçar para que as coisas se tornassem possíveis entre nós.

Claro que também achei um pouco precipitado ele dizer isso mas ele parecia estar muito envolvido, então eu me deixei levar por aqueles planos. A gente conversava sobre tudo, família, trabalho, problemas. Até que um dia ele me falou dos seus relacionamentos, o último namoro de certa forma tinha o traumatizado, a menina o esnobava enquanto ele não media esforços para agradá-la. Um dia, ele decidiu colocar um ponto final naquilo: “E até hoje ela me procura mas não dou moral”. Não me preocupei porque, afinal, eles haviam terminado há mais de um ano e ele não dava moral (inocente).

Um belo final de semana, ele sumiu, e era a primeira vez em semanas que ele fazia isso. Eu me segurei na sexta, no sábado, e então no domingo resolvi arriscar: “Percebi que você se afastou, se quiser conversar…”. Eu praticamente lhe disse: “Me dê um fora mas não me deixe sem saber o que está acontecendo”. E ele deu; “Oi, minha ex quis voltar e resolvemos tentar…”.

Eu não fazia a mínima ideia de quem era essa ex. Mas mulher é mulher em qualquer lugar do planeta, sendo assim, eu resolvi stalkear. Não demorou muito para eu descobrir. Recentemente, ele havia adicionado uma menina no Facebook e no Instagram. A menina havia feito um comentário em uma foto dele (o comentário foi: “…”). Até aí tudo bem, mas o comentário dela (que se resumia em três pontinhos apenas) tinha quatro curtidas, QUATRO! Aí tinha. Pesquisando mais um pouco eu percebi que 110 semanas atrás ele tinha postado uma foto com essa mesma menina no Instagram. A foto estava lá embaixo e quase passou despercebida… Então constatei que ela era alguém do passado com quem ele estava retomando contato. Pronto, eu havia descoberto quem era a menina que virou a cabeça dele mesmo após um ano separados. E a notícia ruim: ela era uma morena linda, ou melhor, lindíssima. Então, na verdade, eu vi que nós dois não éramos uma dupla de dois…Desafiando a matemática, na realidade éramos uma dupla de três! Enfim, eu tinha agora que desencanar.

À noite, veio-me um pensamento: “Poxa, pela história que ele contou, essa menina parecia não merecê-lo e ele parecia ser simplesmente o cara mais legal que eu havia conhecido nos últimos anos… Eu ia mesmo deixá-lo sair assim da minha vida?” Eu nunca havia lutado por ninguém, nunca demonstrava meus sentimentos mas ele era diferente de todos os outros. Então, como aspirante à escritora que sou, eu lhe escrevi meus sentimentos, palavras confessas de forma completamente desnuda. Eu estava lutando por ele…”E, para finalizar, saiba que eu te admiro por tudo que você é e eu te quero muito, muito, bem.”. Acredito que ele tenha ficado um tanto surpreso e até balançado com tudo que lhe escrevi. Me respondeu no mesmo dia um texto extenso, profundo e muito atencioso. “(…) a distância entre nós dificultou tudo. Mas o mundo dá tantas voltas, quem sabe um dia ainda não haja uma oportunidade pra nós dois.”. E a oportunidade veio 14 dias depois: “O namoro não durou uma semana porque voltou pior do que já era. Não consigo parar de pensar em você. Como é que faz?”

Resolvi dar uma chance. Ele estava sendo sincero. Pelo menos era o que eu achava. O problema é que nessa época ele estava de mudança para um outro lugar e ficaríamos ainda mais distantes… Mesmo assim, a gente mantinha um contato diário. Todos os dias às 6 e 15 da manhã ele me mandava bom dia. E a gente só parava de se falar antes de dormir.

Um belo dia, percebi que ele tinha desativado o Facebook dele. Achei normal, eu fazia isso às vezes. Mas depois acabei percebendo que ele não havia deletado o seu Facebook não, ele na verdade tinha era me bloqueado. O que foi no mínimo estranho pois ele continuava conversando comigo o tempo todo e agora ainda queria me mandar a passagem para eu ir visitá-lo na cidade em que ele estava.

Fiquei em choque, mas resolvi colocar a situação às claras. Perguntei o porquê de ele ter me bloqueado. Mas ele bateu o pé dizendo que tinha deletado o perfil.

Eu vi que ele não ia assumir. Na verdade, muito acuado, ele nem fez questão de se explicar. Pedi que não me procurasse mais e foi exatamente isso que ele fez. Eu, óbvio, também nunca mais o procurei.

Mas não posso dizer que não sofri com isso. Sofri pela falta de explicações, por não saber o que tinha acontecido. “Talvez você nunca saiba o que houve”, disse uma amiga um dia. Realmente, era difícil eu saber. Ele e eu não tínhamos amigos em comum e estávamos a quilômetros de distância. Mas essa mesma amiga já tinha me dito há uns anos, em uma outra ocasião, que a verdade sempre aparece. E não sei porque eu senti que um dia a verdade acabaria se revelando.

Em buscas de respostas, eu continuava stalkeando a menina lá, a ex dele. E descobri que eles haviam deixado de se seguir no Instagram. Eu descobri pelo perfil dela, porque eu não o seguia e o perfil dele era trancado. Mas o fato de eles não se seguirem mais não me dizia muita coisa e a falta de respostas acabou fazendo com que eu fosse deixando isso pra lá…

Em uma bela segunda-feira, dois meses depois do nosso último contato, foi revelado um dos maiores mistérios que já rondaram minha vida. Estava eu deitada em minha cama quando me veio o pensamento: “Poxa, eu podia olhar o Instagram do fulano… Sei que é trancado mas… quem sabe?”.

Eu não sei descrever o que senti quando os meus olhos viram o perfil dele… Várias fotos acompanhado por uma loira. Fui no perfil da loira e a primeira foto deles no perfil dela datava de exatas dezesseis semanas atrás. Dezesseis semanas (ou quatro meses) atrás vivíamos o nosso auge (com ele me falando para morarmos juntos)! O pior não eram as fotos, o pior eram as declarações… E eu que pensei que ele estava namorando a morena (provavelmente não era namoro e sim um rolo), agora vi que na verdade ele sempre, sempre, estivera era com uma loira. Não éramos uma dupla de três, na verdade a matemática nunca havia sido tão desafiada e humilhada e nós formamos, ao que tudo indica, uma dupla de quatro! (E talvez até tenha sido por isso que a menina morena e ele deixaram de se seguir)…

Por fim, constatei que eu não havia sido enganada quando ele havia me bloqueado. Na realidade, eu estava sendo enganada desde o momento em que ele apareceu em minha vida. Aquele cara era um grande mentiroso!

Eu poderia dizer que sou uma azarada, que fui iludida, que foi uma baita sacanagem. Mas eu não vejo por esse lado e disso tudo sei que me ficaram grandes lições:

1. EU APRENDI A DEMONSTRAR MAIS OS MEUS SENTIMENTOS.

Na primeira vez em que ele se afastou eu engoli o meu orgulho, lhe mandei um e-mail e fiz questão de expor o que eu sentia. O final dessa história poderia me fazer pensar que não valeu a pena. Mas valeu sim, e muito. Pela primeira vez eu deixei um cara saber abertamente que eu estava completamente na dele. Isso por si só foi um desafio que eu venci, uma barreira superada. Ponto pra mim!

2. DEMONSTRAR ABERTAMENTE MEUS SENTIMENTOS ME DEIXOU TAMBÉM COM A SENSAÇÃO DE ISENÇÃO DE CULPA.

A gente não deu certo não foi porque eu fui fria, medrosa e durona. A gente não deu certo foi porque ele foi um babaca mesmo. E assim, livre, eu parto para a próxima com o coração em paz.

3. APRENDI QUE SEMPRE VAMOS NOS ESBARRAR COM PESSOAS QUE NÃO NOS MERECEM E QUE IRÃO NOS MACHUCAR DE ALGUMA FORMA.

Nesse caso, é preciso fazer duas coisas: primeiro, deixar que a vida te mostre quem é de fato aquela pessoa (sim, a vida sempre mostra, esta é uma Lei implacável). E quando a vida te mostrar, você terá uma coisa a fazer: deixe aquela pessoa ir. Não a culpe, não se prenda a ela. Talvez um dia ela se arrependa, talvez não. Talvez um dia ela pague o que fez com você, talvez não. Talvez essa pessoa já até esteja pagando (eu, sinceramente, acho que um cara que envolve duas ou mais mulheres ao mesmo tempo, em meio a mentiras, obviamente não é dos mais felizes ou bem resolvidos). O importante não é a pessoa, é você, é a sua vida e o que você pode fazer para se fazer feliz.

4. EU NÃO ME CULPEI EM NENHUM MOMENTO POR TER ACREDITADO NELE E TER DADO O MELHOR DE MIM.

Não se culpe também. Por favor, não se culpe por ter se entregado tanto e ter sido tão verdadeira. Não o culpe por ele ter atuado tanto e ter sido tão egoísta. Não encare isso como um atestado de condição de sofrimento. Encare isso como fatos: fatos que mostram que vocês dois são bem diferentes.

5. ÀS VEZES, NÓS MULHERES, TEMOS A MANIA DE OLHAR PARA OS RELACIONAMENTOS ALHEIOS E NOS ACHAR AZARADAS NO AMOR.

Mas pense: se você se decepcionou é porque você acabou descobrindo a verdade em relação a algo. Como disse Chico Xavier: “A desilusão é a visita da verdade”. Eu, por exemplo, poderia estar agora ainda iludida, achando que duplas sempre são formadas por duas pessoas, mas descobri que, às vezes elas são formadas até por quatro, rsrs. Acho que mais azarado é quem está lá naquele relacionamento, acreditando que o cara realmente vale a pena.

6. POR FIM, JÁ DIZIA O AUTOR: “SEMPRE HÁ OUTRAS PESSOAS, OUTRAS POSSIBILIDADES”.

Permita-se escrever uma nova história. E escreva-a de coração aberto. Não traga medos e traumas do passado para uma nova história (ou ao menos tente não trazer). Traga somente aprendizados. Cada história de amor deve ser iniciada sem pesos. Caso contrário, é muito provável que não dê certo.

Vou dizer que não tenho medo quando conheço um novo alguém? Não, eu sou humana e tenho medo pra caramba! Mas eu vou de verdade. Eu coloco as minhas fichas, eu coloco o meu coração. Se não der certo, eu já aprendi que o coração talvez seja o órgão que se regenere mais rápido. E, mesmo que eu me machuque, eu sei que o alívio um dia virá. Assim, não evito que um dia eu vá sofrer de novo mas sei que aumento a probabilidade de felicidade.

Acima de tudo, lembre-se: a vida não é feita de certezas e sim, de tentativas. E quem não tenta, está minimizando as suas chances de ser feliz! Então não pense em outra alternativa que não seja: TENTAR! Tente!

 

Nat Medeiros

Publicado originalmente em: Superela

VOCÊ QUEBROU MINHA SOLIDEZ

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Não sou mais a mesma. Pouco restou de quem eu era. Essa foi a única certeza que ficou de todo esse tempo, que foi pouco tempo, mas pra mim foi suficiente para me mudar de um estado a outro. Eu que pensei até poucos meses que eu era sólida. Ainda te disse: “Como uma rocha, e uma rocha quando se quebra, se parte em mil pedaços”.

Mas você e o seu comportamento vieram para contestar a minha verdade absoluta, a minha solidez inquestionável. Mal sabia eu que logo após me partir em mil pedaços eu me tornaria líquida. Líquida quando nossos corpos se fundem. Líquida quando não sei resistir. Líquida quando não escondo meus sentimentos e eles escapam pelas minhas mãos, pelos meus olhos, pelo meu corpo, pelos meus textos.

As palavras que tentei guardar dentro de mim também se tornaram líquidas e escaparam por meus lábios, logo em seguida se tornaram líquidos que desceram pelos meus olhos e se espalharam por minha face, por meu travesseiro e por tudo aquilo que eu mantinha seco, intocável e seguro. Como o meu coração.

Não há melhor palavra para me definir nesses últimos tempos: Líquida. E até o meu cérebro se torna líquido com a confusão de pensamentos que você me causa. Líquido é aquilo que se contorna, se desdobra, se entrega, não resiste. Pela primeira vez, eu fui líquida. Líquida, tentando entrar em você de alguma forma, de qualquer forma. Mas mal sabia eu o quanto você era sólido. De uma solidez que não se quebra, de uma solidez que não se entrega, de uma solidez que não se atinge, de uma solidez que nem mesmo se aproxima. Não mais de mim.

E a verdade é que diante da confissão dos meus sentimentos até mesmo o seu silêncio foi sólido, partindo e dilacerando tudo aqui dentro de mim… Mesmo eu sendo tão líquida… Líquido não se quebra mas eu me quebrei.

Mas como lamentar? A minha dureza foi quebrada, a minha aparente frieza foi desmascarada. Eu mostrei quem realmente sou e talvez pela primeira vez eu tenha sido coerente com os sentimentos que se passam aqui dentro. Falar pra você do meu gostar, do meu querer, foi inédito e não me diminuiu: na verdade muito me acrescentou. Pela primeira vez eu não me envergonho da minha fragilidade, pela primeira vez eu não me envergonho do meu sentir.

E mesmo o seu silêncio ter sido sólido, expondo ainda mais a minha liquidez, esse texto é mais sobre os meus ganhos. Esse texto é mais sobre o meu sentimento e a minha capacidade de me desnudar. Os passos que eu dei em direção ao meu melhor lado nenhuma indiferença poderá tirar. Hoje, sem dúvidas, eu sou melhor que ontem.  E mesmo eu tendo a certeza de que eu merecia receber mais do que o silêncio como resposta à minha confissão, eu te agradeço por ter me transformado de sólida a líquida. Eu mais ganhei do que perdi. E isso eu vou levar comigo.

Líquido é o meu novo estado preferido. E que nenhum gelo ou frieza me transformem em sólida novamente.

Nat Medeiros

Fonte da Imagem: Pinterest

O MELHOR DA VIDA ACONTECE OFFLINE

 

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“O melhor da vida acontece offline”, li em algum lugar e concordei. Essa é uma verdade atual e o offline tem sido cada vez mais raro… Eu comecei a tomar consciência disso no final de 2012, quando um professor na faculdade disse: “Eu não entro mais na internet, eu só não saio mais dela”. Ri muito na hora, concordei, me vi na mesma situação mas somente hoje eu percebo o quanto isso é prejudicial…

Há algum tempo comecei a me sentir sufocada com os aplicativos e redes sociais. Não que eu me considere a mulher mais ocupada do mundo mas como todo ser adulto eu tenho uma infinidade de atividades para dar conta diariamente: trabalho, estudo, escrevo, tenho filmes e séries para assistir, livros pra ler, amigos para encontrar, açaís para tomar mas dentre todas essas atividades sempre tinha: ou um e-mail para checar, ou uma mensagem para responder, uma conversa para opinar, um áudio para ouvir, um vídeo para ver. Não me considero viciada em smartphone mas era questão de lógica: o dia é composto por 24 horas, dessas eu durmo sete e para dar conta de tudo que eu me propus nas demais horas, eu teria que abrir mão de algo. E eu decidi me desligar um pouco das redes sociais e aplicativos. Sem radicalismos, decidi apenas controlar o tempo de uso, escolher bem em quê e como iria gastá-lo. Porque a verdade é antiga e clara: não se pode ter tudo. A cada vídeo assistido, a cada áudio ouvido, a cada conversa virtual jogada fora, eu perdia: a chance de uma conversa mais próxima, o olho no olho, a pele na pele, um minuto de meditação ou a leitura de mais uma página do livro que eu comprei pela internet e esperei dias para chegar.

Para contornar a situação, criei regras; Whatsapp pra mim seria apenas uma ferramenta para: resolver algum problema (como avisar sobre algum atraso) ou marcar de encontrar os meus amigos. A única exceção que abri foram as conversas com meus amigos que moravam em outra cidade, visto que eu não tinha possibilidades de encontrá-los. Áudios enviados em grupo? Não ouvia. Vídeos? Não assistia. A verdade é que não precisamos saber quem traiu quem, quem matou quem, quem fez piada de quem. A maioria dos vídeos eram desnecessários e pouco acrescentavam. Na realidade, muito deles eram apenas uma forma de expor pessoas em situações nada agradáveis: acidentes, traições, brigas, ridicularização, ou crianças com falas ensaiadas para fazer “sucesso”…

Diante disso, teve até um fato engraçado que aconteceu comigo: um amigo meu que está morando no Maranhão me mandou um vídeo. Não baixei porque pensei que fosse algo relacionado a futebol, visto que torcemos para times rivais e o meu time tinha acabado de sofrer uma derrota. Então, uma semana depois ele me ligou, cobrando que eu baixasse e assistisse o vídeo: “Assiste lá depois, o vídeo é um convite”. Era o convite de casamento dele. Fiquei felicíssima com a notícia e com o fato de ele ter me ligado para falar. Porque o que ele me mostrou com isso é que eu era mais do que um contato no seu Whatsapp, eu era mesmo sua amiga.

Rodeados de tecnologias e redes sociais, hoje o desafio não é lutar por quinze minutos de fama e sim lutar por quinze minutos de anonimato. Todos nós nos tornamos memes em potencial. Se eu virar a esquina e tomar uma queda, cair na lama e me sujar, eu rezo para que a mão estendida seja para me ajudar a levantar e não para me fotografar. Se um dia eu voltar a me apaixonar eu quero ouvir a voz dele no meu ouvido e não no áudio reproduzido. E confesso, vou gostar de ter uma foto dele no celular, guardada para olhar no meio da minha tarde agitada mas nada vai se comparar ao momento face a face, em que ele estiver conversando e eu perceber que ele tem uma pintinha discreta no canto da boca ou quem sabe, uma imperfeição na sobrancelha. E talvez eu até confesse os meus sentimentos por mensagem, mas aquilo que eu mais sentir eu vou falar enquanto eu olho os seus olhos, com a internet offline… O que se passa no nosso celular não se compara ao que vem de dentro da gente. A tecnologia está aí, facilita muito a vida mas precisamos delimitar seu uso e não deixar que ela seja a NOSSA vida. Até porque existe algo bem óbvio para ilustrar isso: pense nos melhores momentos da sua vida. Em quantos dele você estava com o celular na mão? Pense nas suas melhores sensações, você precisa de um celular para senti-las? O toque do vento, o barulho do mar, um beijo que muito se deseja, um reencontro, uma conquista profissional, provar o melhor açaí do mundo, se aventurar na montanha-russa…

Smartphone nenhum, aplicativo nenhum são capazes nos dar a grandeza de tais sensações. Permita-se usar a tecnologia mas não permita que ela ocupe todos os espaços da sua vida. Não deixe que o amigo se torne apenas um contato no Whatsapp. Não deixe que o Amor só valha se estiver estampado por “Em um relacionamento sério” no Facebook. Não deixe que uma situação só seja válida se for traduzida em hashtags. Não deixe que a vida se resuma a apenas àquilo que for publicado. Eu acho que sim, estamos extrapolando os limites do bom senso mas eu tenho a absoluta certeza de que o controle ainda está em nossas mãos. Deixe um pouco o smartphone de lado e seja muito mais do que aquela sua foto do perfil na rede social até porque a sua presença vai muito além de um check-in.

Nat Medeiros

Publicado Originalmente em: Superela

Fonte da Imagem: https://br.pinterest.com/

 

 

9 SUPER LIÇÕES QUE APRENDI COM O FILME A VIDA SECRETA DAS ABELHAS

A Vida Secreta das Abelhas é um filme que deve ser visto. Deve ser visto porque é um filme sobre mulheres fortes. É um filme sobre mulheres sensíveis.  É um filme sobre mulheres que desafiaram a ordem vigente, se apoiaram umas nas outras e escreveram seus próprios caminhos. Resumindo:  é um filme extremamente feminino e inspirador. Nele, é contada a história de uma adolescente, Lily, que se sente culpada pela morte da mãe. Lily mora com o seu pai e com Rosaleen, uma empregada negra, no interior dos Estados Unidos, década de 60, em um contexto extremamente racista. Lily não tem o carinho do pai, este é frio e lhe maltrata. Quem lhe cuida e dá amor é Rosaleen.

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Um dia, Rosaleen é agredida por homens racistas, e Lily, cansada de ser maltratada pelo pai, foge de casa com ela. As duas acabam parando na propriedade de August, uma mulher negra que tem duas irmãs: May e June. Elas possuem um bom negócio, onde produzem mel, e são donas de uma boa propriedade. Aos poucos, essas mulheres vão conquistando o seu lugar ao sol em uma sociedade onde até então o negro só possuía direitos no papel. Eu não vou contar todo o enredo do filme porque ele realmente deve ser visto. Mas algumas frases e situações muito me ensinaram e aqui em compartilho com vocês:

Lição 1 – Sobre querer e perder

“Ela era tudo que eu queria e eu a tirei de mim”. Nesta frase, Lily se refere à perda da mãe. Uma perda da qual não teve culpa, visto que quando tudo ocorreu ela era apenas uma criança. Mas trazendo estas palavras para o nosso contexto, essa frase representa um comportamento emocional recorrente: às vezes, nos relacionamentos, gostamos tanto de alguém que nos auto sabotamos. Adquirimos um comportamento que nos faz atrair justamente algo que queremos evitar: o fim. Queremos estar com aquela pessoa mas pedir desculpas ou tentar uma aproximação é difícil demais. Acabamos achando mais fácil abrir mão daquilo que se ama do que superar as nossas próprias limitações… Como me disse uma certa amiga uma vez: “É mais fácil expor a raiva do que expor o amor”.

Lição 2 – Lutar por justiça pode nos trazer dor mas ainda sim é algo que deve ser feito

Rosaleen, a empregada, é agredida verbalmente por homens racistas. Ela, por sua vez, não se deixa intimidar. Eles ordenam que ela os peça desculpa ou seria agredida fisicamente. Ela não pede e por isso apanha. Posteriormente, Lily disse a Rosaleen que ela deveria ter pedido desculpas àqueles homens, pois ela correu o risco de ser assassinada por eles. Rosaleen responde: “Pedir desculpas àqueles homens teria sido apenas outro modo de morrer. Só que eu teria que viver com isso.”. O mundo está cheio de injustiças e a gente infelizmente aprendeu assisti-las e ficar caladas. Rosaleen nos mostra que se a gente simplesmente abaixa a cabeça, uma dor maior adentra o nosso ser. Se queremos justiça, devemos lutar por ela.

Lição 3 – A Verdade não é tudo

“A verdade é só metade do caminho. O que importa é o que você vai fazer com ela”. Quantas vezes a gente descobre algo sobre uma situação ou sobre alguém e se decepciona, entristece ou enraivece? Encarar a verdade, como diz um personagem do filme, é só metade do caminho. Descobrir a verdade não liberta ninguém de um relacionamento fajuto, por exemplo. O que faz a diferença  é o nosso comportamento após isso.

Lição 4 – Abrir mão das nossas vontades pode valer a pena

“Algumas coisas não são tão importantes, como a cor de uma casa. Mas deixar alguém feliz, isso é importante.” – August diz essa frase a Lily para justificar o porquê de ter pintado as paredes da sua casa de uma cor duvidosa. A escolha se deveu ao fato de que a cor trouxe bons sentimentos a sua irmã May, que era uma moça muito sensível, tocada por uma grande perda. August decidiu pintar sua casa de uma cor que não gostava porque ela considerava que a felicidade da sua irmã May era muito mais importante do que a simples cor de uma parede. E na prática, quantas vezes nós abrimos mão de algo não tão importante só para fazer alguém feliz? Com certeza é algo que deveríamos praticar mais!

Lição 5 – Às vezes a liberdade é mais importante ou necessária do que estar em um relacionamento

“-Você já se apaixonou? – pergunta Lily.

-Claro que sim. – responde August.

-Não o bastante para se casar?

-Eu o amava bastante. Só que amava mais a minha liberdade. – finaliza August.”

Algumas vezes, nós gostamos muito de alguém mas ainda não estamos prontos ou talvez a nossa liberdade de ser solteira combine mais com as escolhas que fizemos. August sabia disso. Ela era uma mulher, uma mulher negra, que escolheu estar à frente dos seus negócios. Ela representou o que as mulheres, sobretudo as mulheres negras, poderiam conquistar. Ela foi portanto uma inspiração de liberdade, possibilidades e conquista. A sua liberdade permitiu que ela chegasse até onde chegou e talvez por isso foi tão importante ela abrir mão do amor.

Lição 5 – Ser sensível é melhor do que não sentir nada

“-Srta. May, sei que às vezes você fica muito triste. Meu pai nunca sente nada. Nunca sentiu nada. Eu prefiro ser como você. – diz Lily.

-Às vezes, não sentir nada é a única maneira de sobreviver. – responde May”

May não conhecia o pai de Lily mas ela sabia que algumas pessoas se tornam frias porque aquela era a forma que elas encontravam para sobreviver.  Sei que parece horrível ser alguém sem sentimentos, mas antes de julgarmos, devemos saber que cada um passa ou passou por batalhas que não conhecemos. E talvez aquela pessoa tão gelada seja apenas alguém que não sabe externar ou lidar com o que sente.

Lição 6 – Há muito amor nesse mundo

Há duas frases ditas por Lily que chamaram muito a atenção e tenho certeza de que muitas de nós já se encontraram em situação semelhante:

“Não há nada que eu queira mais que alguém que me ame” e “Eu não mereço ser amada”.

Lily se sentia abandonada pelos pais e queria muito ser amada, mas ao mesmo tempo ela acreditava não merecer receber  amor. Ela carregava em suas costas uma culpa que não era sua.  Quantas vezes nos achamos indignas de ser amadas? Seja por nossos defeitos, pelo que passamos na infância ou por algum trauma. August responde: “Há muito amor nesse mundo”. O que nós precisamos é nos abrir para ele, não deixar que nossas perdas nos tornem pessoas fechadas. Às vezes, o amor  vem de uma forma que não esperamos. A história de Lily é prova disso. Uma menina branca que encontrou todo amor do mundo ao lado de quatro mulheres negras.

Lição 7 – Nem tudo que as pessoas nos dizem é realmente o que elas querem dizer. Às vezes, elas simplesmente não têm força ou coragem de dizer o que realmente sentem

“Ainda digo a mim mesma que, quando meu pai partiu naquele dia ele não quis dizer: “Que seja”. Ele quis dizer: “Lily, você ficará melhor aqui, com todas essas mães”.

O pai de Lily não fez questão de ficar com ela. Mas Lily captou que no fundo ele sabia que ela estaria melhor com as suas “mães”. Só que ele era amargurado demais para saber dizer isso à Lily… O que ouvimos nem sempre corresponde à verdade. É preciso nos atentarmos também às entrelinhas e relevar certas coisas…

Lição 8 – Dizer “Adeus” pode ser dolorido mas pode também ser a melhor opção

O pai de Lily saiu da sua vida, foi embora sem dar ao menos um beijo de despedida. Quantas vezes a gente sofre porque alguém saiu das nossas vidas, não é mesmo? Seja aquela pessoa um amigo, um amor ou um parente.  Mas às vezes, aquela partida foi a melhor opção para o desfecho da situação. Muitas vezes, os caminhos vão para direção opostas e é mesmo melhor assim. Pode não fazer sentido no momento em que ocorre mas certamente fará sentido em um outro momento.

Lição 9 – O laço sanguíneo não é tudo

A Vida Secreta das Abelhas mostra que o sangue nem sempre representa afeto, segurança ou afinidade. Muitas vezes, o sentido das palavras “Amor” e “Família” a gente encontra onde a gente menos espera. Se você tem relações familiares difíceis ou até mesmo não tem uma família, não se abata. Você tem toda possibilidade de encontrar amor em outros lugares. Pois como disse August: há muito amor nesse mundo!

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Nat Medeiros

Publicado Originalmente em: Superela

Fonte das Imagens: https://br.pinterest.com/

 

SOBRE RELACIONAMENTOS E TINDER

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No livro de Gabriel García Marquez, “O Amor nos Tempos do Cólera”, é narrada uma história de um amor proibido que resiste por 50 anos em meio a preconceitos, envelhecimento, acontecimentos históricos, doenças e costumes da época.

Penso nessa história, que muitos dirão que só acontece em livros, e me lembro imediatamente da história da minha avó. A minha avó fez 103 em 2016. Ela é viúva e mãe de 9 filhos. O marido dela, meu avô, faleceu anos antes do meu nascimento. Não o conheci e ela nunca falou muito sobre ele.

Quando vou visitá-la e pergunto como ela está, ela responde sem titubear: “Tô boa pra morrer. Quero morrer logo para encontrar com Preto.”

Preto não é o meu avô. Preto foi o primeiro marido da minha avó, eles se casaram quando ela tinha por volta de 20 anos. Logo após isso, ele morreu devido a problemas cardíacos. Eles nunca tiveram filhos. Tempos depois a minha avó conheceu o meu avô e se casaram.

Mas nem o segundo casamento, nem quase oito décadas, foram capazes de fazer a minha avó esquecer o seu primeiro marido, que foi o amor da sua vida. E hoje, findando a sua vida e sua missão, ela ainda espera pelo reencontro.

Pensando em tudo isso, eu vejo o quanto os relacionamentos hoje dificilmente perduram e sobrevivem. Conhecemos pessoas, muitas das vezes, através de redes sociais ou aplicativos que oferecem cardápios humanos com infinitas opções. Opções que apenas precedem outras, ou seja, analisamos um perfil já pensando no próximo.

Na esperança de sempre encontrar alguém melhor, a gente não experimenta o melhor de ninguém. Nos mantemos na superfície rasa de tantas opções. Nos limitamos a apenas clicar no x ou no coração e fazer as mesmas perguntas de sempre.

gif tinder

Se não quisermos levar pra frente, basta não mais responder, nunca foi tão fácil dispensar alguém. Mas a verdade é que nunca foi tão difícil conversar profundamente com alguém. Porque, em tempos do Tinder, enquanto a gente está conhecendo alguém, a verdade é clara: essa pessoa também está conversando vááárias com outras.

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E, matematicamente, é impossível conhecer a fundo alguém ao mesmo tempo em que se está conhecendo outras dez. E se a gente se envolve e percebe que o outro não cessa a procura, é difícil levar isso adiante. Dá medo, dá insegurança. É melhor partir para o próximo perfil. E isso vai virando hábito e ciclo vicioso. As relações se tornam superficiais e aos poucos a gente vai se esquecendo do verdadeiro sentido da palavra “relacionar”. E a gente esquece também da descrição do verbo “compartilhar”: partilhar algo com alguém. Compartilhamos fotos e informações no Facebook mas estamos desaprendendo a compartilhar sonhos, planos, vida íntima, mundo interno. Talvez seja mesmo o paradoxo da era atual: nunca foi tão fácil fazer contato com alguém, mas nunca foi tão difícil conhecer alguém. É o preço que se paga pela “evolução”.

Mas acredito que a sede de afeto e carinho ainda existam, fazem parte da natureza humana. Talvez essas necessidades só estejam disfarçadas, reprimidas, enquanto estamos deslumbrados com um mundo virtual e inatingível. Por mais modernos que sejamos, os toques e conversas fora das telas permanecem sendo os mais calorosos. Afinal, o que mais nos diferencia das máquinas é a nossa capacidade de sentir.

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Nat Medeiros

Fonte das Imagens: Pinterest

 

6 COISAS QUE APRENDI COM UMA DECEPÇÃO AMOROSA

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Eu nunca gostei muito de matemática. Minha paixão sempre foi tudo aquilo que envolvesse palavras. Mas desde muito cedo entendi o significado da palavra dupla: são dois em uma parceria, duas pessoas se ajudando com um mesmo objetivo e, muitas vezes, se complementando. Na sala de aula, quando crianças, sempre nos deparávamos com um engraçadinho que perguntava ao professor quando o exercício era em dupla: “Dupla de dois???”, outro mais engraçadinho respondia: “Não, dupla de quatro, burro!”.

Pois então, isso me fez lembrar uma situação que vivi recentemente… Eu não sei bem o momento em que aquele cara me conquistou. Nós morávamos em cidades diferentes e, pra ser sincera, nem me senti atraída por ele nos primeiros contatos, mas ele era tão atencioso, focado, determinado e parecia ser um menino tão família que dei uma brecha pra nos conhecermos. Meu interesse foi surgindo quando eu percebi algo: ele demonstrava ter muito, mas muito interesse em mim. Mas talvez o momento em que me entreguei e que, consequentemente, me ferrei tenha sido quando ele sugeriu que eu me mudasse para a cidade dele. Eu ainda contra-argumentei: “Primeiro tenho que conseguir um emprego aí, não posso simplesmente ir do nada”. E então ele me disse a frase da qual nunca me esquecerei: “Linda, não se preocupe com isso, você vai morar comigo, nós seremos umadupla de dois.” Sei que ele falou “dupla de dois” propositalmente mas eu achei super bonitinho isso: o cara se esforçar por mim, se esforçar para que eu dividisse uma vida com ele.

Claro que achei um pouco precipitado ele dizer isso mas ele parecia estar muito envolvido, então eu me deixei levar por aqueles planos. A gente conversava sobre tudo, família, trabalho, problemas. Até que um dia ele me falou dos seus relacionamentos, o último namoro de certa forma tinha o traumatizado, a menina o esnobava enquanto ele não media esforços para agradá-la. Um dia ele decidiu colocar um ponto final naquilo: “E até hoje ela me procura mas não dou moral”. Não me preocupei porque, afinal, eles haviam terminado há mais de um ano e ele não dava moral (inocente).

Um belo final de semana ele sumiu, e era a primeira vez em semanas que ele fazia isso. Eu me segurei na sexta, no sábado, e então no domingo resolvi arriscar: “Percebi que você se afastou, se quiser conversar…”. Eu praticamente lhe disse: “Me dê um fora mas não me deixe sem saber o que está acontecendo”. E ele deu; “Oi, minha ex quis voltar e resolvemos tentar…”.

Eu não fazia a mínima ideia de quem era essa ex. Mas mulher é mulher em qualquer lugar do planeta, sendo assim, eu resolvi stalkear. Não demorou muito para eu descobrir. Recentemente, ele havia adicionado uma menina no Facebook e no Instagram. A menina havia feito um comentário em uma foto dele (o comentário foi: “…”). Até aí tudo bem, mas o comentário dela (que se resumia em três pontinhos apenas) tinha quatro curtidas, QUATRO! Aí tinha. Pesquisando mais um pouco eu percebi que 110 semanas atrás ele tinha postado uma foto com essa mesma menina no Instagram. A foto estava lá embaixo e quase passou despercebida… Então constatei que ela era alguém do passado com quem ele estava retomando contato. Pronto, eu havia descoberto quem era a menina que virou a cabeça dele mesmo após um ano separados. E a notícia ruim: ela era uma morena linda, ou melhor, lindíssima. Então, na verdade, eu vi que nós dois não éramos uma dupla de dois…Desafiando a matemática, na realidade éramos uma dupla de três! Enfim, eu tinha agora que desencanar.

À noite, veio-me um pensamento: “Poxa, pela história que ele contou, essa menina parecia não merecê-lo e ele parecia ser simplesmente o cara mais legal que eu havia conhecido nos últimos anos… Eu ia mesmo deixá-lo sair assim da minha vida?” Eu nunca havia lutado por ninguém, nunca demonstrava meus sentimentos mas ele era diferente de todos os outros. Então, como aspirante à escritora que sou eu lhe escrevi meus sentimentos, palavras confessas de forma completamente desnuda. Eu estava lutando por ele…”E, para finalizar, saiba que eu te admiro por tudo que você é e eu te quero muito, muito, bem.”. Acredito que ele tenha ficado um tanto surpreso e até balançado com tudo que lhe escrevi. Me respondeu no mesmo dia um texto extenso, profundo e muito atencioso. “(…) a distância entre nós dificultou tudo. Mas o mundo dá tantas voltas, quem sabe um dia ainda não haja uma oportunidade pra nós dois.”. E a oportunidade veio 14 dias depois: “O namoro não durou uma semana porque voltou pior do que já era. Não consigo parar de pensar em você. Como é que faz?”

Resolvi dar uma chance. Ele estava sendo sincero. Pelo menos era o que eu achava. O problema é que nessa época ele estava de mudança para um outro lugar e ficaríamos ainda mais distantes… Mesmo assim, a gente mantinha um contato diário. Todos os dias às 6 e 15 da manhã ele me mandava bom dia. E a gente só parava de se falar antes de dormir.

Um belo dia percebi que ele tinha desativado o Facebook dele. Achei normal, eu fazia isso às vezes. Mas depois acabei percebendo que ele não havia deletado o seu Facebook não, ele na verdade tinha era me bloqueado. O que foi no mínimo estranho pois ele continuava conversando comigo o tempo todo e agora ainda queria me mandar a passagem para eu ir visitá-lo na cidade em que ele estava.

Fiquei em choque, mas resolvi colocar a situação às claras. Perguntei o porquê de ele ter me bloqueado. Mas ele bateu o pé dizendo que tinha deletado o perfil.

Eu vi que ele não ia assumir. Na verdade, muito acuado, ele nem fez questão de se explicar. Pedi que não me procurasse mais e foi exatamente isso que ele fez. Eu, óbvio, também nunca mais o procurei.

Mas não posso dizer que não sofri com isso. Sofri pela falta de explicações, por não saber o que tinha acontecido. “Talvez você nunca saiba o que houve”, disse uma amiga um dia. Realmente, era difícil eu saber. Ele e eu não tínhamos amigos em comum e estávamos a quilômetros de distância. Mas essa mesma amiga já tinha me dito há uns anos, em uma outra ocasião, que a verdade sempre aparece. E não sei porque eu senti que um dia a verdade acabaria se revelando.

Em buscas de respostas, eu continuava stalkeando a menina lá, a ex dele. E descobri que eles haviam deixado de se seguir no Instagram. Eu descobri pelo perfil dela, porque eu não o seguia e o perfil dele era trancado. Mas o fato de eles não se seguirem mais não me dizia muita coisa e a falta de respostas acabou fazendo com que eu fosse deixando isso pra lá…

Em uma bela segunda-feira, dois meses depois do nosso último contato, foi revelado um dos maiores mistérios que já rondaram minha vida. Estava eu deitada em minha cama quando me veio o pensamento: “Poxa, eu podia olhar o Instagram do fulano… Sei que é trancado mas… quem sabe?”.

Eu não sei descrever o que senti quando os meus olhos viram o perfil dele… Várias fotos acompanhado por uma loira. Fui no perfil da loira e a primeira foto deles no perfil dela datava de exatas dezesseis semanas atrás. Dezesseis semanas (ou quatro meses) atrás vivíamos o nosso auge (com ele me falando para morarmos juntos)! O pior não eram as fotos, o pior eram as declarações… E eu que pensei que ele estava namorando a morena (provavelmente não era namoro e sim um rolo), agora vi que na verdade ele sempre, sempre, estivera era com uma loira. Não éramos uma dupla de três, na verdade a matemática nunca havia sido tão desafiada e humilhada e nós formamos, ao que tudo indica, uma dupla de quatro! (E talvez até tenha sido por isso que a menina morena e ele deixaram de se seguir)…

Por fim, constatei que eu não havia sido enganada quando ele havia me bloqueado. Na realidade, eu estava sendo enganada desde o momento em que ele apareceu em minha vida. Aquele cara era um grande mentiroso!

Eu poderia dizer que sou uma azarada, que fui iludida, que foi uma baita sacanagem. Mas eu não vejo por esse lado e disso tudo sei que me ficaram grandes lições:

1. EU APRENDI A DEMONSTRAR MAIS OS MEUS SENTIMENTOS.

Na primeira vez em que ele se afastou eu engoli o meu orgulho, lhe mandei um e-mail e fiz questão de expor o que eu sentia. O final dessa história poderia me fazer pensar que não valeu a pena. Mas valeu sim, e muito. Pela primeira vez eu deixei um cara saber abertamente que eu estava completamente na dele. Isso por si só foi um desafio que eu venci, uma barreira superada. Ponto pra mim!

2. DEMONSTRAR ABERTAMENTE MEUS SENTIMENTOS ME DEIXOU TAMBÉM COM A SENSAÇÃO DE ISENÇÃO DE CULPA.

A gente não deu certo não foi porque eu fui fria, medrosa e durona. A gente não deu certo foi porque ele foi um babaca mesmo. E assim, livre, eu parto para a próxima com o coração em paz.

3. APRENDI QUE SEMPRE VAMOS NOS ESBARRAR COM PESSOAS QUE NÃO NOS MERECEM E QUE IRÃO NOS MACHUCAR DE ALGUMA FORMA.

Nesse caso, é preciso fazer duas coisas: primeiro, deixar que a vida te mostre quem é aquela pessoa (sim, a vida sempre mostra, esta é uma Lei implacável). E quando a vida te mostrar você terá uma coisa a fazer: deixe aquela pessoa ir. Não a culpe, não se prenda a ela. Talvez um dia ela se arrependa, talvez não. Talvez um dia ela pague o que fez com você, talvez não. Talvez essa pessoa já até esteja pagando (eu, sinceramente, acho que um cara que envolve duas ou mais mulheres ao mesmo tempo em meio a mentiras obviamente não é dos mais felizes ou bem resolvidos). O importante não é a pessoa, é você, é a sua vida e o que você pode fazer para se fazer feliz.

4. EU NÃO ME CULPEI EM NENHUM MOMENTO POR TER ACREDITADO NELE E TER DADO O MELHOR DE MIM.

Não se culpe também. Por favor, não se culpe por ter se entregado tanto e ter sido tão verdadeira. Não o culpe por ele ter atuado tanto e ter sido tão egoísta. Não encare isso como um atestado de condição de sofrimento. Encare isso como fatos: fatos que mostram que vocês dois são bem diferentes.

5. ÀS VEZES, NÓS MULHERES, TEMOS A MANIA DE OLHAR PARA OS RELACIONAMENTOS ALHEIOS E NOS ACHAR AZARADAS NO AMOR.

Mas pense: se você se decepcionou é porque você acabou descobrindo a verdade em relação a algo. Como disse Chico Xavier: “A desilusão é a visita da verdade”. Eu, por exemplo, poderia estar agora ainda iludida, achando que duplas sempre são formadas por duas pessoas, mas descobri que, às vezes. elas são formadas por até quatro, rsrs. Acho que mais azarado é quem está lá naquele relacionamento, acreditando que o cara realmente vale a pena.

6. POR FIM, JÁ DIZIA O AUTOR: “SEMPRE HÁ OUTRAS PESSOAS, OUTRAS POSSIBILIDADES”.

Permita-se escrever uma nova história. E escreva-a de coração aberto. Não traga medos e traumas do passado para uma nova história. Traga somente aprendizados. Cada história de amor deve ser iniciada sem pesos, caso contrário é muito provável que não dê certo.

Vou dizer que não tenho medo quando conheço um novo alguém? Não, eu sou humana e tenho medo pra caramba! Mas eu vou de verdade. Eu coloco as minhas fichas, eu coloco o meu coração. Se não der certo, eu já aprendi que o coração talvez seja o órgão que se regenere mais rápido. E, mesmo que eu me machuque, eu sei que o alívio um dia virá. Assim, não evito que um dia eu vá sofrer de novo mas sei que aumento a probabilidade de felicidade.

Acima de tudo, lembre-se: a vida não é feita de certezas e sim, de tentativas. E quem não tenta, está minimizando as suas chances de ser feliz! Então não pense em outra alternativa que não seja: TENTAR! Tente!

Nat Medeiros

Publicado originalmente em: Superela

ESTAR FELIZ E SOLTEIRA ME ENSINOU A SER MAIS EXIGENTE

feliz e solteira audrey hepburn

Em relação ao amor, hoje sou menos iludida, mas também muito mais criteriosa. Não que eu tenha desistido deste sentimento, mas aquela empolgação juvenil e até inocente já não existe mais.

O X da questão é que já vivi situações o suficiente para perceber que relacionamento amoroso não envolve só sentimento. Envolve diferenças, envolve família, envolve vizinho, cachorro, smartphone e papagaio. Dois deixam de ser dois e passam a ser um número incontável de gente, torcendo por sua felicidade ou não. Envolve paciência, pressão, frustração, desconfiança. Claro que envolve também coisas maravilhosas, como vida compartilhada, companheirismo, afeto, amor, confiança.

Eu me lembro muito bem quando eu tinha 15 anos e sonhava em namorar. Achava que era o melhor que me poderia acontecer na época, mas não aconteceu… Fiquei frustrada, mas fui levando. Quando eu finalmente tive um relacionamento mais profundo posso dizer que a vida me deu um tapa na cara.

Namorar não era nada daquilo que eu criava fantasiosamente. Não fiquei amarga ou desesperançosa. Fiquei realista.

Hoje, após alguns relacionamentos profundos e aos 27 anos, eu vejo o quanto ser solteira representa liberdade e aprendizado pra mim. Não tenho medo de ficar sozinha em casa em pleno sábado à noite. Não tenho medo de ir a eventos sociais sem um cara a tiracolo. Eu construí a vida com os meus passos. Um atrás do outro, aos trancos e barrancos. Mas hoje eu sou eu. Natália. Quem entrar na minha vida não será o protagonista pois a protagonista já existe. Quem entrar na minha vida se tornará referência e não a coordenada. A recíproca, é claro, é verdadeira.

A questão é que as frustrações me ensinaram a me amar mais, a valorizar mais meus momentos comigo mesma. Estar feliz e solteira me ensinou a ser mais exigente. E alguém para adentrar no meu mundo tem que fazer por merecer. Se ficar com joguinho, se ficar com palavras fartas e atitudes vazias eu, simplesmente, perco o interesse.

Eu gosto tanto de escrever, eu gosto tanto de estar e conversar comigo mesma que não dá pra trocar isso aqui por um “Oi, gata” ou pior: “Oi, sumida” sendo que sumida eu nunca fui. Não dá para trocar assistir Downton Abbey na Netflix por uma conversa superficial ou sem afinidades.

Só vai entrar na minha vida quem realmente merecer. Porque vida é mais íntimo que quarto, vida é mais íntimo que cama. As pessoas costumam relacionar intimidade com sexualidade. Mas intimidade é sonho, é medo, é esperança, é falar do passado, da infância, é planejar um futuro, é olhar juntos para a mesma direção. Intimidade requer tempo, requer dedicação, requer interesse profundo. Intimidade é oposto de superficialidade. Intimidade não é saber a cor da calcinha ou do sutiã. Intimidade é saber a cor dos sonhos, a cor dos olhos quando choram, a forma exata dos lábios quando sorriem. Intimidade não é ver alguém de lingerie… Isso você pode ver a qualquer momento, com alguém que você conhece há muitos anos ou há poucas horas. Intimidade não é ver alguém se despir das roupas. Intimidade é ver alguém se despir das barreiras, dos medos, das suas verdades incontestáveis, das suas certezas absolutas. Intimidade é a entrega, mas não a entrega do corpo. Intimidade é a entrega mais difícil: a entrega da alma e do coração.

Nat Medeiros

Publicação original: Superela