SEI O QUE QUERO, SOU DECIDIDA!

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Talvez um dos meus maiores erros seja acreditar no amor. Talvez um dos maiores acertos, também. Ser romântica já me custou muitas noites de sono, mas preciso admitir que igualmente deixou muitos dos meus dias mais vivos e ensolarados. Mesmo aqueles  dias mais nublados.
O preço de ser intensa é sofrer mais, disso eu não tenho nenhuma dúvida. A dádiva de ser intensa é sentir mais, é possuir cores mais fortes, é amar mais também. Isso quase me mata em algumas ocasiões mas me faz renascer em outras, muito mais resistente. E apesar de intensa, devo admitir que não sou uma pessoa segura, na verdade, eu sou cheia de inseguranças. Tenho muitos defeitos, mas sou bem decidida. Eu sei exatamente o que eu quero e o que eu não quero. Quem eu quero e quem eu não quero. Geralmente, ou eu estou envolvida até a alma com um único alguém ou eu estou sozinha, com o coração pacífico e desértico.
Estar com alguém não pode ser autoafirmação, jogo ou manobra pra enganar a carência; ainda mais pra alguém que aprendeu a se bastar com a sua própria companhia. Estar com alguém tem que ser mágico, transcendente. Se minha alma e meu coração não estiverem ali, eu também não posso estar. Devo me liberar e liberar o outro. Nada mais justo. O mesmo ocorre quando o meu coração e a minha alma estão, mas a do outro não. Eu não posso me agarrar a alguém que não sente o mesmo que eu. Porque, aos trancos e barrancos, aprendi que o amor não deve estar onde ele não poderia sobreviver. Porque aí já seria autoengano.
Ser decidida é ter coragem de lutar por aquilo que faz nosso coração arder, mas também é ter a firmeza de finalizar aquilo que não evoluiria, aquilo que não depende só da gente. É saber o que quer, e saber desistir do que se quer quando o outro não quer também. Confesso que nem sempre eu soube disso. Hoje eu sei.

Nat Medeiros

Fonte da Imagem: Colab55
Artista: David

APARECEU UMA ESPERANÇA NA MINHA JANELA

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Apareceu uma esperança na janela do meu quarto. É outono e apareceu esta esperança silenciosa e quieta, verde e magnífica, como se estivesse mergulhada em paz. Curiosa como sou, fui pesquisar sobre a sua vida. Foi quando eu soube que ela dura apenas um verão. Ao vir o inverno, vem o frio e este, por sua vez, causa a morte da esperança. A sua brevidade, apesar de assustadora, é bonita. Antes de morrer, ela deixa ovos, que se transformam em filhotes na primavera e alcançam seu ponto alto no verão. É cíclico. Todo fim traz a dor, mas com ele vem também a possibilidade de recomeço. Talvez aquela esperança tenha vindo me lembrar isso. Para termos novos começos, precisamos viver os finais.

Nat Medeiros

Fonte da Imagem: meu celular, rsrs

QUEM MANDOU EU SER INTENSA?

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Quem mandou eu ser intensa?
Vou te amar até cansar
Vou te olhar até a sua alma eu enxergar
Vou me declarar até ficar rouca
Quem mandou eu ser intensa?
Vou ser sempre a que mais vai se entregar
E talvez, na sua vida, serei a louca
Quem mandou eu ser intensa?
Vou ver você se afastar
Vou chorar até secar
Deixar a lágrima morrer na boca.
Quem mandou eu ser intensa?
Vou acabar por conformar
De você vou olvidar
E talvez um dia eu possa amar sem ter que me questionar: Quem mandou eu ser intensa?

Nat Medeiros

Fonte da imagem: Pinterest

AMOR NÃO É TER, É SER (CONFISSÕES DE NAT)

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Abir mão de você e daquilo que eu era quando eu estava com você, seria desafio demais pra mim. Eu só conseguiria fazê-lo quando o amor fosse tão grande que ele me desse coragem pra dizer adeus. Paradoxo. Talvez, e isso me vem à cabeça somente agora, você tenha achado que naquele dia em que eu optei por darmos um fim, eu tivesse deixado de gostar de você ou até mesmo que eu estivesse gostando de outro alguém. Mas não. Naquele domingo em que decidi encerrar a nossa história, foi o momento em que eu mais te amei. Eu nunca quis tanto dividir a minha vida com você, eu nunca quis tanto estar ao seu lado. Eu nunca quis tanto ser melhor e estar melhor para dividir somente o bem com você. Mas eu sabia que aquele amor, por mais grande que fosse, não seria o suficiente para abrir aquela porta. A porta que se manteria fechada pra mim acontecesse o que acontecesse. Então, num impulso, com três doses de dor e de coragem, te disse adeus. Eu abri mão dos nossos encontros semanais por noites regadas a lágrimas. Eu abri mão de te olhar antes de dormir para olhar a tela do meu celular enquanto o sono não vinha. Meu frio celular que agora me mostrava você seguindo sua vida a cada dia, e a cada dia mais longe de mim. Eu abri mão de te amar tão perto para agora te amar à distância. Em silêncio. Até o meu choro se tornou silencioso, por incrível que pareça. Eu já havia lutado muito pelo amor que eu sentia até que eu entendi que a maior provação desse amor seria agora desistir, pois você não sentia o mesmo. E aquilo que eu sentia não deveria te aprisionar, pelo contrário, deveria te libertar para outros caminhos. Assim eu não estaria provando que eu era uma pessoa madura, nada disso. Assim eu estaria apenas e finalmente entendendo que o amor não precisa da matéria e da física para existir. Mesmo sem te ver, sem te tocar, mesmo sabendo que agora, neste exato momento em que escrevo essas linhas, você possa estar com um outro alguém, mesmo assim eu continuo te amar. Eu acho que pela primeira vez eu sei o que é amor genuíno, sem posse. O amor é luz que ilumina e cura a dor que fica ao ter que se dizer adeus. Amor não é ter, é ser. Eu estou em catarse.

Nat Medeiros

Ilustração: Kathrin Honesta

Fonte da imagem: Pinterest

ESTAR FELIZ E SOLTEIRA ME ENSINOU A SER MAIS EXIGENTE

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Em relação ao amor, hoje sou menos iludida, mas também muito mais criteriosa. Não que eu tenha desistido deste sentimento, mas aquela empolgação juvenil e até inocente já não existe mais.

O X da questão é que já vivi situações o suficiente para perceber que relacionamento amoroso não envolve só sentimento. Envolve diferenças, envolve família, envolve vizinho, cachorro, smartphone e papagaio. Dois deixam de ser dois e passam a ser um número incontável de gente, torcendo por sua felicidade ou não. Envolve paciência, pressão, frustração, desconfiança. Claro que envolve também coisas maravilhosas, como vida compartilhada, companheirismo, afeto, amor, confiança.

Eu me lembro muito bem quando eu tinha 15 anos e sonhava em namorar. Achava que era o melhor que me poderia acontecer na época, mas não aconteceu… Fiquei frustrada, mas fui levando. Quando eu finalmente tive um relacionamento mais profundo posso dizer que a vida me deu um tapa na cara.

Namorar não era nada daquilo que eu criava fantasiosamente. Não fiquei amarga ou desesperançosa. Fiquei realista.

Hoje, após alguns relacionamentos profundos e aos 27 anos, eu vejo o quanto ser solteira representa liberdade e aprendizado pra mim. Não tenho medo de ficar sozinha em casa em pleno sábado à noite. Não tenho medo de ir a eventos sociais sem um cara a tiracolo. Eu construí a vida com os meus passos. Um atrás do outro, aos trancos e barrancos. Mas hoje eu sou eu. Natália. Quem entrar na minha vida não será o protagonista pois a protagonista já existe. Quem entrar na minha vida se tornará referência e não a coordenada. A recíproca, é claro, é verdadeira.

A questão é que as frustrações me ensinaram a me amar mais, a valorizar mais meus momentos comigo mesma. Estar feliz e solteira me ensinou a ser mais exigente. E alguém para adentrar no meu mundo tem que fazer por merecer. Se ficar com joguinho, se ficar com palavras fartas e atitudes vazias eu, simplesmente, perco o interesse.

Eu gosto tanto de escrever, eu gosto tanto de estar e conversar comigo mesma que não dá pra trocar isso aqui por um “Oi, gata” ou pior: “Oi, sumida” sendo que sumida eu nunca fui. Não dá para trocar assistir Downton Abbey na Netflix por uma conversa superficial ou sem afinidades.

Só vai entrar na minha vida quem realmente merecer. Porque vida é mais íntimo que quarto, vida é mais íntimo que cama. As pessoas costumam relacionar intimidade com sexualidade. Mas intimidade é sonho, é medo, é esperança, é falar do passado, da infância, é planejar um futuro, é olhar juntos para a mesma direção. Intimidade requer tempo, requer dedicação, requer interesse profundo. Intimidade é oposto de superficialidade. Intimidade não é saber a cor da calcinha ou do sutiã. Intimidade é saber a cor dos sonhos, a cor dos olhos quando choram, a forma exata dos lábios quando sorriem. Intimidade não é ver alguém de lingerie… Isso você pode ver a qualquer momento, com alguém que você conhece há muitos anos ou há poucas horas. Intimidade não é ver alguém se despir das roupas. Intimidade é ver alguém se despir das barreiras, dos medos, das suas verdades incontestáveis, das suas certezas absolutas. Intimidade é a entrega, mas não a entrega do corpo. Intimidade é a entrega mais difícil: a entrega da alma e do coração.

Nat Medeiros

Publicação original: Superela

RESPEITE SUA TRISTEZA

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Se eu pudesse te dar um conselho hoje seria: respeite a sua tristeza. Respeite sua tristeza porque ela é um sentimento natural. Respeitar algo que se está sentindo é o mesmo que se respeitar e que se acolher.

Não somos obrigados a sentir alegria todos os dias. Há dias em que tudo que queremos é manter silêncio e um certo isolamento da sociedade. E não há mal nenhum isso. Não somos seres estáticos que possuem apenas um tipo de emoção. Somos seres vivos, em constatante mutação, vivendo situações diferentes e convivendo com pessoas diferentes todos os dias. As emoções fluem e se transformam. Cedo ou tarde a tristeza virá e ela deverá ser ouvida e respeitada. Quanto mais a menosprezarmos, mais difícil será lidar com ela.

Mas confesso que nem sempre eu aceitei estar triste. Nem sempre eu aceitei esse estado de espírito em minha vida. Foram inúmeras as vezes em que ela se instalou em meu peito e eu me obriguei a ir  em direção à multidão como forma de me convencer que “estava tudo bem”. Resultado? Eu só voltava pra casa pior porque chorar dói mas forçar um sorriso quando não se quer sorrir é ainda mais incômodo. Vestir máscaras pesa muito na alma da gente. Ressalto que estou falando de tristeza, não de depressão que é uma doença séria, onde a tristeza persiste e se alonga, exigindo diagnóstico e tratamento. (Estar triste é bem diferente de ser triste e precisamos nos atentar a isso para levarmos uma vida mais saudável).

Em uma sociedade que nos obriga constantemente a expor nas redes sociais felicidade nem sempre genuína, é um ato de coragem admitir: estou triste. Eu fiz isso recentemente, deixei de esconder uma tristeza que veio me visitar, eu a assumi e estive disposta a aprender o que ela veio me ensinar. O resultado disso? Ainda não sei, ainda estou sendo sua aprendiz. Mas pessoas ótimas vieram dizer que estão comigo e estariam disponíveis se eu precisasse. Talvez uma das lições que a tristeza veio me ensinar é de que não preciso fazer tudo sozinha, que há pessoas legais nesse mundão e que baixar a guarda às vezes pode ser muito bom.

Então, novamente, se eu puder te dar um conselho, seria: se a tristeza te visitar, ouça o que ela tem a te dizer. Geralmente ela nos ensina mais do que a alegria e pode ser justamente ela quem vai nos orientar a sair de uma situação que não vem dando certo há algum tempo. Além disso, sentir tristeza, assim como qualquer outro sentimento, nos faz lembrar que estamos vivos.

Nat Medeiros

Fonte da Imagem: Pinterest

TUDO QUE RESTOU DE NÓS FOI SILÊNCIO

Quando eu achei que estávamos vivendo o nosso auge, eu descobri que aquele deveria ser o nosso fim. E por mais que eu quisesse me agarrar àqueles momentos, dentro de mim eu já sabia que eles agora compunham um passado, e que me agarrar a esse passado só iria gerar mais sofrimento.

Todo auge vem acompanhado do seu declínio e com nós dois não haveria de ser diferente. Os dias em que eu adormeci ao seu lado, deixando o meu coração e os meus sonhos à sua mercê, foram sucedidos por noites solitárias acompanhadas de lágrimas. Me doía saber que a sua vida ia seguir sendo a mesma sem mim. Me doía muito saber que você nunca iria fazer questão de um laço entre nós. Me doía me afastar cada vez mais da sua vida e te ver nada fazer para impedir esse afastamento. Me doía ver o seu mundo continuar girando e o meu estar aos pedaços. Me doía não sentir mais a sua pele e nem o calor das nossas brigas. Me doía o fato das nossas vozes terem se calado e do céu continuar azul embora tudo dentro de mim fosse cinza. Tudo que sobrou de nós foi silêncio. O silêncio mais ensurdecedor já ouvido. Sem ter voz para falar, me restou apenas escrever para quem sabe encontrar a cura daquilo que já foi um dia o maior amor do mundo.

Nat Medeiros

Fonte da Imagem: Pinterest

PRECIPÍCIOS

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Tenho alguns precipícios dentro de mim que vez em quando vêm à tona.

É quando a tristeza fala mais alto do que o entusiamo.

É quando a vontade de me isolar é maior que a vontade de me integrar.

É quando o brilho dos olhos se tornam opacos.

É quando as cores se vestem de cinza.

Tenho alguns precipícios dentro de mim e vez em quando eles me cercam me enchendo de medos.

É quando a força cede lugar à resignação e quando a visão só enxerga abismos.

É quando a  crença dá lugar à descrença.

É quando o Sol se apaga, transformando a luz em escuridão.

Tenho alguns precipícios dentro de mim e vez em quando ando à beira deles.

É quando o sonhos desistem de sonhar.

É  quando o Amor desiste de amar.

Precipícios nos paralisam por um motivo: pra que a gente possa juntar forças pra mudar o que nos aflige.

Precipícios não podem ser evitados. Não se pode fingir que um precipício não está ali.

Precipícios nos requerem mergulho e coragem.

É preciso ouvir o que eles nos dizem, sentir o que eles nos trazem.

Precipícios são a chave de uma mudança que há muito tempo vem sendo protelada.

Precipício é limite. É divisor de águas.

Eu estou vivendo meu precipício pra renascer depois.

Nat Medeiros

Fonte da Imagem: Pinterest

O AMOR, A DOR E O MAR

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O amor e a dor são como o mar. Grandiosos, imensos, profundos. Podem nos envolver de tal forma que nos afunde, podem nos guiar de tal forma que nos transforme.

Transfor-MAR

Eu acredito na ideia de que devemos viver o amor e a dor com máxima intensidade.  Só assim poderemos saber o que há além da margem. Em 2010, após muitos anos sem ver o mar, peguei um ônibus e fui sozinha pra uma cidade litorânea, desconhecida para mim até então. Quando cheguei ao destino, tive urgência em ir à praia e entrar na imensidão da água. À medida que eu me aproximava, a cada passo dado, mais azul o horizonte ficava. O horizonte do céu, logo em seguida, o horizonte do mar. Lembro-me de ter ficado quatro horas seguidas dentro dele… A minha necessidade era tanta, a minha sede era tamanha… Eu precisava viver o mar enquanto eu e ele estávamos no mesmo lugar. Apenas me molhar não era o suficiente. Eu mergulhei.

O amor e a dor, assim como o mar, são imensos de tal forma que torna-se impossível passar ileso a eles. Por um tempo, eu andei de mãos dadas com o amor. Ele me permitiu ser a pessoa sonhadora que eu nunca fora até então. Ele me fez querer tanto e tão bem a alguém, de uma forma que até então eu não quisera a ninguém. Eu me desnudei do meu orgulho para mergulhar no sentimento.

O amor, como o mar, é intenso demais para ser controlado. É grande demais pra nos determos à margem. Eu amei, e esse amor foi maior do que eu. Foi tão forte que eu abandonei a segurança do cais e não pude mais sentir a areia sob meus pés. Eu aprendi a flutuar. E assim fui além: além do porto, além de mim.

Por um tempo também eu andei de mãos dadas com a dor. Porque a dor compreende parte do processo do amor. O luto existe e precisa ser vivido. É só vivendo a fundo a morte de um amor, é que podemos renascer. Então eu vivi tudo o que a dor me trazia: silêncio e solidão. Quantas vezes, nesse meio tempo, eu olhei para o mundo e suas luzes e não me via ali? Por isso me isolei, poucos me viram, poucos me ouviram, pouco eu escrevi. Vulnerável à dor e ao que ela me trazia, me distanciei para me transfor-MAR.

Ao mar, ao amor e à dor, eu aprendi a me atirar, sempre que preciso. A vida requer mergulhos e coragens. Andei de mãos dadas com o amor durante um tempo, andei de mãos dadas com a dor durante outro. Agora, novamente, vou ao mar. A minha alma tem sede de água e sal.

 

Nat Medeiros

Fonte da Imagem: Pinterest

EU PEDI O RAPAZ EM NAMORO

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Quando o meu amigo André me aconselhou a abrir o jogo para o rapaz e falar abertamente que eu queria um relacionamento sério, eu respondi que eu iria fazer isso, mas por dentro eu pensava: “André está louco. Eu não posso fazer isso de jeito nenhum, não tenho coragem.”. E assim fui levando a situação por um tempo. Porque embora eu tenha facilidade em escrever sobre meus sentimentos, eu tenho uma enorme dificuldade em demonstrá-los na vida real… E eu nunca nem cheguei em um cara, imagina chamar pra namorar? Inimaginável. Eu não iria fazer isso de jeito nenhum!

Só que um belo dia (mentira, não foi tão belo assim) o rapaz acabou assumindo que tinha ficado com uma outra menina. Eu fiquei péssima, não soube lidar. E foi aí que eu vi que eu precisava de uma segurança. Se a gente continuasse como estava, apenas “ficando”, isso poderia acabar acontecendo de novo. Não que um namoro seja garantia de exclusividade, mas ficar pra mim já não era mais suficiente. Eu queria  poder me entregar sem medo, eu queria senti-lo entregue também.

No dia seguinte, a gente se encontrou pra conversar em um açaí. Eu nem me lembro de tudo que conversamos mas eu lembro que eu deixei claro que eu queria um relacionamento sério. E aí vai um conselho: se você quer uma resposta clara, seja clara também. Ao ser clara, a gente pede que o outro também o seja. Eis então a resposta dele (que nunca esquecerei): “Nat, eu não acredito em relacionamentos e não quero relacionamentos por um bom tempo em minha vida.”. Eu acho que o mundo parou por um momento naquele domingo. E isso só reforçou a minha percepção de que domingo é o pior dia da semana. Eu perdi o chão e só pensava em levantar da mesa e sair correndo daquele lugar pra esconder a minha tristeza em um lugar bem escondido. Mas, olha, eu estava em um açaí, eu amoooo açaí, então eu pensei comigo mesma: “Deixa só eu terminar esse açaí aqui que eu vou embora.”. Hahahaha. E fui.

A gente ficou um tempo sem contato e um mês depois a gente voltou a ficar. Eu tinha esperança, sabe? Esperança de que talvez ele visse que gostava mesmo de mim. Mas pouco tempo depois eu é que acabei vendo que realmente não existia espaço pra mim na vida dele; ele estava sendo sincero ao dizer que não queria um relacionamento sério comigo. Acontece que a gente tem a mania de fantasiar o “SIM” onde apenas existe o “NÃO”. E a verdade é que: se um cara diz que quer namorar você, nem sempre ele quer de fato namorar (às vezes ele fala por falar). Mas se um cara diz que não quer namorar você, minha amiga, ouso dizer que ele realmente não quer.

(Pergunta: E se ele não diz nem que não nem que sim? Provavelmente ele também não quer mas tem medo de te dispensar, aí prefere te deixar na estante).

Quando eu coloquei na página que pediria um rapaz em namoro, muitas garotas pediram conselhos. Então eis alguns:

-Você não perde o que não tem;

-Demonstrar que gosta não irá te fazer menor;

-O ideal seria você pedir alguém em namoro apenas quando se está preparada para ouvir um “não”, mas desconfio que nós nunca estamos preparadas para ouvir um “não” de quem a gente gosta. Então o ideal é que você só faça isso quando ao menos estiver disposta a aceitar o “não”.

Como eu disse, eu ainda voltei a ficar com ele um tempo. Eu ainda não estava pronta para desistir. Mas depois eu entendi que realmente NÃO era NÃO, e que ou eu aceitava ficar naquela situação correndo o risco de a qualquer dia ele aparecer me dizendo que estava ficando com outra pessoa ou eu ia seguir minha vida e refazer meu caminho. Eu optei pela segunda alternativa.

Quando eu ouvi aquele conselho de André há uns meses, eu realmente pensei que era loucura pedir alguém em namoro e confesso que jamais me imaginei fazendo isso. Mas, com o tempo, eu vi que aquilo era o mais sábio a se fazer. Era preferível receber logo um “não” na cara a ficar esperando por um “sim” que não chegaria. O desfecho da minha história talvez não seja o mais motivante mas me ensinou que algumas coisas, por mais desagradáveis que sejam, são necessárias. Eu já disse aqui uma vez na página e reforço: a Vida não é sobre os “Sim’s” que recebemos, é sobre os “Não’s” recebidos e o que decidimos fazer com eles. O que eu decidi? Seguir minha vida e evitar as músicas tristes. Como disse a personagem de um filme que eu vi: “O final feliz nem sempre é a dois. Talvez o final feliz seja apenas seguir em frente”.

(A quem seguir o conselho do meu amigo, e agora meu conselho também, eu desejo que receba um SIM. Mas se porventura vier um NÃO, lembre-se de que o mais doloroso é insistir em uma história que não nos cabe. E que a decisão do que fazer com uma resposta negativa sempre está em nossas mãos).

Nat Medeiros